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Karateca amazonense chega à seleção brasileira pela terceira vez

Nathália Faria, com apenas 16 anos, ocupa o topo do ranking nacional da modalidade

Nathália Faria chega à seleção brasileira de karatê pela terceira vez
Nathália Faria chega à seleção brasileira de karatê pela terceira vez | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

Manaus - Do topo do ranking nacional de karatê, tanto na modalidade Kata (luta imaginária), quanto no Kumitê (luta real), Nathália Faria chega à seleção brasileira das categorias de base de karatê pela terceira vez. Desde 2016, a amazonense figura entre as melhores lutadoras do país e, pela primeira vez, vai representar o Brasil nas duas modalidades no Campeonato Sul-Americano.

No karatê desde os 8 anos de idade, Nathália está colhendo os frutos de muita dedicação e trabalho duro, que, aliados a uma disciplina invejável, a levaram ao domínio da categoria Junior (16/17 anos). A primeira tentativa foi em 2016, quando não conseguiu a classificação em nenhuma das modalidades. No mesmo ano, voltou a tentar e conseguiu o feito de ser a primeira do Amazonas a chegar à seleção.

"Venho tentando há quatro anos entrar na seleção pelo Kumitê e nunca havia conseguido. Em 2018 não participei de nenhum campeonato internacional, mas foi a primeira vez que fui campeã brasileira de Kata, antes só havia sido de Kumitê. Por incrível que pareça, entrei na seleção, mas nunca tinha sido campeã brasileira", comenta ela, entre risos. 

Campeonato Amazonense de Karatê que garantiu vaga na seleção amazonense pra disputar o Campeonato brasileiro - etapa classificatória em 2020, no Rio Grande do Norte
Campeonato Amazonense de Karatê que garantiu vaga na seleção amazonense pra disputar o Campeonato brasileiro - etapa classificatória em 2020, no Rio Grande do Norte | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

Nathália aprendeu "batendo na trave" a lidar com as frustrações e superar-se. Apesar do começo despretensioso, rapidamente identificou a afinidade com o karatê. O primeiro contato foi graças ao pai, que a levou junto com o irmão, Carlos Eduardo Faria, para assistir uma aula na academia Hien Khan, localizada no Cassam, na Vila Militar Ajuricaba, Zona Sul de Manaus.

"Comecei só por esporte e na verdade eu só queria brincar com meus amigos na pracinha, mas meu pai fazia eu vir treinar e já no primeiro dia de aula o sensei falou 'ela vai se campeã brasileira’, porque eu levava jeito, e por isso eu continuei. Sempre tive a responsabilidade de fazer bem tudo que eu tinha para fazer, tanto que no meu primeiro campeonato fui atleta revelação e campeã de Kata", revela.

Quando questionada sobre as preferências e o porquê de conseguir maior êxito na "luta imaginária", Nathália conta que no kumitê tinha "pena de bater". "Fui lutar com uma menina, dei um mae geri (chute) que ela começou a chorar e eu chorei junto porque tinha machucado a adversária, então era assim no início, no kata sempre fui um pouco melhor", conta a lutadora.

Nathália ficou na 5ª colocação no Mundial de 2019, em Budapeste na Bulgária
Nathália ficou na 5ª colocação no Mundial de 2019, em Budapeste na Bulgária | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

Desde 2019, Nathália vive uma ascensão meteórica, onde conseguiu bons resultados no Campeonato Pan-Americano junto com o irmão, além do Campeonato Brasileiro e do Mundial Escolar, em Budapeste, na Bulgária. Com apenas alguns meses do calendário esportivo decorridos em 2020, a karateca foi campeã da etapa do Brasileiro no Rio Grande do Norte, em março, e da seletiva para a seleção brasileira nas duas modalidades que disputou, totalizando quatro medalhas. Além disso, também foi campeã da Copa Caminho Suave e da Copa Amazônica.

 "Uma das coisas que o karatê mais me ensinou é não desistir. Antigamente, eu ficava muito abalada quando perdia, chorava - a gente sempre fica triste porque treina muito para isso. Participei do primeiro brasileiro, perdi, chorei e prometi que iria classificar no próximo ano - e fui junto com meu irmão. No karatê a gente sempre impôs metas, de começar e ir até o fim, até à faixa preta, onde a gente achava que era o final. As competições e as premiações foram realmente o estímulo para continuar", afirma a lutadora.

Nathália, Suelen e Junior Faria
Nathália, Suelen e Junior Faria | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

Inspirada no foco e na precisão da espanhola Sandra Sanchez, pentacampeã europeia de karatê, Nathália tem a ajuda do irmão para progredir na modalidade. Segundo ela, os dois se complementam no tatame à medida que se ajudam nas dificuldades. Com mais facilidade no kumitê, Carlos Eduardo dá dicas e as recebe, em uma relação que se estreitou no mundo da luta.

"Fazer karatê com meu irmão é uma troca, falo isso em todas as reportagens, mas é verdade. Ele tem um biotipo diferente e características que o favorecem diferentemente de mim, assim como tem coisas que eu tenho e ele não tem. É bom quando alguém tá para baixo, porque a gente consegue motivar um ao outro. Também ajudou em casa, porque a gente brigava muito, agora somos mais unidos - brigamos só um pouquinho", confessa aos risos.

 Copa Funakoshi, onde venceu também nas modalidades Kata e Kumitê
Copa Funakoshi, onde venceu também nas modalidades Kata e Kumitê | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

Pela frente, Nathália Faria espera passar tranquila pelo período do coronavírus para seguir com os compromissos internacionais. A vaga na seleção assegurou a classificação para o Campeonato Sul-Americano de 2020, que ocorre em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. Além do Pan-Americano de Monterrey, no México, que depende dos resultados, ainda disputa as finais do Brasileiro e pretende incluir a participação em uma Youth League para ajudar no currículo campeão.