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    Chamou palavrão, cartão amarelo: Copa Evangélica reúne 65 equipes em Manaus

    Expressões de fé são comuns na comemoração dos gols na Copa Evangélica | Divulgação

    O futebol continua sendo o esporte mais popular do planeta e consegue “adentrar” todas as camadas da sociedade. Com os evangélicos não é diferente. Tanto é que no próximo sábado (8), no estádio Carlos Zamith, será dado o pontapé inicial para a 4ª Copa Evangélica de Futebol de Manaus, que tem como diferencial algumas regras inusitadas. Na competição, não é permitido chamar palavrão e provocar o adversário. O evento terá início às 18h e a cerimônia terá a participação de bandas cristãs e apresentações de grupos de dança.

    O certame é realizado desde 2014 e, nesta temporada, apresenta números recordes, pois 65 equipes garantiram o passaporte para competição e disputarão o título do torneio, que tem quase dois mil atletas inscritos. A decisão ocorre no primeiro fim de semana de novembro, mas ainda sem local definido. O time vencedor garante vaga no Campeonato Brasileiro da União das Copas Evangélicas, que ocorre em fevereiro de 2018, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

    De acordo com o coordenador da Copa e ex-ponta direita de Fast, América e Rio Negro nas décadas 1970 e 1980, Luiz Mendes, 47, a ideia de criar a competição evangélica surgiu quando ele viajou como auxiliar técnico do Tarumã, para a disputa da Copa Rio 2013, na capital fluminense. Luiz carregou as malas do técnico do Lobo na época, Darlan Borges e na Cidade Maravilhosa pôde ver um torneio semelhante sendo disputado.

    “Quando estive no Rio de Janeiro, presenciei uma competição do gênero. Mas não uma competição qualquer, uma Copa que apresentou números incríveis e que atraía olheiros e espiões de todos os lados em busca de talentos e joias do futebol. Aqui no Norte faltava isso, resolvi trazer esta ideia para cá e deu certo. Abraçaram a competição e isso é gratificante demais para mim”, explica.

    Chamado dentro de campo de Luizinho, ele conta que chegou a ganhar dinheiro no futebol, mas se perdeu após o falecimento da mãe. Durante o rápido momento de fama, Mendes se envolveu com álcool e drogas. Ele conta que, há 12 anos, morou nas calçadas do demolido estádio Vivaldo Lima, já que chegou ao “fundo do poço”.

    “Devido ao que eu passei, eu tenho buscado resgatar vidas por meio do futebol. Temos uma área a trabalhar. Quando um jogador passa por algo semelhante ao que passei, abre um leque de frustrações no jovem. Ficar sem dar seguimento faz a juventude e alguns talentos caírem no mundo das drogas. A fase que mais está morrendo são as pessoas de 15 a 21 anos. A cidade de Manaus é hoje destacada internacionalmente como uma capital dominada pelo crime e isso nos preocupa muito. Penso que com ações como essa Copa, podemos ajudar a diminuir esses problemas, uma vez que propagamos Jesus, que é capaz de transformar a vida das pessoas, assim como fez comigo”, explica.

    Sem palavrões

    Todos os atletas e líderes de torcidas passaram por um treinamento de conduta, no qual o intuito foi conscientizar a punição com cartão amarelo, no caso de um jogador chamar palavrões tanto dentro de campo ou como suplente no banco de reservas. E os integrantes das torcidas organizadas nas arquibancadas serão expulsos dos jogos no caso de gritos indecentes.

    Não será permitido chamar palavrão e provocar o adversário | Divulgação

    “No caso de palavrão dirigido a um adversário ou integrante da arbitragem, o jogador é advertido verbalmente e se persistir, será punido com cartão amarelo ou até mesmo vermelho. Mesmo se o jogador estiver lamentando um erro próprio durante algum lance da partida e chamar palavrão, será advertido verbalmente, e em caso de reincidência, levará o amarelo”, explica Luiz.

    A competição possui um departamento próprio para julgar todas as infrações do certame. “Os mesários e arbitragens passaram por um congresso técnico para acompanhar as partidas. Um representante líder de cada equipe participa da mesa nos jogos e faz a toda a fiscalização da partida”, disse.

    Cada elenco possui 30 jogadores e, conforme Mendes, mais cinco jogadores de outros credos religiosos podem participar. “Temos uma comissão da central da copa fazendo visitas semanalmente. Também recebemos um relatório do pastor de cada igreja que comprove que o não evangélico tenha participado do culto da semana, para poder confirmar a presença no jogo. Os demais 25 evangélicos da equipe são comprovados com documento de batismo nas águas”, disse Luiz Mendes, que também
    é missionário.

    Hamilton aprova Copa

    Atualmente no Princesa do Solimões, o único time amazonense vivo no segundo semestre do futebol brasileiro e com chances de acesso para Série C, o meia-atacante Hamilton exalta a Copa Evangélica e acredita que novos talentos para as equipes locais podem surgir ao longo dos anos.

    “No início, havia o propósito de ganhar almas para Jesus e colaborar com a reconciliação de vidas. Mas, aos poucos, os organizadores dos times foram levando a disputa mais a sério e foram surgindo jogadores que podem sim ser aproveitados pelos clubes profissionais. Infelizmente, o pensamento dos dirigentes locais é de não valorizar os atletas e muitos aqui preferem o futebol amador. Mas este ano foi diferente, a conquista do Manaus foi a prova de que os atletas daqui precisam ser mais vistos”, disse o jogador.

    João Paulo Oliveira
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