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    Esportes


    Brasil estreia na Copa do Mundo de futebol americano

    Só nos Estados Unidos o futebol é conhecido como ‘soccer’, corruptela de ‘association’, sobrenome original do esporte (Football Association). Já a modalidade que eles chamam de ‘football’ é futebol americano para os demais países, incluindo o Brasil.

    Nomenclaturas à parte há dois fenômenos envolvendo as modalidades, o Brasil, e os EUA – o futebol americano não para de se popularizar por aqui. E o nosso futebol – britânico de nascimento, mas brasileiro devido a uma hoje surrada excelência histórica – se torna cada vez mais apreciado pelos norte-americanos.

    Há, contudo, uma grande diferença. O ‘soccer’ a que o americano assiste cada vez mais é jogado por lá mesmo, por uma lucrativa liga local de 20 times, sendo três canadenses. Já o futebol americano mais visto no Brasil também é o dos EUA. O futebol americano brasileiro cresce aos poucos, mas ainda como uma espécie de iguaria exótica.

    Tão exótica a ponto de pouca gente saber que a seleção brasileira de futebol americano estreia nesta quinta (9) na Copa do Mundo da modalidade, disputada na cidade de Canton, no estado de Ohio, nos EUA. O adversário será a França, às 14h30 (transmissão ao vivo pelo ESPN Watch).

    SEMI-AMADOR

    Até mesmo o presidente Guto Sousa, 36, reconhece que a nomenclatura, com dois adjetivos pátrios, soa esquisita: Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA).

    "Um contrassenso, né?", se divertiu o paraibano, que embarcou no último dia 5 para os EUA, como chefe de uma delegação de mais de 60 pessoas – 45 jogadores – para disputar a quinta edição da Copa do Mundo da modalidade, a partir de 9 de julho em Canton, no Estado de Ohio, onde a NFL foi fundada, em 1920.

    Sete times disputam o título, contando o Brasil e os EUA: Austrália, Coreia do Sul, França, México e Japão.

    Mesmo com um grupo de jogadores descartados pelas equipes profissionais, os americanos, claro, são favoritos. Nas duas participações anteriores, eles levantaram o troféu. O Japão venceu em 1999 e 2003, campeonatos sem participação americana.

    Segundo o técnico brasileiro Danilo Muller, cerca de 220 atletas foram observados para se chegar à lista de convocados. A confederação, com apoio de patrocinadores, vai bancar os dez dias de estadia e alimentação da delegação. Mas cada um pagou por sua própria locomoção para os EUA.

    A situação é um retrato do semi-amadorismo que praticantes do futebol americano enfrentam no Brasil, onde há dois campeonatos nacionais e algumas ligas estaduais, que crescem aos poucos.

    Em 2014, o Brasileiro, da CBFA, teve o Coritiba Crocodiles como campeão. O Torneio Touchdown, a outra liga, que tem entre os seus donos Luis Cláudio da Silva, filho do ex-presidente Lula, foi vencido pelo Vasco da Gama Patriotas.

    O Corinthians Steamrollers, ligado ao clube de futebol, é um dos times mais bem-sucedidos do Brasil. Mesmo assim, não consegue remunerar os jogadores que o defendem.

    Ricardo Trigo, 40, presidente do Steamrollers, entende que a situação pode mudar no futuro.

    "Hoje, há 580 praticantes de futebol americano filiados ao clube", conta o dirigente, que tem patrocinador para fornecimento de material esportivo e parcerias com a Secretaria Estadual de Esporte e com a Prefeitura de Campo Limpo para ensinar o jogo a crianças.

    "Um ano de time custa cerca de R$ 300 mil", conta Trigo.

    Guto Sousa, o presidente da CFBA, entende que a mudança que profissionalizará a modalidade por aqui virá com a maior exposição na mídia. Mas hoje sabe ser impensável um jogo de futebol americano de times brasileiros na TV aberta.

    "Sabemos que o produto não tem qualidade e apelo para isso, ainda mais com os jogos durando três horas. O próximo passo é a TV a cabo", diz.

    Quem quiser conferir de perto de perto em que pé está o futebol americano brasileiro atualmente pode se dirigir a Osasco neste sábado (12), onde São Paulo Storm e Gravediggers disputam a final do Campeonato Paulista, no complexo da Cidade de Deus.

    MERCADO PROMISSOR

    Uma pesquisa do instituto Ibope divulgada neste ano calcula em cerca de 3,6 milhões o número de fãs do futebol americano por aqui. Destes, 3,3 milhões afirmam acompanhar os jogos regularmente pela TV e outros meios.

    Segundo os canais ESPN, a final do campeonato norte-americano, o Superbowl, teve por aqui cerca de 500 mil espectadores em fevereiro deste ano, número alto para os padrões da TV a cabo nacional, com crescimento de 84% em relação a 2014. Segundo a rede Cinemark, 8.900 ingresso foram vendidos para salas de cinema que exibiram a partida. Muito desse número pode ser creditado à presença no jogo de Tom Brady, um dos maiores jogadores da modalidade, casado com a modelo brasileira Gisele Bündchen.

    O New England Patriots de Brady ficou com o título, ao vencer o Seattle Seahawks por 28 a 24.

    Não é à toa que a National Football League (NFL), liga profissional americana, estuda trazer para o Brasil seu jogo das estrelas, com os melhores jogadores da temporada, em 2017. O palco seria nada menos que o Maracanã.

    "Com a popularização das redes sociais e da TV a cabo, o futebol americano ganhou amplitude", afirma Guto Sousa, 36, presidente da confederação brasileira da modalidade.

    Mas foi pela TV Bandeirantes, com a voz de Luciano do Valle, morto em 2014, idealizador da introdução do esporte no Brasil, que o futebol americano entrou no país, nos anos 1990.

    "Foi assim que me encantei pelo esporte", conta Danilo Muller, 38, técnico da seleção brasileira de futebol americano.

    MARKETING DE PRODUTO

    O futebol já não é exótico nos EUA há tempos. Crianças, o praticam nas escolas. Pelé jogou pelo Cosmos de Nova York anos 1970. A Copa de 1994 aconteceu lá. O que mudou recentemente é a percepção quanto ao apelo comercial da modalidade.

    "Os americanos perceberam que o futebol estava sendo mal aproveitado como produto", diz o jornalista Paulo Antunes, 37, especialista em esportes americanos.

    O envolvimento do FBI com as investigações sobre a corrupção na Fifa não aconteceram ao acaso. Os EUA querem assegurar a lisura da mina de ouro que aprenderam a explorar.

    Antunes, que comenta jogos de futebol americano na ESPN brasileira desde 2006, estudou nos EUA do ensino fundamental à faculdade. E afirma ter presenciado o renascimento do futebol no país, em 1994. "A Copa foi o estalo", diz ele.

    A Major League Soccer (MLS), liga profissional de futebol, começou a ser disputada em 1996. Em 19 anos, saiu de antro de jogadores medianos e cemitério de latinos em fim de carreira para um torneio badalado.

    "Hoje, temos jogadores de primeira classe, como Kaká, David Villa (ESP) e Michael Bradley. Não vamos parar de crescer", diz Marisabel Munoz, vice-presidente de comunicações da liga.

    Os jogos da MLS tiveram média de 19,1 mil espectadores por jogo nos estádios em 2014 -o Campeonato Brasileiro do ano passado levou 16,5 mil pagantes a cada partida.

    Pesquisa do institutos Luker on Trends aponta o futebol como terceiro esporte mais popular entre pessoas com idades entre 18 e 34 anos, quase empatado com o basquete. Já o instituto Scarborough afirma que há 70 milhões de pessoas que se declaram fãs da modalidade no país.

    Excluindo partidas de futebol americano, o jogo entre Portugal, do melhor do mundo Cristiano Ronaldo, e EUA, na Copa de 2014, foi o programa mais assistido em todos os tempos na ESPN americana, com 27,5 milhões de espectadores.

    No último dia 5, a final da Copa do Mundo de futebol feminino, vencida pelos EUA, sobre o Japão, por 5 a 2, teve cerca de 28 milhões de espectadores, somadas as audiência da Fox e do canal hispânico Telemundo.

    Por Folhapress

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