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    Dia A Dia


    Após 5 dias de buscas, sobrevivente de naufrágio fala da dor de não encontrar mulher e filho

    Família comemorava o dia das mães quando voadeira bateu e e tombou na água - Foto: Reprodução/Facebook

    Era noite e uma lancha, do tipo voadeira, com oito pessoas a bordo, colidiu com um barco de maior porte e virou a poucos metros da margem do rio Negro. O que era um momento de diversão, entre pessoas de uma mesma família e amigos, se tornou um pesadelo, principalmente, para o industriário Jair Castilho da Silva, 30. Há cinco dias ele aguarda, sem dormir ou voltar para casa, notícias da esposa e do filho, de apenas 3 anos, que desapareceram no rio após o naufrágio. 

    Homem simples e trabalhador, Jair é um dos seis sobreviventes - que conseguiram nadar até a margem do rio. Segundo ele, o único objetivo era oferecer um passeio na praia para toda a família no último domingo (14). Um dia inteiro no balneário, situado na margem oposta do rio Negro, partindo do porto da Manaus Moderna. O passeio foi um pedido especial da esposa, presente do Dia das Mães.

    Jair e a família, em foto publicada em dezembro. Ainda é difícil para o pai conseguir entrar em casa - Reprodução/Facebook

    “Nós não tínhamos o costume de sair muito, no máximo saíamos para beber alguma coisa próximo de casa mesmo. Mas era Dia das Mães e a Elaine queria sair, aproveitar a data”, disse Castilho, que conversou com a reportagem do EM TEMPO por telefone.

    Além de Elaine Siqueira Rocha, 24, esposa de Jair, o filho do casal, o "Rafaelzinho",  também desapareceu nas águas escuras. A esperança de encontrá-los com vida é cada vez menor e o desejo de poder enterrar os restos mortais da família é o que ainda motiva o industriário a acompanhar, todos os dias, as buscas feitas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e por amigos, que se prontificaram a ajudar.

    “Eu sei que é muito difícil encontrar os dois vivos, mas, pelo menos os corpos, eu tenho esperança de encontrar. Eu quero poder oferecer um enterro digno para eles”, comenta.

    Com a mesma potência de um banzeiro traiçoeiro, Jair disse que ainda não consegue lidar com os diversos sentimentos após o ocorrido. Ele contou que ainda não conseguiu entrar na casa, onde dividia seus dias ao lado da companheira e do pequeno Rafael.

    “Não consigo entrar na minha casa. Desde o dia do acidente durmo na casa da minha irmã, que fica no mesmo bairro. Antes eu chegava em casa e eles estavam lá para me receber ou chegariam a qualquer momento. Hoje eu não posso mais esperar por isso”, lamenta.

    Acidente e resgate

    O acidente que vitimou a esposa e o filho de Jair aconteceu quando a lancha em que estavam retornando de um balneário, em Iranduba, com destino ao Porto da Manaus Moderna, bateu em outra de porte maior e acabou virando na água.

    “Não sei dizer o que aconteceu exatamente. Em um momento eu estava brincando com minha irmã e quando dei conta, tava tentando sair debaixo do barco virado. Foi muito rápido. Ainda mergulhei  e senti uma perna que tentei puxar, acreditando ser da minha esposa, mas era da minha sobrinha", lembrou Jair.

    Desde a manhã de segunda-feira (15), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) realiza buscas com equipes de mergulhadores na área onde ocorreu a colisão, mas sem sucesso.

    Raphael Sampaio
    EM TEMPO