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    Economia


    Mercado está com ‘maré baixa’ para engenheiros

    Contratações nos canteiros de obras registraram queda por conta da crise econômica - Márcio Melo

    Com um salário que pode ser um dos mais altos entre as demais profissões, a carreira de engenheiro, que já foi uma das mais requisitadas, até pouco tempo, no país todo, passa por um momento de dificuldades no Amazonas. A “maré baixa” é reflexo do cenário de retração econômica e da redução o número de contrações a mão de obra no Estado.

    O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), Cláudio Guenka, explica que o mercado de engenheiros no Amazonas passa por um momento “turbulento”.

    Segundo ele, essa turbulência é mais notada na área da construção civil, que teve uma estagnação, até por conta de empreendimentos habitacionais que deixaram estoque e levaram à desaceleração do crescimento do mercado imobiliário. Por sua vez, essa retração trouxe um desemprego em massa na cadeia da construção civil como um todo, afetando diretamente os engenheiros e técnicos do Estado.

    Entretanto, Cláudio Guenka afirma que os empresários da construção civil começaram a aprovar projetos, já se preparando para um novo momento, com sinalização positiva para a retomada da economia.

    Houve queda de emprego no mercado voltado para a engenharia no setor industrial local - Ione Moreno

    Indústria

    No entanto, segundo ele, o cenário de crise política tem causado insegurança no mercado. Além da construção civil, a baixa procura por profissionais da área de engenharia também é percebida nas empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), que sofreu um desaquecimento, afetando, ainda, o mercado voltado para a engenharia no setor industrial local.

    “Ainda é prematuro dizer que o mercado está voltando a ficar aquecido. O que percebemos é que há uma melhora”.


    Crise afeta contratação no Estado

    De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon-AM), Frank Souza, a crise econômica afetou o processo de contratações de engenheiros no mercado amazonense.

    Ele explicou que obras têm um ciclo determinado, e como, em sua grande maioria, não se estabeleceu uma renovação, houve uma diminuição.

    Leia também: Na contramão dos dados nacionais, empregos e atividades da construção civil crescem no AM

    “Em 2016, teve uma diminuição no número de lançamentos. Em, 2017, já há uma melhora em relação ao ano passado, mas não chega ao nível que era em 2011, 2012 e 2013”, diz o presidente do Sinduscon-AM.

    Nos anos relativos de 2000 a 2013, Souza explica que faltava mão de obra, tanto de engenheiros, como de serventes, pedreiros e instaladores, porém, como as obras foram concluídas e não foram apresentados novos lançamentos, houve retração na contratação.

    “Mas o mercado já deslumbra dados positivos em relação a 2016 e já registra um crescimento de 26% no setor de construção neste ano”, diz o empresário.

    O mercado de trabalho para engenheiros está diretamente associado ao desenvolvimento da economia - Antônio Cruz/ABr

    Perda de 40 mil empregos diretos

    Para o engenheiro mecânico, especialista em engenharia econômica e consultor na área da indústria, Raimundo Lopes, 70, o mercado de trabalho para engenheiros está diretamente associado ao desenvolvimento da economia. Segundo ele, o que se observa é que em um momento de crise, em que os investimentos estão reduzidos, houve redução no mercado de trabalho, como um todo, de 30%, com a perda de quase 40 mil empregos diretos.

    “Se considerar que a cada emprego direto, é gerado outros cinco diretos para diversos setores da economia, tivemos mais de 250 mil perdas de empregos”, avalia o especialista.

    Lopes explica que houve queda grande no mercado de trabalho de engenharia, não apenas na indústria diretamente, mas nos serviços que são realizados no apoio da atividade industrial como um todo. No setor de serviço, segundo Lopes, houve uma queda maior e deve ser o último a se recuperar.

    De acordo com o engenheiro, há uma tendência de crescimento a partir do segundo semestre, porém, segundo Lopes, o setor de construção civil ainda deverá demorar a se recuperar, o motivo seria o estoque de produtos. A expectativa, segundo o engenheiro, é que a partir de 2018, o setor vislumbre um crescimento.

    Segundo o engenheiro, até 2014, o mercado se comportou bem, ele explica que as grandes obras não foram as maiores empregadoras, Lopes frisa que quem mais contrata mão de obra são as pequenas empresas.

    “As empresas que trabalham no setor habitacional, as que fazem as pequenas obras para a prefeitura, governo do Estado e setor industrial são as grandes contratantes”, afirma o especialista.

    Henderson Martins
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