DELIVERY MANAUS


Número de entregadores de aplicativos cresce quatro vezes em Manaus

Nas ruas de Manaus, em meio a pandemia, o crescimento é perceptível até mesmo fora dos tradicionais horários de pico

Durante a pandemia, o volume de pedidos em um dos aplicativos de entregas, que operam em Manaus, cresceu 300%
Durante a pandemia, o volume de pedidos em um dos aplicativos de entregas, que operam em Manaus, cresceu 300% | Foto: Lucas Silva

Manaus - Enquanto muitos manauaras praticam o isolamento social para se proteger da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) - a maioria nem tanto -, nas horas de almoço e de janta, com um crescimento de até 300% nos pedidos de delivery de restaurantes, as ruas de Manaus passaram a ser preenchidas com um volume bem maior de trabalhadores sobre duas rodas, que servem como soldados de retaguarda, nessa guerra contra o inimigo invisível.

Com centenas de restaurantes de portas fechadas, entregadores mais experientes afirmam que quadruplicou na cidade o número de homens e mulheres, que encontraram nos serviços de entrega de aplicativos, uma maneira de ganhar uma renda extra, ou até mesmo o orçamento familiar do mês. Eles passaram a ser o principal elo entre os empreendimentos de alimentação nas entregas dos alimentos até às casas dos seus clientes.

Apesar de as principais empresas de delivery que operam em Manaus como o ifood, Uber Eats, Rappi, Bee e Loggi não divulgarem o percentual de crescimento do número de profissionais que ingressaram nas plataformas, a presença dos entregadores nas ruas da capital é notória. O volume se torna mais real levando em consideração que a alta na quantidade de pedidos do aplicativo Rappi, por exemplo, que em março cresceu 300%. Nesse mesmo período no volume de cadastros registrou um pico de 280%.

Entregadores se concentram com suas motocicletas em pontos de saída de pedidos como shoppings e supermercados
Entregadores se concentram com suas motocicletas em pontos de saída de pedidos como shoppings e supermercados | Foto: Lucas Silva

Em Manaus, além da presença nas ruas em maior quantidade, o número de entregadores é também percebido em pontos de retirada de pedidos, como nas saídas de empreendimentos que, pela atual regra estão de portas fechadas como, os shoppings Amazonas Shopping e Ponta Negra, supermercados e nas grandes lanchonetes, mas que estão autorizados a vendes por meio de delivery.

Há mais de um ano atuando pela plataforma do iFood, o entregador Josiel Silva avalia que o crescimento nas demandas foi muito perceptível a partir dos efeitos da pandemia na cidade e dos decretos que fecharam as portas dos comércio e serviços não essenciais. O resultado dessa percepção está na sua renda mensal que, segundo ele, também cresceu mesma medida que aumentaram os pedidos.

“Toda hora tem gente pedindo alguma coisa pelo aplicativo. Recebemos muitos pedidos para compras em supermercados e lanches. Percebo um pico no horário do almoço e fim da tarde quando as pessoas começam a pedir refeições e lanches. Com o crescimento dos pedidos a minha renda também cresceu. Antes eu costumava fazer 17 entregas por dia. Agora, desde o início da pandemia eu faço de 27 a 30 entregas. O lucro semanal aumentou 50%”, afirma Silva.

Entregador conta que, durante a pandemia o seu ganho cresceu à medida que aumentaram o volume de pedidos
Entregador conta que, durante a pandemia o seu ganho cresceu à medida que aumentaram o volume de pedidos | Foto: Lucas Silva

Já o entregador Adriano Oliveira diz que os pedidos aumentam principalmente aos fins de semana. Segundo ele, nesses dias não há horário de pico, pois o fluxo é intenso desde as primeiras horas do dia.

“Eu começo a trabalhar às 10 horas. Mal ligo o aplicativo e já aparece entregas para fazer. Nos fins de semana eu tenho feito mais de 30 entregas em um dia. Antes da quarentena acontecer esse o número de entregas que eu fazia no sábado e no domingo era menor. O serviço cresceu muito e tem sido benéfico, apesar do momento que enfrentamos”, avalia o motoboy.

Novos profissionais

Segundo entregadores mais antigos, o número de profissionais cresceu quatro vezes se comparado ao fim do ano passado. O fenômeno aconteceu devido o desemprego ter aumentado na capital amazonense. É o caso do Randerson Lima, que trabalhava nas entregas uma vez ou outra para garantir uma renda extra. Mas com a pandemia, ele ficou desempregado e precisou se dedicar totalmente ao serviço de entrega com a sua motocicleta.

Uso de máscara, álcool em gel entre outras medidas de higienização se tornaram rotina entre os entregadores
Uso de máscara, álcool em gel entre outras medidas de higienização se tornaram rotina entre os entregadores | Foto: Lucas Silva

“Eu trabalhava como carreteiro, mas a empresa precisou diminuir o quadro de funcionários e muita gente foi demitida, inclusive eu. No início fiquei sem saber o que fazer, pois é um momento difícil para a saúde pública, mas eu precisava levar alimento para minha família, então investi nas entregas e graças a Deus tem dado certo”, enfatiza Lima. 

O mesmo também aconteceu para o Gleison dos Santos, que atuava como agente de portaria, mas com a demissão precisou seguir com as entregas. “Antes eu fazia as corridas somente quando tinha folgas no trabalho. Mas agora todo dia eu saio para entregar pedidos. É uma boa alternativa para quem está precisando de trabalho durante essa crise, pois hoje eu consigo ganhar mais que no trabalho anterior”, afirma Santos. 

Riscos

Pelos números oficiais, Manaus é a terceira cidade do país com mais casos confirmados do novo coronavírus. Diante dos riscos de contaminação, os entregadores precisam redobrar os cuidados com a higiene pessoal e a higienização dos alimentos recebidos para as entregas.

“A máscara e o álcool em gel são obrigatórios. Muitos pedidos, principalmente dos supermercados não são higienizados. Mas, assim que recebo, eu procuro higienizar as sacolas devido os riscos que corro. Tenho minha família também e preciso me proteger para protege-la”, lembra Randerson. 

Com a crise sanitária que afetou o mundo, os aplicativos passaram a oferecer opções de entrega sem contato com o entregador. Segundo Josiel a medida tem sido a mais usada pelos consumidores e a maioria dos pedidos são entregues da portaria ou até mesmo em local definido pelo consumidor.

“Eu me sinto mais seguro quando recebo pedidos assim. Mesmo que eu saia todos os dias para trabalhar, entendo o risco que é estar nas ruas, mas infelizmente eu não posso parar. Moro com meu pai e nesse momento as entregas são a única fonte de renda da minha família”, diz Josiel.