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    Alimentação


    Seu bebê tem restrições alimentares? Especialista dá dicas de cuidados

    Alimentos artificiais causam problemas na digestão dos bebês. Veja como cuidar.

    Muitas mães sofrem sem saber identificar sintomas alérgicos em seus bebês | Foto: Divulgação

    Manaus -Atualmente é muito comum ouvir relatos de mães com filhos alérgicos a algum tipo de alimento e mais comum ainda ouvir as avós que garantem que na época delas isso não era comum. 

    De acordo com o alergista Rodrigo Mendes, quanto mais o tempo passa, mais 'artificial' os alimentos ficam, enquanto na época dos nossos avós tudo era mais 'orgânico'.

    “Antigamente a alimentação era muito mais saudável. O leite era tirado direto da vaca, matavam o boi a noite e pela manhã a carne era vendida. Boa parte das pessoas produziam e plantavam o que comiam”, disse Mendes.

    A presença dos conservantes

    Muitas pessoas se preocupam com os corantes, mas o grande causador de alergias alimentares são os conservantes. Todo alimento industrializado que tem prazo de validade, tem conservantes.

    “Compramos a maior parte dos nossos alimentos em supermercados e, tudo o que tem uma data de validade, possui conservantes na composição. Até alimentos que pensávamos estar 'limpos', como a carne vermelha, hoje  há conservantes [dependendo da procedência], além de outras coisas”, disse o alergista.

    Alguns sintomas podem indicar se seu bebê tem algum tipo de restrição alimentar
    Alguns sintomas podem indicar se seu bebê tem algum tipo de restrição alimentar | Foto: Divulgação

    Alergias alimentares e sintomas

    Hoje, um problema recorrente em crianças, quanto a restrições alimentares, são com os causadores de alergias. As mais frequentes estão relacionadas ao consumo do leites, ovos e seus derivados.

    No entanto, como os bebês ainda não podem falar o que sentem, cabe aos pais saber se algo está errado. Alguns sintomas podem indicar se seu bebê tem algum tipo de restrição alimentar.

    “Manchas e coceiras na pele; lábios, olhos e orelhas inchadas; e em alguns casos, vômitos. É preciso observar se estes sintomas ocorrem toda vez que a criança ou a mãe, no caso de bebês que recebem o aleitamento materno, ingerem determinados alimentos", explicou o alergista.

    Tratamentos 

    O alergista Rodrigo Mendes alerta que, em casos de alergia a alguns alimentos, apenas trocar a marca do produto ou mudar a precedência animal, no caso do leite, não vai sanar a doença.

    "A grande maioria das crianças, após os quatro anos de vida, deixa de ser alérgica, pois o organismo cria a tolerância imunológica. Mesmo assim, recém alérgicos devem fazer dieta específica", ressalta o especialista. "Há também  vacinas de imunoterapia, que só são indicadas para as crianças que apresentam quadro alérgico há bastante tempo e que não apresentem melhoras naturalmente", explicou Rodrigo.

    Em casos de alergia brandas, normalmente as indicações do pediatra conseguem suprir a necessidade daqueles pais e da criança, principalmente. Especialistas só devem ser procurados quando nenhuma das indicações do pediatra surtirem efeito.

    Os principais alergênicos são o leite de vaca, cabra e búfala além do trigo, ovo, amendoim, frutos do mar, peixes e algumas frutas cítricas
    Os principais alergênicos são o leite de vaca, cabra e búfala além do trigo, ovo, amendoim, frutos do mar, peixes e algumas frutas cítricas | Foto: Divulgação

    A dieta “restritiva” da mãe

    A nutricionista clínica Loyana Araújo indica o aleitamento materno mesmo o bebê apresentando um quadro alérgico. A dieta da mãe é a chave para a melhora da criança. Segundo a nutricionista, os principais alergênicos são o leite de vaca, cabra e búfala além do trigo, ovo, amendoim, frutos do mar, peixes - inclusive os de água doce  - e algumas frutas cítricas.

    “A regra da mãe que amamenta um filho alérgico deve ser o 'desembale menos, descasque mais'”, explicou a nutricionista, se referindo ao consumo de alimentos naturais, ao invés de industrializados. Assim como o alergista Rodrigo Mendes, a nutricionista alerta sobre os industrializados, pois são alimentos que possuem muitas sustâncias alergênicas.

    Prefira 'comida de verdade'

    Mães e responsáveis devem ler os rótulos dos produtos comprados nos supermercados. Há muitos alimentos que são disfarçados de bons, e a nutricionista indica que alimentação boa é comida de verdade.

    “A propaganda pode dizer que aquele iogurte famoso é rico em cálcio e vale mais que um bife, mas isso não é verdade. A mãe precisa entender que alimentação é comida de verdade. Se é possível fazer uma sopinha semelhante a vendida nos supermercados, faça”, indica a nutricionista.

    Raquel é mãe de Gabriel, diagnosticado com APLV e criadora de grupo de apoio no whatsapp
    Raquel é mãe de Gabriel, diagnosticado com APLV e criadora de grupo de apoio no whatsapp | Foto: Divulgação

    Mães que se ajudam 

    Há dois anos, a estudante de direito Raquel Yara, de 27 anos, mãe de Miguel, de 8 anos e Gabriel de 2 anos, criou o grupo APVL Manaus, que conta com cerca de 120 mães de crianças com restrições alimentares.

    "Eu criei o grupo num momento de desespero. Minha família e meus amigos não me entendiam. Meu círculo de amizade ficou pequeno porque pararam de me convidar para as festinhas, pois eu não podia comer nada por amamentar meu filho. No grupo começamos a conversar sobre dúvidas básicas", disse Raquel.

    Raquel diz que o filho ficava estranho na hora de mamar. "A barriga dele ficava igual um balão, as fezes saiam com sangue. Ele chegou a evacuar mais de 12 vezes ao dia e começou a perder peso. Gabriel gritava e chorava muito na hora de mamar, era surreal, totalmente diferente da minha primeira experiência com Miguel", relatou Raquel.

    Ela relembra que tinha muito medo de comer, pois o filho era alérgico a soja,  ovo, leite, algumas frutas que contém látex e frango - pois a ração dos frangos é a base de soja.

    "Eu não comia fora de casa, nada. Me vi num quadro de depressão e síndrome do pânico por conta do problema do meu filho. Tudo isso é uma tensão muito grande na cabeça, porque eu comia, mas com antialérgico na mão e um pé preparado para correr para o hospital pois ele tinha choques anafiláticos. Isso virou um terror, porque eu tinha muito medo de comer e ele passar mal", relembrou Raquel, emocionada.

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