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    Editorial


    Governo ainda não se refez

    As manifestações nas ruas do país não pararam: houve suspensão do aumento das passagens de ônibus, trem e metrô, mas não redução. No encontro que manteve com a liderança do Movimento Passe Livre, antes de reunir com os governadores e prefeitos, a presidente Dilma Rousseff referiu a “inviabilidade” da tarifa zero, que do ponto de vista dos jovens “é uma questão política,não técnica”. Em seguida, o MPL considerou a Presidência (não a presidente), como registrou a imprensa, “despreparada”.

    O estado de perplexidade que tomou conta do Planalto durante toda a semana de protestos pelos R$ 0,20 (que foram “enriquecidos” com outros temas) e a demora da fala de Dilma avalizam essa interpretação: onde estava a Abin(o serviço de inteligência do governo) que não conseguiu detectar o clima de revolta se avolumando em todo o país? Grampeando o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), eventual adversário da petista que sonha com uma reeleição?

    Não existe disposição de sair das ruas. E antes que agregasse outra categoria à massa de manifestantes (a presidente em sua fala à nação afirmou que traria “milhares de médicos estrangeiros”), Dilma tentou consertar, garantindo que a medida seria provisória (o governo gosta de medidas provisórias, em qualquer sentido). Mas não admitiu que a falta de médicos no interior do país seja uma falha da política de educação que não identifica as demandas que não se ajustam ao mercado.

    O Supremo Tribunal Federal também reagiu mal à intenção da presidente de convocar um plebiscito para fazer a reforma eleitoral. Governadores e prefeitos ainda não avaliaram os cinco pontos apresentados na reunião de ontem. O governo continua perplexo. Enquanto isso nas ruas...