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    Escândalo natação: 'Botinho' diz que prisão de presidente da CBDA é briga política

    Condição da piscina da Vila Olímpica reflete bem o momento atual da natação no Brasil - Janailton Falcão

    “Tudo isso é uma questão política para intimidar as federações estaduais”. Foi com esta frase que o presidente da presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos (Fada), Vitor Hugo Lopes Façanha, o “Botinho”, 60, definiu a Operação Águas Claras, realizada pela Polícia Federal, que resultou na prisão do presidente afastado da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, e de outros dirigentes, acusados de desviarem cerca de R$ 40 milhões da entidade.

    Desde 2012 na gestão da federação local, “Botinho”, formado em educação física pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e ex-nadador do Atlético Rio Negro Clube e Olímpico, conta com 12 clubes filiados e cerca de 500 atletas cadastrados na entidade, que disputam torneios do mirim ao polo aquático. De acordo com ele, o caso é uma manobra para desarticular as eleições que estavam previstas para cargo de mandatário máximo da CBDA.

    “O caso da confederação é uma ‘briga’ pela disputa da presidência da maioria dos presidentes das federações, que estão apoiando a chapa do Sergio Silva e Amin Vasconcelos, ex-presidente da Federação Baiana e de Santa Catarina de Natação, respectivamente. Eles até se desligaram de suas entidades para concorrerem. Tudo isso é uma forma de intimidar os presidentes a não votarem na chapa do Sergio Silva, que é da situação, porque a outra chapa é da oposição, que é da Federação Paulista”, explica “Botinho”.

    Segundo o dirigente, a federação apoia a chapa da situação, pois acredita que a modalidade pode se desenvolver em todo país com o conhecimento de Sergio Silva e Amin Vasconcelos. Para “Botinho”, todos vão sair ganhando, pois já existe uma proximidade com os dirigentes indicados por Coaracy Nunes há muitos anos dentro da modalidade.

    Coaracy foi preso durante a Operação Águas Claras - Divulgação

    “O Amazonas apoia a chapa deles porque acredita numa mudança com ele. Ele apresenta inovação, modernidade, além do mais, temos uma confiança e uma parceria há mais de 30 anos. Ele já conhece, interage, convive e faz parte do meio esportivo, enfim, tudo o que precisamos para ver a natação crescer. A Fada vai apoiar a chapa dele nas eleições à presidência da confederação”, garante o dirigente amazonense.

    Sobre as acusações que pairam sobre Coaracy Nunes, “Botinho” diz que isso é um caso para Justiça resolver, mas afirma que nunca recebeu nenhuma quantia financeira por parte da confederação. Ele assegura que sempre teve o apoio da entidade com material e equipamentos para as competições regionais.

    “Sobre esse desvio de verba eu não sei, mas quem tem de julgar é a Justiça, e não eu. A Fada sempre recebeu atenção através de material e nunca de dinheiro. Esse material era repassado, como: bolas, traves, tocas e passagem para o polo aquático, sendo que a natação ganhou também material eletrônico, como: laptop, cronômetros e placas eletrônicas. A CBDA sempre deu assistência nesse sentido para as competições acontecerem, com estrutura para a federação local realizar as disputas, mas verbas e repasse em dinheiro, nunca”, frisa, ao lembrar que a entidade envia 4 mil medalhas, entre prata, ouro e bronze para todas as federações estaduais para as competições locais, além de camisas para arbitragem, material de publicidade e computador.

    Escândalo não afeta calendário

    Em meio ao momento conturbado pelo qual atravessa a entidade máxima da natação do país, “Botinho” afirma que o calendário local de competições não será prejudicado. Apesar disso, ele lamenta a situação da entidade, ao citar que recentemente houve uma situação judicial semelhante na qual a CBDA foi absorvida.

    “Não afeta em nada, o único problema que poderia ter era em relação ao calendário nacional. Ainda assim, mudanças só podem ser aprovadas em assembleia extraordinária, onde nos reunimos para aprovar situações para que a natação possa seguir seu caminho normalmente. Soa estranho a CBDA ser absolvida por unanimidade, mas por meio de uma ordem judicial de São Paulo, onde está a chapa da situação, acontecer tudo isso. Eu e os outros presidentes queremos a eleição e a confederação está impedida de fazer por meio de uma ordem judicial”, lamenta “Botinho”.

    Dirigentes presos na operação

    Batizada pela Polícia Federal de Águas Claras, a operação prendeu, no dia 6 de abril, o presidente afastado da CBDA, Coaracy Nunes, acusado de desvios de recursos repassados à entidade no valor de cerca de R$ 40 milhões. Na mesma ação, também foram presos o diretor-financeiro da confederação, Sérgio Alvarenga, e o coordenador técnico de natação, Ricardo Cabral, no Rio de Janeiro. Na última semana, o ex-superintendente, Ricardo de Moura, se entregou à justiça após ser considerado foragido.

    As medidas foram expedidas pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Além dos dirigentes presos, duas pessoas foram conduzidas coercitivamente e outros 16 mandatos de busca e apreensão também foram cumpridos. Conforme informações da Polícia Federal, os acusados responderão pelos crimes de peculato, associação criminosa e fraude à Lei de Licitações.

    Paulo Rogério

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