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    ‘Jogar contra Barcelona e City foi um sonho realizado’, diz brasileiro desconhecido no seu país

    Atacante Raffael é um dos brasileiros mais respeitados no futebol alemão - Divulgação

    Respeitado na Alemanha e desconhecido no Brasil. O meia-atacante Raffael, do Borussia Mönchengladbach, é um daqueles jogadores que nasceram em solo tupiniquim e saíram muito cedo do país para tentar a sorte no futebol europeu. Hoje, com 32 anos, o cearense é um dos principais atletas da sua equipe, que nas últimas temporadas têm feito boas campanhas na Bundesliga, chegando, inclusive, a disputar a Champions League.

    Em entrevista exclusiva ao PÓDIO, Raffael conta um pouco sobre sua carreira vitoriosa na Alemanha, os desafios de se manter tanto tempo atuando em alto nível, a repercussão do fatídico 7 a 1 no país em que atua e a possibilidade de atuar no Brasil num futuro próximo.

    EM TEMPO- Você está caminhando para sua 5ª temporada no Borussia Mönchengladbach em quase 10 anos na Alemanha. Qual o segredo para se manter tanto tempo em destaque numa liga tão disputada como a Bundesliga?

    Raffael - O segredo é o trabalho. Procuro sempre trabalhar forte, com seriedade, para ter condições de estar preparado para poder ajudar minha equipe.

    EM TEMPO - Estamos com a janela de transferências aberta, época em que se especula muito, fala-se bastante sobre negociações. Em cima disso eu te pergunto: sua próxima temporada será mesmo no Mönchengladbach?

    R - Estarei 100% no Borussia na próxima temporada. Estou bem aqui, adaptado.

    Raffael decidiu sair do país para jogar na Europa - Divulgação

    EM TEMPO- Você é dono de números impressionantes, seja com assistências ou gols, e mesmo assim nunca chegou a ser convocado. O que você acha que pesa para você ainda não ter tido uma chance com a amarelinha?

    R - Acho que a seleção brasileira é a mais difícil no mundo para alguém ser convocado, pela qualidade dos jogadores que tem e pela concorrência, que é muito grande. É complicado mesmo ter uma chance, ainda mais na minha posição. A competitividade é enorme. O Brasil tem muitos jogadores à disposição, no mundo todo.

    EM TEMPO - Com o Mönchengladbach você disputou o principal torneio de clubes do mundo, enfrentou adversários de peso. O que passou pela sua cabeça ao entrar em campo embalado por aquela tradicional música da Champions League?

    R - O que passou na minha cabeça foi só orgulho, alegria de estar ali, vivendo aquele momento, ouvindo aquela música. Até então, só acompanhava pela televisão. Jogar contra equipes como Barcelona e Manchester City foi um sonho realizado, uma emoção muito grande.

    EM TEMPO - Como foi a repercussão na Alemanha daquele fatídico 7 a 1 dos germânicos sobre a seleção brasileira? Você chegou a ser zoado por seus companheiros de equipe?

    R - Quanto a isso, não tinha como não ser zoado. Depois de um placar tão dilatado, e justamente contra a seleção do país em que jogo, a zoação é normal, até esperava. Mas nada desrespeitoso, até porque eles sabem da nossa qualidade e da nossa história. Brincadeiras sadias mesmo. Depois de um tempo, já não passaram a encher o saco e a pegar tanto no pé.

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    EM TEMPO - Na Bundesliga, o Bayern já virou uma dinastia. Como é disputar um campeonato que pratica

    mente começa com um campeão?

    R - Nos últimos anos tem acontecido isso. O Bayern é a equipe a ser batida, que tem vencido sempre. É chato, complicado, entrar num torneio e saber que aquele time tem tudo para ser “o campeão”. Mas a gente tem que fazer bem a nossa parte, lutar para dificultar, para que nossa equipe ou alguma outra possa ter tanto ou mais destaque na competição. E temos condições para isso. Nosso elenco é bem qualificado.

    EM TEMPO- A taxa de ocupação dos estádios na Alemanha é quase que total, com estádios lotados em todas as rodadas, diferentemente do Brasil. Por que você acha que isso acontece?

    R - Acredito que seja por causa da organização, tudo funciona, o que facilita e incentiva as pessoas a irem aos jogos. E o alemão também é muito apaixonado por futebol. Não tem uma partida, independentemente se o time está bem ou mal, que os estádios não estejam lotados.

    EM TEMPO - Você iniciou no futsal, em sua terra natal, Fortaleza (CE). Passou pela base do Juventus-SP e não chegou a atuar profissionalmente no Brasil. Acha que por conta disso não chegou a ser lembrado pelos técnicos da seleção?

    R - Não vejo por esse lado. Acredito que muitos jogadores também trilharam esse mesmo caminho e foram lembrados. Como falei, é complicado ser convocado para a seleção, porque a concorrência é muito grande. Simples assim.

    EM TEMPO - Apesar de não ser um autêntico centroavante, você possui uma boa média de gols. É reconhecido por fazer todas as funções do meio para frente no 4-2-3-1. A que você atribui essa sua versatilidade ofensiva?

    R - Atribuo à boa base que eu tive no começo da minha carreira. Tanto que aqui na Alemanha já joguei de volante, de meia, atacante pelo lado do campo e, agora, estou mais à frente. Isso se deve justamente a uma boa base quando jovem, o que me ajudou muito e me possibilita a fazer várias funções dentro de campo.

    EM TEMPO - Proposta para atuar no futebol brasileiro, teve alguma? Se sim, de quais clubes? Se não, pensa atuar no seu país natal?

    R - Proposta concreta mesmo, não. O que teve foram sondagens, mas nada foi à frente. Mas não penso, no momento, em voltar ao Brasil. Mas, quem sabe, no futuro isso possa acontecer? Seria uma alegria a mais na minha carreira.

    EM TEMPO - Você sonha em voltar ao Brasil, para, de repente, pendurar as chuteiras? Até quando pretende atuar no futebol alemão?

    R - Eu tenho mais dois anos de contrato com o Borussia e, depois, ainda não pensei no que fazer. O Brasil pode ser uma possibilidade, mas, no momento, não penso nisso e pretendo cumprir esses dois anos que ainda tenho aqui.

    André Tobias
    EM TEMPO