Fonte: OpenWeather

    Insegurança


    Estudantes ainda são assaltados na porta de instituições de ensino

    Com a aproximação do ano letivo, aumenta a tensão de pais e estudantes; principal objeto roubado é o aparelho celular

    O aparelho celular é o campeão entre os objetos levados | Foto: Divulgação

    Você provavelmente conhece alguém que já foi assaltado na entrada ou saída de escolas ou universidades em Manaus! A rotina de quem precisa estudar todos os dias têm amedrontado pais e estudantes que precisam chegar ao seu destino sem sofrer esse tipo de crime. Alé disso, o medo se torna mais intenso com o início do ano letivo previsto para fevereiro de 2018. Alguns dos crimes são cometidos na porta de entrada das instituições e os celulares são os principais alvos dos bandidos, que geralmente usam motocicleta para escapar mais rápido. Mesmo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) disponibilizando efetivo militar, está cada vez mais difícil de coibir ações deste tipo.

    Uma estudante de 17 anos, que prefere não ter o nome divulgado, diz que já foi assaltada três vezes dentro da escola. Ela conta que em duas ocasiões ficou sob a mira de uma arma. "Na primeira vez, eu nem imaginava que iria ser assaltada. Todos os dias eu enfrento o assédio de homens mexendo comigo nas ruas enquanto estou indo para escola ou para qualquer outro lugar. Me assustei quando ele puxou meu cabelo e me chamou de vadia ordenando que eu entregasse o celular", conta a jovem.

    Segundo a estudante, a Escola Estadual Fueth Paulo Mourão, na qual estudava quando foi vítima de roubo pela primeira vez, está situada na Zona Oeste de Manaus, ao lado de uma vila militar. "O exército faz a segurança da vila, mas a da escola é de competência do Estado. Eu até via policiais militares às vezes na portaria, mas nunca foi suficiente. Não só eu, como também os outros estudantes, já fomos vítimas de assalto nessa escola", denúncia a estudante.

    No dia 4 de janeiro deste ano, a mesma escola foi palco de um assalto, quando uma dupla armada entrou na unidade de ensino e rendeu funcionários e pais de alunos que estavam no local para rematrícula dos filhos. Segundo o agente de portaria José Carlos, de 50 anos, a ação aconteceu rapidamente e ele não teve como se defender. “Eles nos surpreenderam e eu não imaginava que iam fazer algo assim”, conta. Ainda segundo o porteiro, não foi possível ver o rosto dos assaltantes, pois eles usavam blusas com capuz, que escondia partes dos rostos.

    Mudança de escola

    Uma tentativa de assalto a uma estudante de 14 anos, de uma escola da rede municipal de ensino, também na Zona Oeste de Manaus, foi relatada ao Em Tempo pela mãe da vítima, a dona de casa Jussimara Santos, de 32 anos, que, por conta da violência nos arredores da instituição, decidiu trocar a filha de escola.

     "Ela estava na saída da escola, quando uma moto com dois homens armados parou e pediu o celular", conta mãe de uma vítima
    "Ela estava na saída da escola, quando uma moto com dois homens armados parou e pediu o celular", conta mãe de uma vítima | Foto: Divulgação

    "Ela estava na saída da escola, quando uma moto, com dois homens armados, parou e os assaltantes pediram o celular. A sorte é que passou um conhecido nosso de carro, eles se distraíram e ela conseguiu se esconder dentro de um mercadinho próximo à escola", afirmou a mãe da menina. 

    Leia também: Em Tempo cria lista de transmissão de notícias pelo WhatsApp

    Depois disso, a dona de casa conta que o esposo passou a deixar e ir buscar a jovem sempre que possível e que, neste ano, transferiu a filha para uma escola em um bairro onde ofereça mais segurança.  

    Em outra escola pública, localizada no bairro São Lázaro, Zona Sul de Manaus, outro assalto envolvendo também uma estudante de 14 anos é denunciado pela mãe da vítima, Núbia Cazemiro, de 32 anos. Ela lembra que o crime ocorreu no segundo semestre de 2017.

    "Ela estava chegando na escola quando um mototáxi parou e perguntou as horas. Ela então pegou o telefone para ver o horário, foi quando ele levantou a blusa mostrando a arma e ela entregou na hora. Infelizmente as câmeras da escola não registraram o momento do furto porque ela estava longe delas. Eu não fui mais fazer B.O (Boletim de Ocorrência) porque a polícia não resolve. Esses bandidos são ágeis e já estão acostumados a roubar estudantes em porta de escolas", afirma a mulher. 

    Unidades de ensino também são alvos 

    A diretora de uma escola no bairro Presidente Vargas, na Zona Sul de Manaus, que não quis se identificar, informou que antes havia muitos assaltos dentro e fora da escola. O método para a melhoria da segurança no entorno da instituição foi feito com a população do bairro.

    "Nós tínhamos um grande número de assaltos. Sempre que abríamos a escola, tinham levado algo. Era computador, cabos eletrônicos, até porque estamos em uma área considerada "vermelha". Como gestora recorri aos pais e a comunidade. O resultado, segundo ela, não foi tão bom, mas ajudou a acabar com os furtos dentro da escola. Aqui o último que tentou roubar, e faz muito tempo, apareceu na frente da escola com os braços e pernas quebradas. Isso foi resultado dos traficantes da área, já que eles também têm filhos, sobrinhos e parentes que estudam aqui. Isso não é a melhor alternativa, mas foi a encontrada pela população e que, de alguma forma, trouxe um resultado significativo para a nossa instituição, pois paramos de ter prejuízo com equipamentos", frisou a diretora.

    Policiamento 

    As escolas municipais e estaduais recebem apoio da Polícia Militar para coibir e conscientizar ações criminosas. Segundo a SSP, por exemplo, é disponibiliza a Ronda Escolar, que conta com o efetivo das 30 Companhias Interativas Comunitárias (Cicoms) - que fazem o patrulhamento nas horas de entrada e saída de alunos nas escolas. Ainda de acordo com a secretaria, a medida tem conseguido bons resultados, mas muitas ocorrências são registradas em horários que os estudantes deveriam estar em sala de aula.

    Segundo a SSP, existem 30 Cicoms que realizam patrulhamento em frente escolas em Manaus
    Segundo a SSP, existem 30 Cicoms que realizam patrulhamento em frente escolas em Manaus | Foto: Divulgação

    Leia também: Sucateamento e exonerações escancaram crise na perícia do Amazonas

    Já as escolas municipais têm o Centro de Operações de Segurança Escolar (Cose), que possui uma central que recebe todas as imagens das escolas municipais, por meio de câmeras de vigilância, e um alarme dispara sempre que algum espaço dentro da escola é violado. Quando há o disparo do alarme, a central aciona a Polícia Militar.

    Universitários

    Constantes assaltos também são denunciados por universitários. Um dos casos envolve Fernando Costa, 23 anos, que estuda na universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo ele, a facilidade para os ladrões se esconderem no entorno do campus é grande. "Em novembro de 2017, por volta das 9h da manhã, eu estava saindo do campus, peguei o ônibus e aí dois caras armados anunciaram o assalto. Enquanto um roubava os passageiros o outro levava o dinheiro do cobrador. Quase entrando no bairro Japiim há um beco que eles desceram e se esconderam levando os pertences de todos", contou o universitário.

    Outra universitária que ficou traumatizada após um assalto no ponto de ônibus próximo a faculdade na qual estuda, localizada na Zona Centro-Sul, foi Elia Pirangy, de 20 anos. Abordada por homens armados em uma moto, ela diz que depois disso ficou com pânico de sair de casa. "Eu lembro que neste dia, por ironia do destino, havia comentado com meu irmão: será que assaltantes acordam cedo para roubar pessoas? Desci no ponto de ônibus em frente a minha faculdade, que estava deserto, e caminhava quando dois homens em uma moto chegaram apontando arma pra mim mandando entregar o celular. Eu me desesperei, pois não sabia o que fazer. Esperei um táxi, mas não passou nenhum e tive que ir de ônibus", lembra a universitária.

    Elia conta que ficou sem celular por uns cinco meses e que até hoje tem medo de ser assaltada.

    Sobre as ocorrências de assaltos próximo à Ufam, a assessoria informou que ações de prevenção já foram tomadas em conjunto com a SSP-AM. "No que se refere aos assaltos a estudantes dentro dos ônibus que acessam à Ufam, reiteramos notas recentes à imprensa que abordam esses casos. Todas as ocorrências as quais tivemos conhecimento se deram fora da abrangência da instituição: os assaltantes entraram e desceram dos veículos antes dos veículos adentrarem à universidade. Os casos de roubo e assaltos se tornaram um tanto quanto recorrentes e em função disso, o reitor, professor Sylvio Puga, reuniu com o secretário da SSP, Bosco Saraiva, no segundo semestre de 2017, para pedir providências. O secretário, por sua vez, ordenou uma diligência resultando na prisão de alguns suspeitos", destacou a SSP em nota. 

    A Ufam conta com cerca de 40 mil pessoas, entre alunos e funcionários, circulando em suas dependências. Tem equipe de vigilância com veículos motorizados de duas e quatro rodas, para fazer patrulhamento ostensiva do setor Norte ao Sul. Possui ainda um sistema de câmeras de monitoramento, instalado em uma sala específica  e ainda conta com suporte  de segurança da SSP com rondas militares.

    Edição: Isac Sharlon

    Leia mais:

    Corpo de motorista é encontrado com perfurações na BR-174

    Adolescente de 13 anos mata mulher a facadas em Manacapuru, no AM

    Motociclista tem cabeça esmagada e morre em 'curva da morte' na AM-010