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    Justiça


    Família cobra respostas sobre morte de fuzileiro em Manaus

    “Eu venci o câncer de mama, mas o câncer da impunidade eu estou perdendo”, lamenta a mãe do fuzileiro naval, Carlo Afonso, executado no dia 30 de junho de 2016, em Manaus

    O crime aconteceu no dia 30 de junho de 2016, no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus | Foto: Reprodução

    Manaus - “Ele estava vivendo um sonho em Manaus. Tinha passado para a Marinha do Brasil, tinha uma família, era vice-presidente de um Moto Clube e tinha acabado de completar 28 anos”. O relato é de uma mãe estarrecida pela dor da perda prematura de um filho. Claudete Gouvêa cobra justiça pelo assassinato do filho, o cabo fuzileiro naval Carlo Afonso Lopes Gouvêa , que foi executado com seis tiros no dia 30 de junho de 2016, no Distrito Industrial, Zona Sul de Manaus. 

    A monitora de educação infantil fez um apelo nas redes sociais onde pede por justiça e relata a suspeita da motivação do assassinato do fuzileiro. “Sei quem é o assassino do meu filho, ele veio ao Brasil só para matar o Carlo. Foi motivado por ciúme e vingança”, disse, esclarecendo que prefere não citar o nome do suspeito.

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    A mãe fez um apelo nas redes sociais onde pede por justiça e relata a suspeita da motivação do assassinato do fuzileiro.
    A mãe fez um apelo nas redes sociais onde pede por justiça e relata a suspeita da motivação do assassinato do fuzileiro. | Foto: Reprodução

    Família sem assistência 

    De acordo com Claudete, a marinha não deu nenhuma assistência social à família. “Eu li em uma reportagem que a Marinha estava prestando assistência à família do cabo. Penso que é a um cabo de vassoura, porque para mim eles não estão dando nada. A única vez que eles entraram em contato comigo foi quando meu filho foi assassinado. Para eles o meu filho só foi mais um morto, só um número na estatística”, falou.

    A mãe, que adquiriu depressão após morte do filho, conta que a nora dela, que tinha um relacionamento estável com o Carlo nunca recebeu pensão da Marinha. “Temos a ação declaratória de união estável da segunda vara de família, onde diz também que meu filho é o pai biológico do meu neto, que ele nem chegou a conhecer porque minha nora só descobriu a gravidez semanas depois da morte dele”, lamenta.  

    Crime

    O crime aconteceu no dia 30 de junho de 2016. Segundo ela. O cabo tinha acabado de sair do Batalhão de Operações Ribeirinhas, quando foi alvejado com seis tiros na rua. “O corpo do meu filho só chegou em Santa Catarina no dia 2 de julho”, comentou a mulher.

    Claudete, que mora em Santa Catarina, lutava contra um câncer de mama na época, quando soube da morte do filho em Manaus. “Eu estava em casa me recuperando de uma quimioterapia. Estava muito mal e nesse momento recebi a pior notícia que uma mãe pode receber: a de que o filho foi assassinado”, contou.

    Família pede respostas das autoridades
    Família pede respostas das autoridades | Foto: Divulgação

    Ela conta que pediu para alguns amigos de Manaus procurarem saber como está o andamento do processo.  “São informações extraoficiais, mas me falaram que já sabiam quem executou meu filho, que tinham prova o suficiente, mas até hoje ele não foi citado em nada e nem preso. Essas foram as últimas notícias que eu tive sobre as investigações”, reclama a mãe.

    Marinha

    A reportagem do Em Tempo entrou em contato com a assessoria da Marinha do Brasil para saber se a instituição tem alguma informação sobre o andamento das investigações do assassinato do cabo. Em nota, a Marinha respondeu somente que "como se trata de crime da alçada da justiça comum, as investigações foram realizadas pelos órgãos de segurança pública; o  Com9ºDN instaurou, na ocasião, uma sindicância para apurar os aspectos administrativos relacionados aos direitos pecuniários dos familiares", finalizou a nota.

    Inquérito 

    A equipe de reportagem também entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil do Amazonas, mas até o fechamento da matéria não recebeu nenhuma resposta.

    Já o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (Tjam) informou que o caso está em segredo de justiça e, por conta disso, não pode passar mais detalhes.

    Edição: Mara Magalhães

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