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    Economia


    Trabalhar em casa agora é legal e tem vantagens

    A contadora optou pelo trabalho independente e trabalha dentro da sua casa - fotos: Michael Dantas

    A reforma trabalhista, ainda que polêmica, trouxe mudanças substanciais sobre as relações de trabalho no Brasil. Entre as principais, está a inclusão e legalização do trabalho remoto ou home office. A modalidade permite ao funcionário, dependendo da área de atuação, que execute tarefas de sua residência ou de outro local com a mesma viabilidade e estrutura.

    Antes da reforma trabalhista, o home office não existia na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas já era uma prática comum em todo o país, presente em 36% das empresas brasileiras, de acordo com pesquisa da SAP Consultoria e Associados.

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    A Confirp Consultoria Contábil levantou que, de acordo com as regras, esse tipo de prestação de serviço será feito dominantemente fora das instalações do empregador e executado com a utilização de tecnologia e de comunicação que não se constituam como trabalho externo. A realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado nas instalações do empregador não descaracterizará o regime de home office.

    Essa modalidade também deverá ser formalizada em contrato individual de trabalho, com a especificação das atividades que serão realizadas. Será possível ainda alterar o regime de home office presencial por determinação do empregador ou de comum acordo. Porém, o empregado deverá ser comunicado com 15 dias de antecedência, além do aditamento do contrato.

    André Cardoso atuou por mais de seis anos na modalidade home office

    Dois lados

    O especialista em consultoria de mercado Carlos Eduardo Oshiro diz que a mudança dá oportunidade para que mais pessoas consigam espaço no mercado. Por outro lado, a empresa economiza em custo fixo, estrutura, equipamentos, vale-alimentação ou transporte.

    Oshiro observa que, pelo lado do colaborador, aumentam as ofertas de emprego e melhora a sua qualidade de vida, uma vez que o empregado não vai perder grande parte do tempo no trânsito, onde se perde em média duas horas por dia. “Ele poderá utilizar os horários vagos para fazer coisas como ir à academia, ler um livro ou até buscar mais capacitação”, aponta.

    O especialista, contudo, ressalva a necessidade de se trabalhar com metas pré-estabelecidas, para que o funcionário entregue o resultado desejado. “Dessa forma, se gera flexibilidade para o trabalhador fazer o seu próprio horário. Os setores que mais devem utilizar a modalidade são as agências de publicidade, arquitetura, engenharia, escritórios contábeis e outros”, diz.

    ‘É um caminho sem volta’

    O economista André Cardoso atuou por mais de seis anos na modalidade home office. Ela lista como pontos positivos o ganho em produtividade, redução de tempo de deslocamento, redução de custos da empresa e do funcionário, menor nível de estresse com engarrafamento, além da melhora na qualidade de vida do funcionário.

    A contadora Maria do Carmo, optou pelo trabalho independente

    Por outro lado, aponta como negativos a sensação de isolamento, problemas familiares e queda de concentração por conta de ruídos domésticos, distrações, demandas de filhos e cônjuges. Na balança dos prós e contra, André aprova a legalização do trabalho remoto. “É mais um benefício para o trabalhador. As empresas estão testando e vendo que esse modelo funciona muito bem em determinadas áreas”, diz.

    O economista alerta que para funcionar com produtividade, o home office exige um grande autocontrole e uma dose extra de disciplina. “Disciplina para lidar com tentações como a geladeira e a TV a dez passos de distância. Disciplina para saber a hora de começar e de terminar o expediente. Disciplina para organizar o espaço de trabalho e o andamento de suas tarefas”, salienta.

    André Cardoso diz ainda que “o home office é um caminho sem volta”. Para ele, quem se antecipar na modalidade, ganhará vantagem competitiva a satisfação dos funcionários.

    Atuar a qualquer hora do dia

    Após mais de 30 anos trabalhando para grandes empresas de Manaus, a contadora Maria do Carmo, optou pelo trabalho independente. Com a indenização que recebeu da última companhia em que atuou, ele resolveu empreender na sua área de conhecimento e montou o próprio escritório contábil.

    Assim que começou com o negócio, a contadora se viu diante dos custos fixos do escritório que incluía aluguel, condomínio, internet e telefone. Ela se viu ainda diante, e das despesas como salários, alimentação e vale transporte de três funcionários. Encargos que totalizava até R$ 8,5 mil ao mês, em média. Mas a conta não fechava, com gastos maiores que o lucro.

    Foi então que Maria do Carmo resolveu fazer o escritório dentro de casa e trabalhar, sem auxiliar. Ela conta que raramente visitava as empresas clientes que são apenas micro e pequenas empresas.

    Para especialista, a mudança vai fazer bem a empregado e empregador

    Vantagem

    Segundo a contadora, atualmente o custo do escritório home office gira em torno de R$ 2 mil a R$ 3 por mês. “Um ponto forte de ter o escritório em casa é poder trabalhar a qualquer hora do dia. Um ponto fraco é que pelo fato de estar em casa, a distração acontece com mais frequência”, conclui.

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    Home office configura um trabalho e deve ser levado a sério. É importante que haja horários fixos de trabalho, incluindo o tempo de almoço, para gerar uma disciplina cotidiana que, aos poucos, se transformará em costume. Deixe as tarefas restritas ao tempo já delimitado pelo empreendedor.

    Aproveite o grande trunfo desse modelo de trabalho, como a possibilidade de limitar o horário de trabalho de maneira que seja possível dar conta de outros projetos profissionais.

    Um ambiente bem preparado é fundamental para que o trabalho flua, evitando distrações e estimulando proatividade. Caso não more sozinho, converse com as pessoas que dividem o teto com você e trace limites entre os ambientes da casa para que o expediente não seja interrompido.

    Nenhum trabalho avança quando não há alvos claros e definidos. Aqui, entram desde o planejamento de tarefas diárias, até planejamentos a médio e longo prazo, por exemplo, em relação ao faturamento que se deseja alcançar e no que esse valor será investido futuramente.

    É preciso preocupar-se com o capital de giro do negócio, como quantia de dinheiro que não deve ser mexida. O fluxo de caixa necessário para tocar um trabalho home office é baixo, pois não há muito gasto com pessoal e manutenção, mas é preciso que ele exista para suprir qualquer despesa não planejada.

    Joandres Xavier
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