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    Economia


    Dólar fecha em alta após preocupação econômica ofuscar alívio com EUA

    Depois de ter reduzido a alta sobre o real com a decisão do banco central americano de manter inalterado o juro básico dos Estados Unidos, o dólar voltou a ganhar força no final da sessão desta quinta-feira (17) e fechou com valorização de mais de 1%.

    O dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, encerrou o dia em alta de 1,25%, cotado em R$ 3,883 na venda. A moeda, que de manhã havia atingido a máxima de R$ 3,909, registrou mínima de R$ 3,835 após a decisão do Federal Reserve, mas logo retomou o fôlego. Também é o maior valor desde 23 de outubro de 2002, quando valia R$ 3,910 (ou R$ 6,62 hoje).

    Já o dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou antes do anúncio de política monetária nos EUA, com alta de 1,58%, para R$ 3,885. É o maior valor desde 23 de outubro de 2002, quando valia R$ 3,901 (ou R$ 6,60 hoje, após correção inflacionária).

    "Houve um alívio momentâneo no câmbio com a decisão do Fed, mas logo o mercado se deu conta que nosso grande problema é interno", disse Paulo Petrassi, sócio gestor da Leme Investimentos. "O ajuste fiscal proposto pelo governo tem algumas medidas com grandes chances de serem barradas no Congresso, como a volta da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira], o que é negativo", completou.

    Para Marcio Cardoso, sócio-diretor da corretora Easynvest, a deterioração dos cenários político e econômico no Brasil devem continuar pressionando o dólar para cima. "Todos os dias tem uma nova notícia sobre desentendimento entre as várias áreas do governo. Não há segurança para investir", afirmou.

    Sobre a decisão do Fed, Cardoso disse que a manutenção do juro já era esperada. "Tem uma lógica no discurso dela, mas está claro que, mesmo que venha um aumento ainda neste ano, o processo de aperto monetário será gradual, lento, até porque a inflação vai demorar para chegar na meta da autoridade monetária americana."

    Ignácio Rey, economista da Guide Investimentos, acredita que a alta dos juros nos EUA deve ficar para dezembro. "A decisão desta quinta-feira mostrou um Fed mais paciente e preocupado com o cenário internacional. Além disso, a queda do petróleo e de outras commodities derruba a inflação americana. Então, apesar de a economia estar mais forte, o Fed pode se manter paciente", disse.

    Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, a presidente do Fed, Janet Yellen, não descartou uma elevação do juro americano já na próximo reunião da autoridade, que ocorre nos dias 27 e 28 de outubro. "Em qualquer reunião, o comitê pode tomar a decisão e isso, certamente, inclui outubro", afirmou.

    Os juros futuros nos EUA mostram chance de 22,7% de aumento da taxa de juros americana em outubro, contra 41% antes da decisão desta tarde. A probabilidade de isso acontecer em dezembro caiu a 49%, ante 64% apontados pela manhã.

    Crise brasileira

    Reportagem do jornal "Valor Econômico" publicada nesta quinta-feira afirmou que o Instituto Lula e o PT (Partido dos Trabalhadores) estão formulando uma política econômica para flexibilizar as políticas fiscal e monetária, estimulando assim o crescimento do país nos próximos anos.

    A ideia do projeto seria abandonar o ajuste fiscal em curso e reduzir a taxa básica de juros (Selic) "na marra". O Instituto Lula, no entanto, divulgou nota durante a tarde negando a proposta de mudança na política econômica do país.

    As incertezas econômicas têm elevado o clima de aversão ao risco entre os investidores, encarecendo o dólar. Por isso, o Banco Central do Brasil segue vigiando de perto a volatilidade da moeda americana.

    Nesta quinta-feira, a autoridade deu continuidade à rolagem de swaps cambiais para estender os vencimentos de contratos previstos para o próximo mês. A operação, que tem sido feita diariamente, equivale a uma venda futura de dólares.

    "O BC pode fazer novos empréstimos de dólar com compromisso de recompra no futuro em operações pontuais, sempre quando o avanço da moeda for exagerado. Mas a autoridade tem deixado a cotação bastante livre, o que é bom", disse Petrassi, da Leme.

    Zero a zero

    No mercado de ações, o principal índice da Bolsa brasileira fechou esta quinta-feira estável, aos 48.551 pontos. O Ibovespa chegou a subir 1,73% após a decisão do Fed, mas perdeu força, acompanhando as Bolsas de Nova York.

    A queda da Petrobras, na esteira de nova baixa nos preços do petróleo no exterior, segurou o desempenho do índice. Os papéis preferenciais da estatal, mais negociados e sem direito a voto, perderam 3,44%, para R$ 7,86 cada um. Já os ordinários, com direito a voto, cederam 2,11%, para R$ 9,28.

    Na contramão, a Oi liderou as altas do Ibovespa. A operadora de telefonia está realizando um processo para converter ações preferenciais em ordinárias, o que gerou volatilidade nos preços de seus papéis.

    Por Folhapress

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