Aniversário de Manaus no esporte


Sandro Viana, medalhista olímpico, é orgulho manauara

O medalhista diz que é uma honra ser um medalhista esporte na cidade que comemora 351 anos neste sábado (24)

O atleta conta que daria mais vitórias como presentes para Manaus
O atleta conta que daria mais vitórias como presentes para Manaus | Foto: Reprodução

 

Manaus - Em comemoração aos 351 anos de Manaus, neste 24 de outubro, o atleta olímpico Sandro Vianna contou ao Em Tempo que desejaria dar mais alegrias ao esporte local como presente de aniversário para a cidade.

Ele relata detalhes da trajetória que seguiu para se tornar um Campeão Olímpico e ícone do esporte brasileiro. Sandro Viana passou por tempos difíceis para alcançar feitos esportivos,  mas com determinação, amor pelo esporte e pela cidade de Manaus, o transformaram num herói olímpico, nascido no Amazonas.

“Se eu pudesse presentear Manaus nestes 351 anos, daria um abraço apertado e desejo de prosperidade, mas vou presentar a cidade da mesma maneira que tenho feito em minha carreira, dando exemplo de força de vontade. Quero que o esporte amazonense me reconheça como um amigo. Acima de tudo, que a capital receba meu reconhecimento, pois minha cidade e meu Estado são referências para eu ser quem sou", disse o atleta apaixonado pela cidade. 

O começo da carreira

Grandes atletas iniciam no esporte ainda quando são crianças. Depois disso, são anos de treinamentos intensos, chegando ao ápice físico na juventude.

Sandro Viana começou a praticar atletismo, na juventude, na Vila Olímpica de Manaus, ainda que o esporte estivesse presente na vida dele, desde criança, com prática de basquete e natação, mas não de forma profissional.

Em 2001, aos 24 anos, Sandro foi descoberto no atletismo, por acaso. “Recebi o convite de um amigo para fazer um teste de corrida, na Vila Olímpica de Manaus. Fui participar e bati o recorde do teste. De lá para cá não parei mais", confessou o atleta que morou no bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste da cidade. 

A vontade de vencer

O atleta conta como venceu no esporte local e nacional
O atleta conta como venceu no esporte local e nacional | Foto: Reprodução

O atleta contou à reportagem que muitos falavam a ele que prática de esporte era perda de tempo, mas ele não desistiu do sonho. Em 2004, o velocista venceu o Campeonato Brasileiro e viu que poderia construir uma carreira na área.

Uma das primeiras dificuldades enfrentadas, segundo ele, foi a de ser uma esportista do Amazonas. “Dizer que eu nasci e morei em Manaus foi uma barreira que eu tive que enfrentar. Naquele tempo era tudo difícil e escasso. Manaus não era referência no atletismo, eu já tinha 24 anos, então decidi ser minha própria referência", confessou. 

Para o atleta havia naquela época havia muito preconceito. “Muitas pessoas não conseguiam aceitar que eu, da Amazônia, estava ocupando um lugar que era almejado por muitos, no Brasil. Tive que acreditar em Deus e pedir suporte a ele, para aguentar a pressão. Fiz todo um trabalho psicológico", enfatizou.

 A vontade de superação era tanta que Sandro vendeu bens para treinar em São Paulo. A escolha era arriscada, mas segundo ele, a esposa foi um alicerce para que não desistisse,estando sempre presente nas suas decisões.

"Ela esteve sempre me apoiando. Cheguei a vender até as alianças de casamento para fazer dinheiro. Em 2005 saí de Manaus para São Paulo, em busca do sonho e faturei o Bicampeonato Brasileiro".

A primeira convocação veio no mesmo ano, para representar a Seleção Brasileira Universitária, no Campeonato Mundial Universitário, realizado na Turquia. Esse foi o primeiro Torneio Internacional disputado.

E logo em sua primeira convocação e primeira disputa internacional, o atleta fez algo inédito para o país. Conquistou a medalha de bronze nos jogos. Com a notoriedade pelo feito, ele conquistou o Brasil.

Na Seleção 

Em 2006, Sandro Viana recebeu a pré-convocação para os jogos Pan-americanos e para o Campeonato Sul Americano. Em 2007, o atleta representou o Estado do Amazonas, no Pan-americano realizado no Rio de Janeiro, onde conseguiu a medalha de ouro com a equipe de revezamento, do Brasil.

A medalha de ouro carimbou, em definitivo a carreira de Sandro no esporte nacional, passando a ser respeitado por esportistas de todo o país. Entre seus feitos, também estão a conquita de oito campeonatos amazonenses de atletismo, e oito vezes campeão Norte e Nordeste.

No Grand Prix internacional de atletismo, o amazonense faturou prata na etapa Argentina e duas pratas na etapa do Chile, nas provas de 400m rasos. No Troféu Brasil, conquistou a prata no revezamento 4x100 e bronze no revezamento 4x400.

As conquistas trouxeram reconhecimento para o Amazonas. A prefeitura de Manaus convidou Sandro para anunciar o decreto que criava o "Bolsa Atleta’" para incentivar jovens promessas do esporte local.

O atleta é um dos maiores incentivadores do esporte local
O atleta é um dos maiores incentivadores do esporte local | Foto: Arquivo Pessoal

“A ajuda deu oportunidade para centenas de jovens de Manaus e colocou o esporte local em outro patamar. Tenho muito orgulho dessa temporada, porque não mudei só a vida da minha família, mas mudei a vida de muitos em Manaus”, disse orgulhoso. 

O medalhista olímpico conta que o apoio da família foi essencial para que ele seguisse em frente, apesar dos obstáculos e chegasse ao objetivo da sua vida.

“Contei com o apoio da minha família e conto até hoje. Eles entenderam o que eu estava pedindo, olharam para dentro de mim e viram que eu tinha um sonho. Nós sempre apoiamos uns aos outros e eles sabiam o quanto ser atleta era importante e me apoiaram desde o início", revela.

A caminhada para a medalha olímpica

Em 2008 chegou a um dos momentos mais extasiantes que um atleta pode vivenciar, representar a seleção de seu país em uma Olimpíada. Com a seleção, o corredor chegou em quarto lugar na prova de revezamento 4x400m. Logicamente não era o resultado esperado, mas a história olímpica dele e dos outros atletas brasileiros, na equipe, não iria parar ali.

Foi descoberto que um dos integrantes da equipe que levou o Ouro, Nesta Carter, da Jamaica, estava sob efeito de substância proibida pelo Comitê Olímpico. Deste modo, o grupo jamaicano foi desclassificado e a medalha de bronze veio para o Brasil.

A medalha olímpica chegou à equipe brasileira apenas em 2019, depois de onze anos de espera e luta judicial, finalmente veio a confirmação que o Brasil era o detentor por direito, da conquista.

O velocista manauara fala sobre como foi esse tempo de espera e o que a medalha significou
O velocista manauara fala sobre como foi esse tempo de espera e o que a medalha significou | Foto: Reprodução

“Eu costumo dizer que a medalha olímpica, onde anos depois, foi um marco na minha vida. Curou todas as dores, dificuldades, lágrimas e indiferenças. Fui um garoto pobre e humilde que jamais sonhou que chegaria tão longe, mas se eu disser que imaginei que teria que esperar 11 anos, para receber uma medalha, estaria mentindo.  Foram anos de batalhas e incertezas, mas eu sempre mantive a fé, como um caboclo guerreiro. Acreditei que Deus pudesse fazer justiça e se eu fosse digno, que ele me agraciasse com essa honra de ser um medalhista e a medalha veio. Agradeço a minha Manaus, que hoje completa aniversário, por sempre ter estado do meu lado, e  mesmo de longe, sempre ter me enviado vibrações positivas".

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