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    Pós-pandemia


    Turismo do AM amarga prejuízos em decorrência da pandemia

    Trabalhadores do ramo esperam um retorno gradual. A expectativa é que até o segundo semestre de 2021 o setor volte ao seu normal

    . No Amazonas, o ecoturismo é cada vez mais crescente e atrai turistas nacionais e internacionais | Foto: Ricardo Oliveira

    Manaus - O setor de turismo foi um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), no ano de 2019 o segmento estava gerando cerca de 2,9 milhões de empregos diretos, sendo o faturamento de dezembro o mais alto com R$ 23,3 bilhões de reais. Com o crescente dinamismo do setor, a expectativa era que esse ano fosse melhor, porém os números estiveram em queda neste primeiro semestre, desde o início da quarentena. A expectativa é que até o segundo semestre de 2021 o setor volte ao seu normal.

    Com o decreto que suspende as atividades não essenciais em vários estados brasileiros e a diminuição da frota aérea, vários consumidores tiveram que cancelar ou remarcar suas passagens. A funcionária de uma agência de viagens, Marcela Almeida, explica que no início da quarentena o índice de cancelamentos de passagens foi muito alto e que, com a reabertura do comércio, a procura voltou a crescer. “Quando ocorreram os primeiros casos no Brasil o turismo foi o primeiro a ser impactado. Em junho, quando as outras cidades brasileiras começaram a reabrir, mesmo que parcialmente, houve uma procura muito alta para períodos como réveillon e nos meses de março e maio de 2021”.

    O segmento turístico engloba as companhias aéreas, hotéis, empresas organizadoras de eventos, guias de turismo, agências de viagens, entre outros, sendo um grupo muito abrangente. No Amazonas, o ecoturismo é cada vez mais crescente e atrai turistas nacionais e internacionais, sendo o Encontro das Águas um dos pontos mais famosos. De acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o setor corresponde a 6% do PIB anual no estado e a tendência é que esse número seja maior a cada ano.

    Turistas internacionais preferem ter um contato maior com a natureza amazônica
    Turistas internacionais preferem ter um contato maior com a natureza amazônica | Foto: Galeria Boto da Amazônia

    Sérgio Torres, dono da agência de turismo local Boto da Amazônia, conta que não tem muita expectativa para o turismo local ainda esse ano. “Muitos dos nossos turistas são autônomos, comerciantes, que foram muito afetados do ponto de vista econômico. Então a primeira coisa que a pessoa corta dos gastos vão ser as coisas supérfluas. Viajar, fazer passeios locais, se hospedar em hotéis de selva são coisas que a pessoa faz quando tem um dinheiro sobrando. Para quem tem filhos, as escolas já não vão dar férias, então aquele pessoal que talvez estava se programando para viajar de férias com os filhos já não vão mais”.

    A agência de passeios Boto da Amazônia promove o ecoturismo na capital
    A agência de passeios Boto da Amazônia promove o ecoturismo na capital | Foto: Galeria Boto da Amazônia

    Estratégias

    “Lançamos sete protocolos de biossegurança para a área de turismo, estamos muito preocupados em não sair das ‘prateleiras’ então vamos investir em mídias digitais para que o Amazonas continue aparecendo. Nossas campanhas de marketing vão ser por meo das mídias, já que nesse momento a gente não pode estar nas feiras que foram canceladas. Vamos aproveitar também esse resto de 2020 para melhorar a questão da infraestrutura”, conta a diretora da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (AmazonasTur), Roselene Medeiros, sobre quais medidas serão tomadas para a reativação do setor.

    Aposta em 2021

    O presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis no Amazonas (ABIH), Roberto Bulbol, explica que, após as crises econômicas que o Brasil enfrentou no início de 2019, no segundo semestre a economia já estava estabilizando e as expectativas para 2020 eram muito boas, até a chegada da pandemia. Para ele, o pior já está passando e espera-se que o cenário melhore. “A expectativa é que em 2021 a gente atinja os números como eram antes da pandemia”.

    João Carvalho, diretor de turismo da Secretaria Municipal de Cultura (ManausCult) também espera um bom recomeço. “Com a reabertura do comércio e a disponibilidade de novas rotas aéreas, a tendência é que o turismo volte a acontecer, mas sempre gradualmente, porque você ainda vai ter a insegurança das pessoas em viajar. A retomada do turismo interno [nacional], pode ser que seja mais rápida. A previsão é que isso aconteça agora no segundo semestre ou até o primeiro semestre de 2021” explica.

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