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    Economia


    Preço do cupuaçu sobe 150% a partir de abril

    Um dos fatores que devem contribuir para o aumento no valor do produto é o término do período da safra - Ione Moreno

    Consumidores da capital amazonense têm reclamado da dificuldade para encontrar o cupuaçu em estado natural nas feiras e mercados da cidade. Segundo eles, os feirantes praticamente não vendem o fruto em si, que custa em torno de R$ 3 a unidade, para comercializar a polpa, que sai a R$ 8 o quilo, mais do que o dobro do produto in natura.

    Para piorar a situação, o preço do cupuaçu em polpa deverá sofrer um reajuste de quase 150% a partir do próximo mês de abril. Segundo os vendedores, o quilo da polpa do fruto deverá passará a custar, aproximadamente, R$ 20.

    Segundo eles, um dos fatores que devem contribuir para o aumento no valor do produto é o término do período da safra, previsto para o mês de abril. Conforme a comerciante da feira da Panair Rosa Teixeira, 67, o cupuaçu está no período de safra, quando o fruto é produzido em abundância.

    “Temos um período que falta o produto. A gente compra, mas vem em um preço muito caro. Então, temos que repassar os custos”, conta Rosa.

    A feirante Marlene Guerra, 57, da feira Municipal da Manaus Moderna, Centro, explicou que o cupuaçu está em plena safra e com um valor de comercialização abaixo do preço. Segundo ela, os consumidores podem comprar o produto em valores que chegam a R$ 8.

    Marlene Guerra afirma que, no mês de março, o produto começará a faltar, mas que em abril ficará ainda mais escasso. “Os comerciantes maiores, que têm condições, armazenam o produto em frigoríficos. Os pequenos compram conforme aparecem”, revela a feirante.

    Marlene Guerra destaca que, apesar do preço dos produtos naturais estarem bastante baixos, as vendas diminuíram quase 80% em comparação ao mesmo período do ano passado. Ela afirma que as vendas melhoram nos fins de semana.

    Abundância temporária

    De acordo com o feirante Jarles Pereira, 28, da feira da Banana, localizado no Centro, o cupuaçu - que vem dos municípios do Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus) -, está no período de safra, fator esse que faz o fruto estar em abundância e deixa o preço em valores razoáveis que passam a ser comercializados em alguns locais pelo preço médio de três unidades por R$ 10.

    Pereira explica que o cupuaçu começa a faltar a partir do mês de março. Segundo o feirante, atualmente, ele consegue vender entre 12 a 15 sacos do produto diariamente. “Já o quilo da polpa do produto é comercializado a R$ 8 e o fruto pode ser encontrado a partir de R$ 5”, salienta o feirante

    Produção

    De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), no ano de 2015, a produção de cupuaçu chegou a 11,5 milhões de frutos na região. O principal produtor do fruto é o município de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus) e a localidade de Novo Remanso, com uma produção de 4,2 milhões de unidades.

    Doença

    Conforme os técnicos do Idam, a cultura do cupuaçu se mantém no Estado. No entanto, mudanças climáticas podem ocasionar perdas na floração e desenvolvimento dos frutos.

    Além disso, a vassoura-de-bruxa (principal doença que atinge o cultivo do cupuaçu) afeta alguns plantios, causando prejuízos econômicos. O serviço de Extensão Rural, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), tem divulgado e incentivado a adoção de novas variedades resistentes a vassoura-de-bruxa, que é considerada uma alternativa de renovação dos pomares infestados com a doença e para expansão da cultura no Amazonas. O cupuaçu, ou Theobroma grandiflorum, como é conhecido por pesquisadores, é da família do Sterculiaceae, parente próximo do cacaueiro.

    Henderson Martins

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