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    Atraso


    Terceirizados da saúde do AM com salários atrasados temem demissões

    Trabalhadores dizem receber ameaças de demissão e suspensão caso façam protestos pelo atraso de salários

    Manaus - “Estou conseguindo me mante apenas com a ajuda de familiares e amigos que tem me emprestado dinheiro”, lamentou uma auxiliar de serviços gerais do Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM), localizado na avenida Camapuã, Cidade Nova 2, Zona Norte de Manaus. A funcionária, que concedeu entrevista ao Em Tempo na última quinta-feira (8), preferiu não ser identificada pois, segundo ela, alguns funcionários têm recebido ameaças de demissão. O medo de perder o único emprego deixa os trabalhadores de mãos atadas.

    Funcionários sofrem ameaças para não realizarem protestos
    Funcionários sofrem ameaças para não realizarem protestos | Foto: Divulgação

    “Não podemos nos manifestar pois eles dizem que se anunciarmos alguma greve seremos demitidos ou suspensos”, revelou a trabalhadora. Outros três funcionários do mesmo local procuraram o Em Tempo para denunciar a falta do salário. No total, 36 funcionários sofrem com o atraso salarial, que já se encaminha para o quarto mês, além da falta da última parcela do décimo terceiro salário. 

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    A empresa BDA Serviços Em Construções e Comércio de Alimentos é a responsável pelo repasse do dinheiro que vem da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam). Porém, os funcionários dizem que não recebem retorno de representantes da prestadora de serviços. “Eles só sabem dizer que o governo não está repassando o dinheiro do pagamento”, diz um dos funcionários que também se sente prejudicado.

    Os representantes da empresa BDA Serviços Em Construções de Alimentos se recusaram a dar qualquer informação à imprensa
    Os representantes da empresa BDA Serviços Em Construções de Alimentos se recusaram a dar qualquer informação à imprensa | Foto: Isabela Bastos

    Em relação ao repasse do dinheiro para a terceirizada, a Susam explica que houve um atraso na transferência de recursos federais que eram destinados à unidade, mas o problema já foi resolvido. “O pagamento da referida empresa está sendo efetuado nesta semana”, diz o comunicado oficial, divulgado na última quinta (8). A nota só faz referência ao pagamento do mês de janeiro. 

    Procurados pela reportagem do Em Tempo na sede da empresa, localizada na rua Rio Jutaí, no conjunto Vieiralves, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus, os proprietários da empresa responsável pela terceirização dos funcionários disseram que não iriam se pronunciar sobre o fato. Uma das funcionárias foi enfática ao dizer que os donos da BDA não dariam resposta à imprensa. 

    Até o fechamento desta matéria, a previsão para liberar o pagamento dos funcionários era para sexta-feira (9). 

    Outros casos

    Em janeiro deste ano, cerca de 20 manifestantes do setor de vigilância que prestam serviço para hospitais de Manaus paralisaram suas atividades. O protesto foi devido ao não pagamento de seis meses de salário, além dos benefícios dos vales-alimentação e transporte. 

    Trabalhadores da área de segurança alocados em vários órgãos do Governo do Estado estão prejudicados pelo atraso salarial e condições insalubres de trabalho
    Trabalhadores da área de segurança alocados em vários órgãos do Governo do Estado estão prejudicados pelo atraso salarial e condições insalubres de trabalho | Foto: Janailton Falcão

    Juntando trabalhadores de vários órgãos, a manifestação começou na sede da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), situada na avenida André Araújo, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul, e se estendeu até à reitoria da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), localizada na avenida Djalma Batista, também Zona Centro-Sul.

    "Estamos sem receber desde a metade de 2017. Fica difícil sobreviver no dia a dia desse jeito. Passar o Ano Novo foi um aperto e, mesmo trabalhando, temos que dar um outro jeito para pagarmos as contas. Tem gente aqui que paga aluguel. E aí? Como fica?", queixa Isael Amorim, presidente do Sindicato dos Empregados em Empresa de Segurança e Vigilância.

    Ele explica que os trabalhadores alocados em vários órgãos do Governo do Estado, como o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Platão Araújo, HPS João Lúcio, Maternidade Balbina Mestrinho, além da UEA, estão prejudicados pelo atraso salarial e condições insalubres de trabalho.

    Edição: Isac Sharlon

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