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    Desindustrialização


    Empresas podem deixar Manaus até dezembro e desemprego assombra

    Decisões políticas têm desestabilizado especialmente a capital amazonense. Prova disso, é saída de algumas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM)

    O fechamento das portas da alemã no complexo fabril local pode acarretar em um efeito dominó
    O fechamento das portas da alemã no complexo fabril local pode acarretar em um efeito dominó | Foto: Divulgação


    Manaus - A grave crise econômica tem resultado no processo de desindustrialização no país inteiro. Decisões políticas têm desestabilizado especialmente a capital amazonense. Prova disso, é saída de algumas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM), como a Siemens, que encerrou suas produções na cidade há duas semanas. Nesse cenário, setores como o de eletroeletrônicos, plásticos, papelão e concentrados correm sérios riscos.

    Representantes de órgãos como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e entidades como a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) evitam citar nomes de fábricas que podem sair ou chegar ao PIM, pois o processo pode não ser finalizado.

    O fechamento das portas da alemã no complexo fabril local pode acarretar em um efeito dominó, ou seja, outras indústrias também podem colocar um ponto final na linha de produção. Por enquanto, conforme especialistas e representantes da indústria, o setor plástico e de concentrados são os com mais tendência a dizer “adeus” ao PIM.

    Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o processo de desindustrialização é uma situação triste para todo o Brasil. Vários fatores levam as empresas a desistirem de continuar com as atividades em complexo fabril.

    “É necessário, antes de tudo, melhorar o ambiente, principalmente, no que diz respeito à infraestrutura. Além disso, há um alto custo logístico com o transporte fluvial”, disse o dirigente.

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    “Falta uma política industrial, pois diferentes setores podem perder empresas que estão com vários anos de operação no PIM. É um risco muito alto”, destacou.

    Para o deputado estadual Serafim Correa, não deve haver novas saídas de empresas, ao menos até o fim deste ano.

    “Houve uma fragilização no setor de concentrados. Cada fábrica que se despede é uma perda muito grande. Mas, até dezembro, deve haver estabilidade”, salientou.

    Siemens

    Em nota, a Siemens informou que, para seguir o direcionamento estratégico de oferecer produtos e soluções tecnológicas globais, está aprimorando seu portfólio de baixa tensão no Brasil. Dessa maneira, as linhas de produção presentes na fábrica do PIM estão em fase de descontinuidade.

    A empresa garante, conforme a nota, que os quase 300 colaboradores da fábrica terão todos os direitos estabelecidos em lei assegurados. Além disso, o aproveitamento de parte do quadro funcional será analisado para realocação em outras unidades da empresa.

    A Siemens continua presente na Região Norte do Brasil, empregando mais de 250 colaboradores por meio da empresa Guascor. A companhia está em 20 localidades nos Estados do Acre, Amazonas e Pará, onde atua na geração de energia distribuída com potência instalada de 190MW, atendendo mais de 760 mil habitantes em comunidades remotas da região.

    Alto aporte

    Desde o fim do ano passado, a fábrica estava engatinhando e investindo em melhorias nos processos. A fábrica chegou a ganhar prêmios internacionais por qualidade e produtividade. Apesar da redução de quadro, o processo ficou automatizado para manter a competitividade na linha de produção. A grande dificuldade foi continuar oferecendo produtos ultrapassados no mercado.

    Com a decisão nas mãos dos alemães, no início deste ano foi anunciado que a Siemens iria fechar as portas no PIM. Apesar do interesse em manter a fábrica, que era boa, capacitada, com pessoas motivadas, eles também fizeram um esforço para manter aberta em Manaus e com novos produtos. Mas pela atual situação econômica do país, não fazia sentido para o investidor da Siemens continuar insistindo em um mercado que está fraco.

    Inúmeras reuniões para calcular e avaliar cenários foram feitas até a decisão final. “Infelizmente, poucos funcionários vão ser reaproveitados, alguns vão para outros Estados, e alguns vão até para outros países. Mas apenas 5% do quadro que vai ser reaproveitado pela situação econômica que não está favorável para a Siemens”, argumentou o ex-funcionário.

    Apoio ao antigo funcionário

    O ex-funcionário garantiu que a empresa está dando todo o apoio para a recolocação no mercado.

    “É uma situação triste, mas todos estão saindo com a sensação de dever cumprido, todos vão ganhar um ano de cesta básica. É uma pena que uma empresa com mais de 30 anos de PIM tenha que fechar as portas. Nos últimos meses, eram cerca de 300 funcionários, hoje apenas 20 estão trabalhando para resolver os últimos detalhes do fechamento total. A linha de produção não está mais funcionando. No máximo em setembro as chaves do galpão serão entregues para o proprietário”, explicou.

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