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    Economia


    Em tempos de crise, reformas embalam o mercado da construção civil em Manaus

    Desde 2015 construção civil amarga crise. Para sindicato, este é o ano da retomada - Reprodução

    Em tempos de crise, não é surpresa que as famílias revejam prioridades financeiras e adiem despesas com parcelas longas em prestações.  Deixar para depois a compra de um carro, repensar a compra do eletrodoméstico novo ou segurar a compra da casa própria, são algumas das medidas tomadas pelos consumidores. Quem já tem um imóvel e queria ampliar, acabou refazendo os planos e optado por reforminhas básicas. São estratégias que valorizam  a casa e custa bem menos ao bolso.

    O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas (Sinduscon) espera uma retomada no número de vendas de novas unidades no segundo semestre de 2017. Segundo o presidente da entidade,  Frank Souza, a insegurança sobre o cenário econômico fez com que as pessoas reavaliassem os investimentos na construção civil. Souza confirma ainda uma certa “lentidão”, mas ressalta que o mercado já vive uma fase desequilíbrio.

    “A percepção que nós temos é que houve lançamentos, mas muito menores do que em épocas passadas".

    Há um certo equilíbrio dentro do contexto atual. O número de lançamentos não é exponencial, não há obras específicas de grande volume. O que temos é a continuidade de obras já existentes e obras lançadas neste ano,” explica o presidente do Sinduscon.

     

    Com menos dinheiro, consumidores amazonenses apostam em reforma - Arquivo/AET


    Essa visão é semelhante a quem trabalha na outra ponta. Empresas que prestam os serviços no canteiro de obras também observam um movimento dos seus clientes rumo à reforma. Desde projetistas a executores, os engenheiros são unânimes: em tempos de crises trabalham muito mais com reformas do que construções desde a planta.

    Com 10 anos de profissão, sendo quatro como diretor de uma empresa de projetos estruturais, o engenheiro Daniel Adolfs é responsável pelos cálculos matemáticos e pelas plantas levadas para os canteiros de obras. Ele confirma: entre 2015 e 2016, período mais grave da crise, a demanda por projetos de reestilização ultrapassou 60% do serviço. E não apenas no setor residencial. Empresas são os principais clientes das “reforminhas”.

    “Uma reforma diminui muito o custo de base da obra. Estrutura, fiação, coisas que seriam apenas o ‘suporte’ da construção, são economizadas. Isso corresponde a cerca de 30% de todo o orçamento. Dessa forma, em condições normais, mesmo uma grande reforma custa, no máximo, 70% do valor de um novo empreendimento”, diz o engenheiro.

    É consenso: construir sai bem mais caro - Márcio Melo


    Se o número de projetos de reforma cresceu, a execução também refletiu essa preferência. Dono de uma construtora, Jean Bertoldo conta que viu os contratantes sumirem entre 2015 e 2016. E confirma a preferência por pequenos reparos.

    “Durante este período, tivemos muito mais demanda por pequenas intervenções internas em residências. Troca de forro, mudanças de revestimento em banheiros e cozinha, foram os principais serviços que executamos. Mas estamos percebendo que a situação começa a melhorar”, afirma.


    Bertoldo ressalta a melhoria do movimento nos primeiros meses de 2017, mas ressalta que ainda não se pode chamar de crescimento.

    “O que temos é uma retomada do mercado que reduziu exponencialmente nos últimos dois anos. Aos poucos, estamos retomando o patamar do mercado quando começou essa queda. Este período do ano, com o verão amazônico chegando, é a época propícia para essa melhora”, explica o engenheiro.

                            Materiais de construção estão mais baratos nesta época - Diego Janatã/Arquivo AET


    Economizar é a palavra atual, segundo o arquiteto responsável por erguer prédios de uma rede de supermercados amazonense, que realizou grandes investimentos nos últimos dois anos, mas no momento tem como estrategia, não mais a construção, mas a revitalização de obras já construídas.

    "A empresa analisou prédios que estavam ociosos no mercado e que podiam absorver a estrutura de um supermercado, sem que fosse necessário realizar grandes intervenções. Geralmente eram galpões, que deveriam ser preparados para receber o conforto de um supermercado. Com a alternativa, a economia média chega a ser de 66%, se comparado ao valor de um novo prédio", afirma.

    Raphael Sampaio
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