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    Editorial


    Operando no vermelho

    Os governos federal, estaduais e municipais deram-se as mãos para ressarcir as empresas de transporte coletivo da enorme perda dos R$ 0,20, valor simbólico que alcançou alta cotação na bolsa de valores da política, na segunda metade do ano passado.
    Em particular, na capital do Amazonas, para ratificar o esforço oficial, as empresas postaram-se de joelhos e declararam o que se sabia, mas era calado: o capitalismo nestas plagas não sobrevive sem o Estado, isto é, sem o dinheiro do contribuinte, ou seja, todo e qualquer cidadão envolvido em relações de consumo de bens ou serviços (Estado como é notório não tem dinheiro, é, ou deveria ser, um administrador da riqueza de um povo).

    Há mais de três décadas, essas empresas, que mudam de nome, mas jamais de donos, operam no vermelho, como afirmou recentemente o presidente do sindicato patronal. Por isso, não pagam o FGTS dos trabalhadores e descontam, mas não recolhem à previdência valores significativos para o trabalhador, tolhido em seu direito de aposentadoria, entre outros benefícios.

    Mais de uma vez, o funcionamento dessas empresas foi comparado ao jogo do bicho: só o dono da banca sabe quanto dinheiro rola nesse negócio, proibido, mas tolerado até dentro de repartições públicas.

    Incomodada em sua área de conforto, até a presidente Dilma Rousseff se declarou, pressionada pelas vozes de junho, interessada em discutir a planilha de cálculo das tarifas do transporte público. Nesse nível, o “malfeito”, como gosta de suavizar a presidente, não é feito por um só malfeitor, claro.

    Nesses 30 anos, quanto dinheiro circulou no transporte coletivo? Quantas vezes Estado e município intervieram para “salvar” as empresas, não cobrando o cumprimento dos acordos assinados? E fica tudo por isso mesmo por mais 30 anos?