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    Dia A Dia


    Funcionários de maternidade protestam em defesa de colegas investigados por abuso

    Um grupo de servidores da maternidade Moura Tapajóz fez um protesto na manhã desta sexta-feira (7) em defesa dos dois colegas acusados, na última quarta-feira (5), de abusar de uma paciente sedada, após um parto cesariano. Um grupo com cerca de 70 funcionários ocupou duas pistas da avenida Brasil, em frente à unidade de saúde, por aproximadamente meia hora, gritando palavras de ordem e pedindo respeito aos colegas e à profissão. A maternidade fica no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus.

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    Manifestantes exibiram cartazes pedindo justiça  - Raphael Sampaio

    Segundo o supervisor dos enfermeiros, Everton Gomes, de 46 anos, os homens envolvidos no caso são vítimas de uma falsa denúncia. Ele defende que os procedimentos adotados pelos colegas são normais em situações pós parto. O supervisor também afirmar conhecer os profissionais o suficiente para defendê-los.

    "Trabalhamos há muitos anos juntos, são pessoas que se dedicam à enfermagem por mais de 20 anos. Sabemos da índole deles e não concordamos com as acusações que estão sendo feitas. Uma coisa dessas pode destruir a carreira de um profissional pelo resto da vida", afirmou Gomes.


    Outra servidora, que diz trabalhar com eles há mais de 15 anos, defende que ambos estão sendo vítimas de calúnia. Ela considera que os colegas sempre mostraram profissionalismo na atividade.  "O que estão fazendo é um desrespeito não apenas com eles, mas com todos nós colegas e a instituição Moura Tapajóz. Aqui trabalhamos com ética, com respeito à profissão e aos nossos pacientes", defendeu a profissional.

    Médicos também defendem

    Uma obstetra da maternidade, que pediu sigilo da fonte, conta que o procedimento realizado pelos profissionais é comum. Segundo a profissional,  limpeza é necessária para remover resíduos de sangue, urina, fezes e líquido amniótico, além de medicações que são aplicadas no processo de parto. Isso serve para evitar infeções e manter a saúde da mãe e da criança. Segundo a profissional, em nenhum momento a paciente fica sozinha no leito.

    "Essa limpeza não costuma ser feita pelo médico, mas pelos profissionais que ficam no setor cirúrgico. A paciente nunca fica sozinha. As salas permanecem com dois, três, até quatro profissionais dentro, além do marido, que hoje é autorizado a estar no recinto da cirurgia.


    Investigação

    Delegado negou que já tenha decretado prisão dos suspeitos

    A Polícia Civil do Amazonas (PCAM) abriu inquérito para investigar a denúncia. O delegado titular do 8º Distrito Integrado de Polícia, Demétrius de Queiroz, declarou que aguarda, ainda nesta sexta-feira, os depoimentos da diretora da maternidade, do médico que realizou o procedimento e dos dois suspeitos. Somente após estas procedimentos é que a autoridade policial vai decidir se pede, ou não, a prisão preventiva dos envolvidos.

    "É necessário que sejam esclarecidas as atribuições técnicas dos profissionais em questão para que seja tomada qualquer providência. Até o momento não houve pedido de prisão de nenhum dos suspeitos, até que tudo seja cuidadosamente apurado", declarou Queiroz.

    Entenda o caso

    Na quarta-feira (5) familiares de uma mulher atendida na maternidade Moura Tapajóz, no último domingo (2), acusaram os dois profissionais de conduta antiética, logo após ela ter dado à luz em parto cesariano. Segundo o marido da suposta vítima, eles teriam apalpado e introduzido os dedos nas partes íntimas da esposa. O denunciante também acusou os dois funcionários de estimularem suas partes íntimas durante o processo.

    Eles teriam se assustado ao perceber a presença do homem na sala de parto e se retirado do local em seguida, retornando momentos depois com o material para o procedimento de assepsia. A família formalizou denúncia junto à direção da maternidade e fez um boletim de ocorrência no 8º Dip.

    A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) afastou os profissionais e abriu sindicância para apurar o caso.  A Semsa afirmou ainda, que resguardará o direito de defesa dos funcionários e somente no caso de confirmadas as acusações, punirá os envolvidos.

    Raphael Sampaio
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