Dia da Consciência Negra


Racismo no esporte: uma luta que vai além da disputa títulos

Esportistas em todo o mundo lutam por igualdade e respeito

Neymar, Hamilton, times brasileiros e amazonense carregam histórias envolvendo racismo no esporte
Neymar, Hamilton, times brasileiros e amazonense carregam histórias envolvendo racismo no esporte | Foto: Dan Istitene- Fórmula1

Manaus - Casos de racismo mancham a história do esporte. O Dia da consciência negra, 20 de novembro, além de ser um feriado, deve ser um dia para resgate da humanidade pela luta contra o racismo. Atletas negros do mundo inteiro superam diferenças com o melhor desempenho na carreira e defendem a igualdade no esporte. 

Um dos maiores incentivadores e apoiadores da frase “Black Lives Matter”, o maior campeão de Fórmula 1 de todos os tempos, Lewis Hamilton publicou uma carta aos fãs e deixou uma mensagem de representatividade e importante papel no movimento antirracista. 

O atleta prometeu a diversificação e inclusão. A luta por mudanças continua a impulsionar o desejo de mais conquistas nas pistas. 

“Este ano fui impulsionado não apenas pelo meu desejo de vencer nas pistas, mas por um desejo de ajudar a impulsionar nosso esporte e nosso mundo a se tornar mais diversificado e inclusivo. Eu prometo a você que não vou parar de lutar por mudanças. Temos um longo caminho a percorrer, mas vou continuar a lutar pela igualdade em nosso esporte e no mundo em que vivemos”, disse aos fãs. 

De acordo com o Observatório de Discriminação Racial no Futebol, em 2018, 52 casos de discriminação racial foram contabilizados. Em todo o mundo foram 88 casos de racismo. No Brasil foram 80. 

Neymar Jr., sofreu recentemente o racismo dentro do campo. O zagueiro espanhol, Álvaro González, teria insultado de forma racista o brasileiro durante um jogo do campeonato francês. 

Neymar foi chamado de "macaco"
Neymar foi chamado de "macaco" | Foto: Reuters/ Gonzalo Fuentes

Futebol do AM

Não indo muito longe, um caso chamou a atenção durante o Campeonato Amazonense. O assistente Uesclei Regison Pereira dos Santos afirmou que foi chamado de “macaco”, entre outras ofensas racistas por torcedores do Fast.

O caso foi relatado na súmula da partida acusando parte da torcida do Fast de proferir uma série de insultos após marcação de um impedimento no final da partida. 

Entre as injúrias, palavras como ‘macaco’ e ‘senzala’ foram ouvidas pela vítima, Uesclei Regison Pereira dos Santos, e, em seguida, pelo árbitro, Weden Cardoso Gomes. 

O presidente da Asaf (Arbitros Profissionais do Estado do Amazonas) articulou um ato de apoio ao bandeira em jogo futuro. Um diretor do Fast lamentou o fato ocorrido com o bandeirinha, mas questionou a afirmação do assistente de que o autor da ofensa tenha sido realmente um torcedor do Fast, baseado-se no próprio relato da súmula, alegando que ninguém identificou realmente quem proferiu os insultos já que todos estavam virados para o campo. 

Inicialmente, por dois votos a um, o TJD-AM condenou o Fast à perda de três pontos, pagamento de multa de R$1.000 e perda de dois mandos de campo. O clube recorreu da decisão e em novo julgamento o Pleno alterou a decisão inicial.

O clube foi declarado culpado, por cinco votos a quatro, mas acabou isento da perda de pontos e mando de campo. Por outro lado, a multa foi acrescida de R$ 1 mil para R$ 3 mil. Seis julgadores votaram na sessão.

Vasco da Gama

Outro caso aconteceu com o Vasco da Gama. Enquanto os jogadores reservas estavam no aquecimento, gritos por parte da torcida boliviana chamando-os de “macacos” ecoaram nas arquibancadas do Olímpico Pátria. 

No Brasil, há diversos casos relacionados a atitudes racistas
No Brasil, há diversos casos relacionados a atitudes racistas | Foto: Reprodução/ Site Oficial do Vasco da Gama

Ouvindo os insultos racistas, os atletas se dirigiram a policiais presentes no estádio e denunciaram. Os repórteres que relataram as ofensas na transmissão da partida, também conseguiram perceber os sons que partiam das arquibancadas. Nada constou na súmula do jogo referente ao ocorrido.

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