Fonte: OpenWeather

    PREJUÍZO


    Piratas dos rios no AM roubam R$ 100 milhões por ano em cargas

    Cieam afirma roubos de cargas tem se tornado recorrentes e que não interesse por parte dos governos para solucionar o problema

    Roubo de carga nos rios da região aumentam | Foto: Divulgação

    Assim como acontece no cinema, piratas dos rios estão roubando o maior tesouro do Amazonas. O assalto de cargas durante o transporte aquático ou terrestre, principalmente, das mercadorias produzidas pelas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM), deixam prejuízos milionários. O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) estima que, anualmente, apenas da carga decorrente do Estado, o rombo supere R$ 100 milhões.  

    Segundo a NTC&Logística (Associação Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística) em 2016, foram registrados 24.563 casos de roubo de cargas no Brasil. Um prejuízo estimado em R$ 1,36 bilhões. Os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, juntos, somam 80,66% das ocorrências. Depois vem o Nordeste com 5,58%, Sul com 5,54% e Centro-Oeste com 3,24%. O Norte vem em último lugar como menos atingido porque registrou apenas 0,96% dos casos.

    Mesmo assim, o consultor do Cieam, Alfredo Lopes, disse que se tornou bastante comum as embarcações que saem com cargas de Manaus serem assaltados por piratas. Segundo Lopes, os mesmos estão se tornando cada vez mais sofisticados, porém, as empresas não costumam relatar para o Cieam esse tipo de detalhe, preferindo manter sigilo. “Ano passado, apenas um roubo de carga de uma empresa do polo de duas rodas, nas proximidades de Manaus, teve um prejuízo calculado em aproximadamente R$ 500 mil”, comentou.

    Os roubos acontecem em diversas regiões, tanto nas estradas quanto nos rios, principalmente, neste segundo meio. Alfredo Lopes disse que os destaques ficam por conta dos municípios de Porto Velho (RO), nas balsas que descem o rio Madeira e Belém (PA) pelo rio Amazonas. Os responsáveis são os chamados “ratos d'água” - piratas que abordam as balsas e navios.

    Leia mais: Servidores federais protestam contra reforma trabalhista e pedem que sociedade acorde

    O titular da Delegacia Especializada em Roubos Furtos e Defraudações (DERFD ), Adriano Félix, disse que no Amazonas, os casos acontecem predominantemente nos rios, por meio dessas abordagens às embarcações. Porém, o delegado destacou também que existem registros de ocorrências dentro da capital, nas áreas onde estão instaladas a maioria das empresas. “Os locais com maior ocorrências são: o Distrito Industrial, a rotatória da Suframa e a avenida Torquato Tapajós, onde já tivemos vários casos”, revelou Adriano Félix

    Falta investimento

    Lopes reclamou que o grande problema é a ausência de um balizamento das hidrovias porque quando existe esse tipo de recurso, existe a facilidade de uma pontuação estratégica com satélite, a informação circula e o policiamento também. Com essas informações é possível mapear os pontos frequentes de assalto, preparar a ação preventiva do policiamento, além de deixar a Capitania e a Marinha Mercante articulados.

    “Existe uma desarticulação grave dos órgãos federais na Amazônia. O Mapa não trabalha com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) que não trabalha com o Exército que não trabalha com MDIC. É cada um por si e Deus... na verdade Deus não fica com ninguém, porque Deus fica com pessoas unidas”, desabafou.  

    Busca de solução

    Desamparadas pelo poder púbico, as empresas estão contratando a própria segurança particular para fazer o comboio dos veículos de cargas. Dessa forma, o custo do seguro fica cada vez mais elevado e, consequentemente, o custo da mercadoria aumenta também.

    Para o mercado, a cabotagem é a grande vocação da logística amazônica e, embora tenha recursos no Plano Nacional da Logística de Transporte (PNLT), o consultor do Cieam, Alfredo Lopes destaca que não há investimentos na dragagem dos rios para evitar os bancos de areia que assoreiam como no balizamento. “Não temos a BR-319, não temos o balizamento dos rios. No frete aéreo, o Estado não reduz o ICMS de 25% e aí não tem condições. É um poder público que penaliza um segmento que dá sustentação da nossa sociedade e gera emprego para as pessoas não comerem a floresta”, finalizou. 

    Leia mais: Prefeito de Manaus pediu R$ 200 milhões ao Banco Mundial para áreas de risco e transporte aquaviário