Sexo selvagem


Vale puxão de cabelo e palmadas na hora do sexo?

Na hora H, vale tudo? O que não pode faltar? Confira o bate-papo com especialistas da área

Quando se envolve força, tudo pode exigir mais cuidado. Veja dicas de uma profissional | Foto: Divulgação

Manaus - Se você faz parte do grupo que curte aventuras mais ousadas durante o sexo, como palmadas e puxões de cabelo, que tal conhecer mais sobre? A prática por vezes pode ser repleta de tabus, por isso o EM TEMPO entrevistou uma sexóloga por você e separou as melhores dicas. Confira abaixo e surpreenda na cama da próxima vez!

Quem conta sobre a prática do sexo selvagem, em especial o ato de dar palmadas ou puxar o cabelo é Neyla Siqueira, psicóloga e sexóloga em formação. Ela tem um perfil no Instagram (@amorsexoeafinss), onde dá dicas e comenta assuntos que envolvem sexo e relacionamentos.

Neyla Siqueiraé dona do perfil @amorsexoeafinss no Instagram, onde dá dicas sobre relacionamentos e sexo
Neyla Siqueiraé dona do perfil @amorsexoeafinss no Instagram, onde dá dicas sobre relacionamentos e sexo | Foto: Divulgação

Puxada de cabelo: como acertar sempre

Para a primeira ação, Neyla primeiro explica que os cabelos são conhecidos, pelo menos culturalmente, como instrumento de sedução. 

"Quando temos essa identificação por querer dominar o outro e se há essa possibilidade, a gente junta isso e puxar o cabelo se mostra como uma alternativa de dominação. É como se quem puxasse estivesse dizendo 'olha, você é minha'. E quem aceitou, se submetesse", afirma a psicóloga.

A profissional diz ainda que há uma linha muito fina entre dor e prazer e que é importante ter atenção. Em termos sexuais, ela exemplifica que "Maria pode ter uma tolerância maior à puxada de cabelo do que Joana".

"Nessa hora não tem outra forma, o certo é perguntar. Saber se o outro gosta, que é o primeiro ponto. Segundo é dosar essa puxada de cabelo. No menor sinal de desconforto, tem que parar. E aí vem uma dica minha: é uma questão de prática. De saber pegar. Nada de puxar pelas pontas. É extremamente ruim, dói na raiz. A pegada certa mostra quem está no comando, não machuca o outro além da conta, e principalmente não quebra os fios", orienta Neyla. 

Dicas para palmadas e tapas

Da mesma forma ela reúne o que você precisa saber na hora de avançar para palmadas, tapas, e se você gostar, quem sabe até socos nas costas e outras partes do corpo.

"Olha, sentar a mão numa pessoa na hora do sexo não é uma coisa que se faça de qualquer jeito senão você corre o risco grande de pegar um soco de volta. A premissa é a mesma em relação ao cabelo. A dica é: pergunte. Vocês já estão em um momento extremamente íntimo. Não tem intimidade maior entre duas pessoas do que a relação sexual", aconselha a psicóloga. 

Ela introduz suas dicas com o primeiro passo, que, segundo ela, é saber o peso da mão de quem está batendo e o quanto a outra pessoa aquenta.

"Eu dou como dica: fique atento ao sinal que o outro dá e às possíveis marcas. Um corpo contorcido, uma cara feia, um estalado diferente. Ainda sobre as marcas, tem que saber se é consensual deixa-las ou não. A mesma coisa é a forma de bater. Existem formas. Saber é importante porque você pode se machucar e machucar a outra pessoa. Então sem ser aquela mão mole, uma que sabe o que faz. E claro, uma forma segura de saber se a pessoa quer é quando ela pede. Aí não se preocupa, faz. E quem sabe isso até evolua para murros e socos", afirma Neyla. 

Sobre sexo selvagem 

Evoluindo para outras formas de sexo selvagem além das palmadas e puxões de cabelo, a sexóloga em formação explica também outras características de quem gosta de misturar sensações de dor e prazer. 

"O prazer sexual é algo pessoal e intransferível. Já começa por aí. Cada pessoa sente prazer de uma forma única. Por mais que sejam parecidos, são únicos. Então, hoje, a sexologia moderna conseguiu sair do paradigma de 'patologizar', de dizer que é doença, o que foge do comum, e passou a compreender a necessidade de cada pessoa, os desejos de cada uma delas. E entender principalmente o que proporciona esse prazer", afirma a especialista.

Ela cita, em seguida, algumas práticas que podem estar incluídas dentro da ideia de sexo selvagem. Uma delas é o BDSM, uma sigla para 'Bondage e Disciplina, Dominação e Submissão, Sadismo e Masoquismo'.

"Só o que precisamos saber é se as pessoas envolvidas, tanto quem está inferindo dor como quem está recebendo, são capazes de entender física e psicologicamente o que estão fazendo.  Se essas pessoas são responsáveis pelas decisões que estão tomando. E terceiro, se não é uma relação abusiva ou não consensual. Por último, se perguntar se causa risco ou problemas a outras pessoas. Respondendo a essas perguntas, se estiver tudo certo, não tem como dizer que não é saudável", afirma a profissional.

Como ocorre o prazer

Como a psicóloga disse no início, tudo o que é relacionado ao prazer pode ser muito único e pessoal. O mesmo ocorre para a explicação de como o sexo selvagem pode proporcionar prazer aos praticantes. Caso você queira saber o motivo, ela também explica.

"Quem não curte, vai dizer que é errado. Quem curte, vai dizer que é certo. Da mesma forma que as pessoas que gostam acham inadmissível não rolar um tapa ou puxão de cabelo na hora do sexo. Então cada um é cada um e precisamos respeitar. Mas é possível sim associarmos os atos de causar e sentir dor à dominação e submissão, que psicologicamente estão ligados à sensação de segurança e de proporcionar cuidados. Porém, desde que se respeite, que não haja abuso, não existe porque não ter uma sensação de maltratada. As pessoas que praticam não se sentem assim. Se esses atos são destinados a proporcionar prazer, para fazer o outro se sentir bem, então eles são bons. Se são bons, não podem ser expressos como ações negativas", defende Neyla.

Visão psicológica

Caso você queira se aprofundar na origem do desejo, a psicóloga traz também alguns pensamentos acerca disso. De início ela explica que a prática do sexo selvagem, em especial a dominação e submissão pode dividir opiniões.

"Um grupo de teóricos da psicologia mais antiga diz que isso foge do comportamento padrão e, se foge, deve ser considerado perversão. Outros dizem que não, e aí tem uma contribuição da sexologia, desses estudos mais apurados. Se está todo mundo bem, tudo certo, não tem problema", afirma a profissional.

Ela aproveita a oportunidade para fazer alguns questionamentos sobre a origem do desejo. E levanta a questão do machismo e da pornografia, por vezes sabidamente feita para o homem assistir e não para a mulher.

"Agora uma colocação minha, acredito que é importante pensar mais de onde surge essa ideia. Será que é individual ou esse prazer foi ensinado? E aí conseguimos entender até com uma visão mais sociocultural. Será que a prática do sexo selvagem não é estimulada e até ensinada como uma forma certa de prazer? A gente está aí com as conversas, indústria pornográfica, e o próprio machismo estrutural pode contribuir e muito para a submissão do outro. O prazer quando o outro é inferior a mim. É interessante pensar por esse lado também", ressalta a psicóloga. 

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