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    Donas do asfalto


    Com motos poderosas, mulheres dominam o trânsito das ruas de Manaus

    A segunda região que houve um maior avanço em adquirir habilitação para motocicleta foi a Norte. Já são 579.012 mulheres habilitadas

    O “As Amazonas MG” tem sete membros motociclistas, dentre estudantes, costureiras, mototaxistas, e todas compartilham o amor pela moto. | Autor: Carlos Oliveira

    Manaus - São vários os motivos que fazem as mulheres cada vez mais comprarem motocicletas em Manaus, seja para o dia a dia para trabalhar ou como esporte e lazer. Em vez do carro, elas afirmam que a motocicleta oferece mais aventura e praticidade. E o número de motoristas da categoria “A”, no Brasil, está ascendendo. É o que mostra o Departamento Nacional de Trânsito (Detran). Em 2012 existiam no país 4.512.755 pessoas do gênero feminino com carteira nacional de habilitação “A” e este número subiu para 6.771.933 em 2017. Agora as mulheres passam a representar 22% dos que possuem habilitação no Brasil.

    De acordo com o Detran, a segunda região onde houve uma maior quantidade de mulheres habilitadas com a carteira “A” foi a região Norte, com crescimento de 7,7%, passando de 537.405 em 2016 para 579.012 em 2017.

    O amor pelo motociclismo é tão grande que mulheres de Manaus criaram um motoclube feminino
    O amor pelo motociclismo é tão grande que mulheres de Manaus criaram um motoclube feminino | Foto: Marcio Neves


    Apesar de a maioria dos alunos serem do gênero masculino nas aulas das autoescolas, segundo a estudante de engenharia civil, Potyra de Freitas, as mulheres são muito mais focadas. “Acho que para mostrar que nós somos tão boas pilotando quanto os homens, acabamos nos concentrando mais para não errar. Na hora da prova todas as mulheres se garantiam tanto quanto eles, ou mais, durante o percurso”, relata.

    A estudante conta que sua paixão pelas duas rodas vem de berço, influência direta dos pais, que já viajaram por todo o Brasil de moto. “Meu pai já viajou sozinho de moto para o Peru. E já fizemos uma viagem em família também, de Belém para Natal há 8 anos. Eu e meu irmão em uma moto, e meu pai e minha mãe em outra. Isso despertou uma paixão em mim, principalmente pelo motocross, que é aquela modalidade de trilha”.

    Quando o assunto é preconceito, Freitas garante que nunca sofreu com isso. “Pelo contrário, na verdade, os homens costumam ficar impressionados por eu gostar tanto de moto e acham muito legal que eu pratico o motocross”.

    As mulheres passam a representar 22% dos que possuem habilitação no Brasil, em 2018
    As mulheres passam a representar 22% dos que possuem habilitação no Brasil, em 2018 | Foto: Márcio Neves

    Praticidade no trabalho

    Para a consultora de beleza Nádia Brito, o que contou muito na hora de escolher a motocicleta como meio de transporte foi a praticidade. “No dia a dia é muito corrido o meu trabalho, eu preciso me locomover muito rápido para ter uma boa produção, e a moto me traz uma maior liberdade nessa locomoção”.

    De acordo com ela, mesmo andando de moto desde os 16 anos, ela não se sente segura em transitar pelas ruas de Manaus. “Pilotava moto desde cedo, mas no interior do Amazonas, onde é muito comum as mulheres andarem de moto desde novas. Aqui em Manaus, porém, onde o trânsito é complicado, tenho medo, mas é a solução prática e econômica que encontrei”, diz.

    A estudante Potyra de Freitas tirou a carteira "A" para praticar o motocross.
    A estudante Potyra de Freitas tirou a carteira "A" para praticar o motocross. | Foto: Reprodução

    Superação em duas rodas

    Motociclista profissional, Waldesta de Oliveira é presidente do motoclube “As Amazonas MG”, e o amor pelo motociclismo é tão grande que ela se especializou em costurar para este público também. “Pilotar é um desafio muito grande todos os dias, e principalmente pilotar uma moto de alta cilindrada (NC 750 X). Muitos admiram e elogiam por se tratar de mulher no trânsito, mas infelizmente ainda há preconceito. Já passei por várias situações, mas com cautela tudo se resolve”, comenta.

    Oliveira relata que muitas mulheres procuram o motoclube porque têm curiosidade. “Elas fazem muitas perguntas, muitas têm medo e outas não conseguem pilotar, mas o mais legal é que elas nos enxergam como um incentivo para começar a pilotar motos e perder o medo”, esclarece, acrescentando que quando fundou o grupo “As Amazonas MG”, ainda era inexperiente também. “Na época quando surgiu a ideia de formar um grupo só de mulheres eram poucas as que pilotavam e eu tinha um pouco de experiência, pilotava uma XRE 300”.

    Sobre a aceitação dos motoqueiros de outros motoclubes, ela comenta que a maioria respeita muito as mulheres que pilotam motos. “Por se tratar de pilotagem e aventuras que muitos dos homens ainda não fizeram, eles respeitam bastante. Lembro que, quando cheguei a Porto Velho, fizeram uma festa por me verem pilotando e encarando a BR 319. Foi uma experiência ótima”, conclui.

    Quem quiser conhecer um pouco mais sobre “As Amazonas MG” e quiser participar, é só seguir a fanpage do grupo no Facebook.

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