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    Comércio


    Com queda nas vendas, economistas antecipam declínio no comércio do AM

    Em novembro de 2020, as vendas do comércio varejista amazonense tiveram queda de 1,2%; além disso, o primeiro trimestre de 2021 pode ser crítico para os comerciantes com o fechamento das lojas devido à pandemia

     

    | Foto: Lucas Silva

    Manaus –  Com a prorrogação do fechamento do comércio não essencial no Amazonas até o dia 31 de janeiro, em função da pandemia, o setor comercial passa pelos primeiros 19 dias do ano prejudicado. Mesmo com o saldo positivo de 7,1% nas vendas de 2020, com a chegada do fim do ano, em novembro, uma queda de 1,2% passou a ser observada, segundo dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Economistas e lojistas preveem um primeiro trimestre de perdas para o segmento em 2021.

    O resultado do levantamento do IBGE demonstra uma desaceleração no setor entre setembro, outubro e novembro do ano passado -  setembro com 2,1%, outubro 1,7% e novembro 1,2%. Ao comparar novembro de 2020 com o mesmo período de 2019, o comércio amazonense cresceu 9,6%, mesmo assim, o declínio no cenário de vendas se faz realidade com a paralisação das atividades.

    Segundo o comerciante varejista de confecções Valdir Mahmoud, proprietário de uma loja no centro de Manaus, o fechamento do balanço de 2020 não foi positivo. As vendas de sua boutique tiveram uma retração de 40% em relação ao balanço anual de 2019. Com a paralisação dos estabelecimentos no início da pandemia por mais de 100 dias, ele teve que lidar com os efeitos negativos, buscando equilibrar as contas para ter um final do ano mais otimista.

    “O resultado ficou muito aquém do esperado, devido principalmente ao fechamento precoce do comércio nas principais datas do ano, como Natal e Ano Novo. Ao invés de fechar tão cedo, algumas restrições poderiam ter sido feitas para funcionamento no período. Apesar da reabertura, o setor já havia sido afetado, e muito, com os resultados que anteriormente tinham uma perspectiva baixa”, pondera o comerciante.

    Para 2021, Mahmoud conta que é difícil fazer uma previsão diante do início de ano conturbado e com os resultados do ano passado. “Todas as perspectivas ficaram nebulosas ao começar o ano com o fechamento do comércio, diante do pico elevadíssimo da pandemia. Estou sem parâmetro total para criar uma expectativa, agora ou após esse cenário. Com o déficit do final do ano, concentramos contas e já temos acúmulo com fornecedores, funcionários, impostos, entre outras despesas”, desabafa.

     

    Através do auxílio emergencial, a economia foi aquecida em Manaus
    Através do auxílio emergencial, a economia foi aquecida em Manaus | Foto: Lucas Silva

    Influência do auxílio

    Apesar do fechamento dos estabelecimentos comerciais no ano anterior, durante o primeiro pico da pandemia em Manaus, com a reabertura, a economia foi reaquecida através do auxílio emergencial. Pelo menos, essa é a avaliação que o lojista Omar Ibrahim faz do ano passado.

    “A partir da reabertura do comércio e da liberação do auxílio emergencial, as vendas foram positivas e impulsionadas em 2020, se comparado com o ano de 2019. No meu setor, de vestuário, tivemos um crescente de quase 100%. Porém, para 2021, além de vivermos no pico da pandemia, o auxílio acabou e as pessoas estão mais cautelosas em gastar o pouco que tem, e, certamente, estão dirigindo suas verbas para o essencial, como alimentação e remédios”, avalia o lojista.

    Balanço dos especialistas

    De acordo com o economista Ailson Rezende, 2020 chegou ao fim deixando uma expectativa otimista para as atividades econômicas do novo ano. Contudo, a queda será desastrosa para os primeiros três meses. “O setor comercial de Manaus apresentou resultado positivo em dezembro, comum para a época do ano, mas deve amargar perdas no primeiro trimestre de 2021. Primeiro pelo fim do auxílio e depois pelas restrições de funcionamento dos setores não essenciais devido ao caos no sistema de saúde que Manaus está vivendo”, analisa.

    Rezende ainda ressalta que o fim do auxílio irá resultar em uma desaceleração da atividade comercial em todo o país e, consequentemente, no Amazonas. Vivenciando outro pico da pandemia, ele diz que o setor comercial vivenciará grandes perdas, sem expectativa de recuperação a curto prazo.

    De semelhante perspectiva, o economista Origenes Martins prevê um impacto negativo nos próximos meses, mas alonga a projeção para todo o primeiro semestre.

    “O setor comercial, em 2021, assim como todo o setor de serviços, deverá ter dois momentos específicos. O inicial, equivalente ao primeiro semestre, que vai sofrer todas as consequências destes momentos que estamos vivendo, principalmente no caso de Manaus, onde as medidas restritivas estão provocando uma projeção de queda. Já no segundo semestre, a iniciativa privada e até mesmo as possíveis medidas tomadas com o poder público levarão à recuperação do setor terciário e, logicamente, uma retomada da economia como um todo”, anseia Martins.

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