Fonte: OpenWeather

    Editorial


    Petróleo, pedofilia e oportunismo

    Coari (rio do ouro ou brilho da água que espelha) começou a ficar famoso no Brasil com a descoberta de petróleo e gás em seu território, a 362 quilômetros de Manaus (de quem vai de avião, em linha reta), no final do século passado, quando a Petrobras plantou ali a plataforma de Urucu.
    De repente, cresceu o PIB de Coari. Mais de repente ficou enorme a sua importância política no Estado. Para lá migraram as atenções da capital do Amazonas. Era Manaus no céu e Coari na terra.
     
    Ser prefeito daquele município abençoado por Deus e bonito por natureza, era uma dádiva que só poderia ser superada pela graça de ser a mesma autoridade em Manaus ou governador do Estado.
     
    E Coari tem menos população, quer dizer audiência, isto é, voto, do que Parintins ou Itacoatiara ou o vizinho Manacapuru. E o sucesso do município subiu à cabeça dos políticos.
    Em 2001, para coroar a entrada em um novo século, o PL (partido Liberal, que depois virou PR, Partido da República) conseguiu emplacar o primeiro mandato de Adail Pinheiro, que logo renunciou (como é moda no Brasil) para não ser cassado.
     
    Desde então, Adail (hoje, em seu terceiro mandato, agora pelo PRP) e Coari têm sido inseparáveis, na riqueza e na pobreza das manchetes dos jornais, rádios e televisões brasileiras.
    Mas justiça seja feita: houve um tempo em que nem os jornais, nem as emissoras de rádio e repetidoras de televisão davam a mínima para Adail e Coari. Hoje, mais do que o petróleo e o gás, o inferno do prefeito astral mantém o município no centro do redemoinho que o devora, e os mudos de outrora viraram trombetas oportunistas de agora, soprando forte para a poeira não baixar.
     
    Tem gente tentando apagar da internet os abraços e carinhos dos momentos felizes de antigamente, mas a “rede” não esquece (nem perdoa) jamais.