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    Editorial


    Operação Restauro de Manaus

    Uma boa notícia, entre as muitas ruins que desabam a cada momento sobre a cidade: a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult) divulgou, no final da semana passada, que começará, “a partir de agora”, o processo, de registro dos bens culturais de natureza imaterial da capital amazonense.


    O decreto que institui o reconhecimento desses bens foi publicado na segunda-feira 5, no Diário Oficial do Município, com base em experiências já reconhecidas em leis federal e estadual. Os bens imateriais referem-se à economia de bens simbólicos que envolvam “crenças, valores, costumes, saberes, linguagens, mitos, cantos, danças, lendas, festas, ofícios, culinária, folclore, celebrações e lugares onde se reproduzem práticas culturais, ou seja, todos os bens”, transmitidos de geração a geração e recriados “pelos mais diferentes grupos sociais em função do meio em que vivem em Manaus”.


    Em boa hora “chove” sobre Manaus essa decisão da ManausCult que não poderá cumpri-la sozinha, senão com o engajamento de todo o aparato da máquina administrativa do município, porque se trata de uma verdadeira operação de restauro de Manaus, a começar por alguns bens essenciais e “materiais”, corrompidos há muito tempo por muitas gerações de amazonenses e não amazonenses que compuseram, à sua maneira predatória, a decadência do urbanismo e da urbanidade da capital do Amazonas.


    Na Semed, por exemplo, existe um projeto de envolvimento de jovens até 15 anos com as várias expressões artísticas, que não pode ser abolido com o argumento mesquinho de que a juventude “deve estudar”, e não fazer teatro (ou música, dança, literatura etc.). Uma prática não exclui a outra. É uma tarefa e tanto. É bom mesmo que comece “a partir de agora”, pois estamos algumas gerações atrasados.