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    Economia


    Lisboa, o novo destino profissional dos amazonenses

    Classificada como a “Miami” da Europa pelos brasileiros, a capital portuguesa tem atraído pessoas do Amazonas que buscam conquistar um 'lugar ao sol' - fotos: Divulgação

    Morar fora do país sempre foi um dos sonhos de vários amazonenses. Seja para estudar, trabalhar ou até mesmo driblar as crises econômica e política que o Brasil atravessa, a vontade de viver em uma outra nação e com costumes totalmente diferentes para buscar um novo destino profissional está na rota de quem vive por aqui.

    Atualmente, um dos destinos mais procurados pelos amazonenses é Portugal, mais especificamente Lisboa. Pessoas de todas as classes sociais encontram, em solo luso, um local mais seguro e com melhores chances para adquirir conhecimento e construir uma excelente carreira no mercado de trabalho.

    Qualificação

    Atualmente, um dos destinos mais procurados pelos amazonenses é Portugal, mais especificamente Lisboa

    De olho na melhoria de sua qualificação profissional, o professor de física Marcel Braga chegou às terras lusas em fevereiro de 2012. “Vim fazer um doutorado no ensino da Física. Entretanto, em 2014, entrei em regime de cotutela com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, onde realizei parte da minha pesquisa entre 2014 e 2015”, conta.

    Ainda de acordo com Marcel, há várias motivações para sua ida para Portugal. “Do ponto de vista acadêmico, foi para ter uma proximidade com outra realidade dentro dos fenômenos educacionais, em outras palavras, ter uma noção do cenário pedagógico nas escolas públicas em Portugal, e assim, compreender melhor as principais diferenças com o nosso sistema”, esclarece.

    Pessoas de todas as classes sociais encontram, em solo luso, um local mais seguro e com melhores chances

    Marcel conta, ainda, que precisou “ralar” um pouco para chegar e permanecer no país luso. “Houve uma fase em que eu precisei correr atrás de uma bolsa de estudos. Consegui por meio da obtenção do estatuto de igualdade de direitos políticos e civis portugueses. A luta foi grande, teve carta, na época, até para a ex-presidente Dilma Rousseff e vários ministérios, além do governo português. A carta foi baseada no Tratado de Porto Seguro, de cooperação científica e cultural entre os países, justificada pela falta de reciprocidade no tratamento de concessão de bolsas”, relembra.

    Mais conhecimento

    Morando em Portugal desde agosto do ano passado, a jornalista Débora Holanda se mudou com o marido para o país em busca de estudo. “Nós viemos fazer mestrado. Cursamos comunicação, cultura e tecnologias da informação no Instituto Universitário
    de Lisboa”, conta.

    Débora e o marido fizeram uma reserva de dinheiro para uma temporada de, aproximadamente, seis meses. “Depois desse período teríamos que trabalhar para nos mantermos aqui, pois nossa vinda para cá era motivada apenas pelo mestrado, não tínhamos nada certo. Mas, graças a Deus, tive sorte e consegui emprego na minha área”, afirma.

    De acordo com Débora, o mercado de trabalho na “terrinha” tem algumas dificuldades. “É bem mais difícil se você não for português e não tiver o visto de trabalho. O mercado é bem protecionista quanto à contratação de estrangeiros, barreira que somada à burocracia, que consegue ser pior que no Brasil, dificulta bastante, principalmente para quem vai certo de que vai conseguir um emprego”, enfatiza a jornalista.

    O casal fez planos de ficar em Portugal somente até o fim do mestrado, que encerra no próximo ano

    O casal fez planos de ficar em Portugal somente até o fim do mestrado, que encerra no próximo ano. No entanto, segundo Débora, tudo pode mudar, dependendo de como os dois estiverem na época.

    O custo mensal para viver em terras portuguesas, de acordo com Débora, pode ficar entre 900 e 1,2 mil euros. Os gastos variam conforme a moradia, se for estudante, sozinho ou casal. “Mas o custo de vida é bem tranquilo, dá para fazer muito com pouco dinheiro e ter uma qualidade de vida ótima”, destaca, ao ressaltar a felicidade que sente em morar na Europa.

    Alyne Araújo

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