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    Manaus registra 39 crimes com características de execução em junho

    Corpo encontrado com característica de execução- Foto: Divulgação

    Nos últimos 15 dias, em um período que vai de 30 de maio a 16 de junho, quase 40 homicídios foram registrados em Manaus, com características de execução, dentre eles seis corpos decapitados, quatro corpos submersos enrolados em lençóis e um carbonizado. Esses dados foram baseados em reportagens publicadas pelo EM TEMPO, no mesmo período.

    De acordo com o Sociólogo e cientista político da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Tiago Jacaúna, é possível interpretar que os crimes com decapitação vêm ocorrendo em Manaus, de forma corriqueira. Para ele, esses grupos querem passar uma identidade por meio dos atos de violência. Geralmente deixam uma marca, com a qual possam ser associados, estabelecendo assim, uma posição de enfrentamento pela crueldade, perante outros grupos criminosos e sistema policial.

    Cabeça encontrada embaixo de uma ponte em Manaus - Foto: Divulgação

    “Numa situação de enfrentamento com o crime organizado, grupos que se opõem uns aos outros, como criminosos versus policiais, buscam mostrar uma identidade perante o outro. Isso caracteriza pela forma com que o crime foi cometido, quem o cometeu. Fazem isso para passar um recado, ou melhor, marcar uma posição no campo de disputas,” explicou o sociólogo.

    Para o professor David Spencer, especialista em facções criminosas, os homicídios cometidos em Manaus, nos últimos tempos, com a prática de esquartejamento são reveladores de extrema violência. "Isso já faz parte do código de conduta e punição de grupos criminosos que almejam demonstrar poder e terror às facções rivais ou a qualquer um que venha a se colocar como obstáculo ou ameaça a seus interesses e domínios. A violência extrema ganha um viés estarrecedor a fim de demonstrar soberania e poder por partes daqueles que a praticam. Trata-se de uma banalização do mal e hiper-valorização da violência",define.

    Segundo o delegado-geral adjunto da polícia civil do Amazonas, Ivo Martins, o Modus operandi dos crimes de decapitação é comum entre facções criminosas do Estado.

    Crimes

    Cerca de 24 horas depois de uma cabeça ter sido achada embaixo da ponte da maués, no bairro Morro da Liberdade, o corpo de Everton Mendes da Silva, de 29 anos, foi encontrado na manhã desta sexta-feira (16), no igarapé do 40, no Prosamim localizado na rua Lourenço da Silva Braga, bairro Morro da Liberdade, Zona Sul.

    Outro homicídio com características de execução registrado nesta sexta, foi do autônomo Iris Tomaz dos Santos, de 30 anos, assassinado com dois tiros na madrugada na rua 15 de janeiro, beco São Vicente, bairro Mauazinho. Segundo a Polícia Militar, dois homens encapuzados invadiram a casa da vítima, por volta de 0h15.

    Nota

    A reportagem solicitou dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) sobre os casos de homicídios que ocorreram entre os dias 30 de maio a 15 de junho. Porém, em virtude do ponto facultativo, os dados serão levantados apenas na próxima semana.

    Elias Pedroza
    EM TEMPO

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