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    Zona Franca Verde


    Nelson Azevedo diz que Zona Franca Verde do Pará é bem-vinda

    Em entrevista com o jornalista Juscelino Taketomi, o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo, fala sobre iniciativas direcionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia

     

    Segundo Azevedo, a Zona Franca do Pará pode colaborar com a Zona Franca de Manaus
    Segundo Azevedo, a Zona Franca do Pará pode colaborar com a Zona Franca de Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus - Em entrevista, o empresário e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, afirma que a provável criação da Zona Franca Verde do Estado do Pará - que prevê incentivo fiscal para empresas de biotecnologia, sobretudo dos ramos de cosmético, farmacêutico e alimentício - é "bem-vinda", assim como toda iniciativa com bons propósitos, direcionada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

    EM TEMPO - Como o senhor analisa a criação de uma Zona Franca Verde no Estado do Pará?

    Nelson Azevedo - Toda iniciativa com bons propósitos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia é sempre bem-vinda. Entretanto, precisamos distinguir entre iniciativa e palpite. Em qualquer cenário, as pessoas que aqui vivem e trabalham precisam ser ouvidas. É preciso sempre convocar a tribo.

    Nós já temos, para toda a Amazônia Ocidental e o Estado do Amapá, uma aplicação de contrapartida fiscal para os produtos oriundos da biodiversidade. E nós podemos aplicar essa iniciativa em toda a região amazônica, estimulando os países vizinhos a fazerem o mesmo. Um paradigma verde do desenvolvimento sustentável.

    EM TEMPO - Então, não há problemas em executar essa proposta?

    Nelson Azevedo - Se for uma iniciativa para valer, nós podemos colaborar e muito com os estados vizinhos e, claro, aprender com eles. Temos uma iniciativa inacabada chamada Centro de Biotecnologia da Amazônia. Tudo indica que esta movimentação pode ajudar o CBA a definir seu plano de negócio, constituindo-se em Fundação Pública de Direito Privado.

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    Se for uma iniciativa para valer, nós podemos colaborar e muito com os estados vizinhos e, claro, aprender com eles "

    Nelson Azevedo, Vice-presidente da Fieam

     

    EM TEMPO - E por que isso não foi feito até agora?

    Nelson Azevedo - Essa é uma longa história. Os ministérios nunca entraram em um acordo para resolver este problema. De concreto hoje, há um compromisso dos gestores federais de desatar este nó. O importante é mobilizar as forças regionais.

    Em setembro, numa reunião do Conselho da Amazônia, ocorrida em Belém, o general Polsin propôs essa articulação no âmbito do Conselho, para que todos possam comparecer com suas contribuições objetivas ao desfio do desenvolvimento racional e sustentável da Amazônia.

    EM TEMPO - E por que as pessoas estão vendo ameaça nessa iniciativa para a sobrevivência da Zona Franca de Manaus?

    Nelson Azevedo - Nossos desafetos ficam de plantão permanentemente. Não é novidade essa movimentação de diversos setores da economia brasileira querendo esvaziar a economia do Amazonas. As razões são diversas. Todas mal compreendidas e mal intencionadas. Não é difícil imaginar que os incentivos para a Zona Franca Verde de Belém sejam aprovados sob a condição de eliminar a contrapartida fiscal da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Essa movimentação tem mais de 50 anos.

     

    "Não é difícil imaginar que os incentivos para a Zona Franca Verde de Belém sejam aprovados sob a condição de eliminar a contrapartida fiscal da ZFM", diz Azevedo
    "Não é difícil imaginar que os incentivos para a Zona Franca Verde de Belém sejam aprovados sob a condição de eliminar a contrapartida fiscal da ZFM", diz Azevedo | Foto: Reprodução

    EM TEMPO - E qual seria a melhor saída para nossa região?

    Nelson Azevedo - As saídas são diversas, e, repito, exigem a mobilização e o comprometimento dos atores regionais. Uma delas, que considero fundamental, é a formação de uma aguerrida bancada parlamentar da Região Norte. Não para promover confronto, pelo contrário, precisamos de integração para reduzir as desigualdades entre o Norte e o Sul do Brasil.

    Outra saída é a qualificação dos recursos humanos regionais. Nossos jovens precisam ser especialistas em sustentabilidade, engenharia florestal, naval, civil, elétrica, transportes, e por aí vai. Precisamos de historiadores, pensadores, biólogos, antropólogos, todos atuando de forma transdisciplinar para construir/ consolidar um novo paradigma de desenvolvimento e prosperidade social. Sem esquecer da infraestrutura, claro.

    EM TEMPO - Por fim, não lhe parece estranho que o Brasil continue de costas para a Amazônia?

    Nelson Azevedo - Pior do que ficar de costas é ficar de cócoras, e só se movimentar quando as pressões internacionais aumentam. Se assim não fosse, o Brasil não colocaria o Amazonas entre os cinco estados que mais recolhem tributos federais. Essa riqueza, gerada com apenas 8% de contrapartida fiscal, deveria ser aplicada na região, por conta de uma determinação constitucional.

    Se assim fosse feito, em menos de 10 anos, nós teríamos condições de colocar o Brasil entre as nações mais desenvolvidas, com baixa emissão de carbono, altas taxas de empregos e com capacidade de produzir riqueza duas vezes maior que a do agronegócio. Essa estimativa se baseia em cálculos de instituições nacionais e estrangeiras, da mais alta respeitabilidade.

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