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    Reabertura


    Artes marciais ganham protocolo de segurança para retorno em academias

    Academias em Manaus, que disponibilizam aulas de artes marciais, elaboram protocolos e se reinventam para retorno das atividades

    Academias se reinventam para superar prejuízos da pandemia
    Academias se reinventam para superar prejuízos da pandemia | Foto: Reprodução/ Instagram

    Manaus - A terceira fase da reabertura gradual do comércio de atividades não essenciais começa nesta segunda-feira (29). Isso significa que, após os dois primeiros ciclos, chegou a vez do retorno das academias. Nas artes marciais, por conta do nível de proximidade, alguns protocolos de segurança surgem para evitar o contágio pela Covid-19.

    O plano de reabertura do Governo do Amazonas prevê quatro ciclos, começando em 1⁰ de junho. O segundo em 15 de junho, o terceiro em 29 de junho e o quarto a partir de 6 de julho. Algumas medidas comuns, como uso de máscara, porte de álcool em gel e distância mínima são comuns onde praticam-se Boxe, Muay Thai, Jiu-Jitsu ou Karatê.

    A crise econômica provocada pela pandemia da Covid-19 interferiu diretamente nas atividades e até na manutenção de alguns locais. Outros, no entanto, se reinventaram para acompanhar as mudanças nas dinâmicas sociais. Ações como paredes de tela, aumento da circulação de ar e do espaço para o distanciamento social aparecem como tentativas de diminuir as chances de contágio.

    Karatê

    Na associação Hien Khan, localizada na Vila Militar Ajuricaba, zona Sul da capital, o mestre e presidente da Federação Amazonense de Karatê (FAK), Washington Melo, elaborou um protocolo especificando as medidas previstas para o retorno das atividades. Os treinos voltam apenas em 1º de julho, mas as especificações para comparecer no local e para garantir a segurança durante a prática estão disponíveis desde 16 de junho.

    Dentre as medidas, estão o uso prioritário de máscara para proteção individual, uso obrigatório de álcool em gel e a orientação para o não compartilhamento de objetos pessoais. "Adaptamos o protocolo de outra federação para a nossa realidade e estamos divulgando antes do retorno para que as pessoas passem a entender como vamos retornar às atividades. Vamos nos reinventar", afirma o presidente da FAK.

    Os prejuízos após quase quatro meses de paralisação ainda não foram contabilizados, mas, como na maioria dos setores, ocorrem. "Não parei ainda para enumerar, mas o prejuízo é grande", destaca o Sensei. A academia tinha aproximadamente 70 atletas, mas Washington Melo acredita que esse número deve cair para menos da metade. 

    "Eu costumo dizer que o carateca não para de treinar, mas aqueles que estavam caratecas, numa condição como essa, aproveitam para fazer outras atividades. Apesar disso, acredito que possa ter um público renovado. Muitos que ficaram na ociosidade e outros que têm compromisso com a parte competitiva do karatê vão surgir", completa.

    Jiu-Jitsu

    Na academia Aníbal Jiu-Jitsu, que está no mercado há 22 anos gerenciada pelo faixa preta do 5º dan pela Federação Internacional de Jiu-Jitsu (IBJJF), Fábio Aníbal, até as mudanças arquitetônicas acompanham essa "reinvenção". Para diminuir as chances de contágio da Covid-19, a academia aumentou a capacidade de ventilar e determinou medidas de prevenção.

    "Temos paredes de tela que proporcionam muito vento, junto com os oito ventiladores instalados para ter menos risco de contágio. Aumentamos o tatame, implementamos as medidas como álcool em gel, uso de máscara obrigatório, quimono da cor branca para visualizar melhor a sujeira. Vamos fiscalizar a higiene tanto pessoal, quanto organizacional", destaca Fábio Aníbal.

    Ele reforça que não será permitido o acesso de atletas com sintomas de qualquer enfermidade e todos terão a temperatura aferida na entrada da academia. "Como estamos falando de luta, que tem muito contato, vamos tentar nos readaptar", diz ele. 

    A Aníbal Jiu-Jitsu possui diversas filiais, inclusive com expansão mundial. Os impactos da crise financeira, desta forma, também foram com dimensões globais. A paralisação de todas as filiais foi por aproximadamente três meses e, segundo Fábio Aníbal, proporcionou danos irreparáveis.

    "O tempo de paralisação prejudicou muito a academia, eu vivo disso e as filiais nos cinco países que temos pararam. Acredito que o Jiu-Jitsu é fonte de alegria, mas as pessoas não veem o esporte como ele é. A pandemia trouxe muitas lições e uma delas é que o esporte é necessidade na vida das pessoas. Esse corte abrupto foi muito duro para todos nós que amamos o esporte", afirma.

    Muay Thai e Boxe

    O Centro de Lutas The Rock Balby, que oferece aulas de diversas modalidades, entre elas Muay Thai e Boxe, aponta que o principal impacto das medidas de segurança na academia é a redução no número de alunos. O dono e lutador, Adriano Balby, confia no bom senso dos atletas, mas ainda assim estabelece medidas de prevenção.

    "Vamos treinar com máscara, aferir a temperatura na porta, colocar avisos para não treinar com sintomas de doença e diminuir a quantidade de alunos por horário. Vou deixar os alunos cientes de que se têm sintomas de qualquer doença, é para ficar em casa. Mas vamos ter álcool em gel, além da limpeza que eu já fazia habitualmente nos equipamentos, mesmo antes da pandemia", afirma Balby.

    Como a manutenção da academia depende do pagamento aluguéis, é compreensível que os impactos da crise financeira tenham sido consideráveis. Lá, onde treinam não só atletas profissionais de alto nível, como amadores, jovens e idosos, vai passar por reformulações na dinâmica de funcionamento.

    "A gente paga aluguel do que a gente vive. Eu tinha duas academias mas tive que fechar o nosso carro-chefe, no Vieiralves, onde colocávamos cinco turmas por horário. Na outra, do Centro, vai ter que ser uma modalidade por cada hora. Vamos medir a academia e trabalhar com a disposição dos atletas respeitando o distanciamento social", destaca o lutador.