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    Prevenção


    Alerta para o risco de Vírus Sincicial Respiratório no Amazonas

    Altamente contagioso, VSR é perigoso especialmente para bebês prematuros; em 2019, foram 39 óbitos decorrentes da infecção pelo vírus no Estado

    Além de causar doenças respiratórias do trato superior em bebês, o VSR provoca sintomas semelhantes a de um resfriado
    Além de causar doenças respiratórias do trato superior em bebês, o VSR provoca sintomas semelhantes a de um resfriado | Foto: Divulgação

    São Paulo* - Pais e familiares de crianças de até 2 anos devem ficar atentos. Com o início da estação chuvosa, começa na região Norte a circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal responsável pela ocorrência de bronquiolite e pneumonia em bebês lactentes (crianças com idade de 28 até 24 meses de idade). O VSR é comum, altamente contagioso e foi responsável por 39 mortes no Amazonas em 2019, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS).

    Além de causar doenças respiratórias do trato superior em bebês, o VSR provoca sintomas semelhantes a de um resfriado (febre, coriza, tosse) em crianças e adultos saudáveis. O risco é ainda maior para bebês prematuros, com defeitos cardíacos congênitos, portadores de doença pulmonar crônica da prematuridade e imunodeficientes, pois leva a hospitalizações recorrentes por bronquiolite e pode ser fatal. 

    De acordo com o pediatra neonatologista e presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri, o vírus circula o ano inteiro, mas já começa a ser notado a partir de meados de dezembro-janeiro no Amazonas, com pico nos meses de fevereiro a junho. Em 2019, foram 458 casos de VSR no Estado, com maior incidência em Manaus e São Gabriel da Cachoeira. 

    O número chamou a atenção das entidades médicas em todo o país. Segundo o Dr. Kfouri, a causa provável do surto foi a circulação de uma variante mais agressiva do VSR no Estado. “Vivenciamos na região um surto muito diferente do que aconteceu nos anos anteriores em relação à influenza e VSR. Essa provável variante fez com que muitos bebês, não só os de risco, e até adultos sofressem agravos maiores, hospitalizações e morte pelo vírus. Ainda se estuda que variante foi essa capaz de causar uma epidemia mais grave da doença”, diz o médico.

    Vírus e transmissão

    Até os 3 anos de idade, quase todas as crianças terão sido expostas ao VSR. Isso não significa que elas vão adoecer, ressalta Kfouri, mas as reinfecções ocorrem durante toda a vida. As crianças de grupos de risco são mais predispostas a desenvolver doenças mais severas em decorrência do vírus. 

    “Não é um vírus que dá imunidade para o resto da vida. Nós adultos pegamos um VSR e praticamente não adoecemos, mas somos fonte de transmissão. É o bebê pequeno que vai desenvolver a forma mais grave da doença, em particular os de grupo de risco”, explica o pediatra.

    Além da via respiratória, por meio de espirro, tosse e secreção, o principal meio de transmissão do VSR é por objetos e mãos contaminados, onde o vírus sobrevive por várias horas. O vírus prolifera-se mais em ambientes fechados e com muitas pessoas. Fatores como clima, umidade e temperatura também influenciam, por isso a maior facilidade do VSR se reproduzir na região Norte.

    Tratamento 

    Não existe medicamento antiviral específico para o VSR, informa Kfouri. A principal profilaxia é pela imunização com o anticorpo monoclonal específico, o palivizumabe. “Trata-se de um anticorpo artificial. Nós aplicamos no bebê do grupo de risco, o anticorpo tem uma vida média, é eliminado do organismo e precisa ser administrado de novo. São doses mensais durante a estação do vírus para que os bebês atravessem o período de protegidos”, explica o médico. 

    Para o Amazonas, a imunização deve ser administrada de preferência em janeiro, mês anterior ao início do pico de circulação do VSR. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda que os grupos de risco tomem doses consecutivas por até cinco meses durante a estação do do vírus. O Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacina para prematuros até o primeiro ano de vida e bebês com doença pulmonar crônica e/ou cardiopatia congênita até o segundo ano de vida. 

    Segundo Kfouri, estima-se que apenas 50 a 60% dos bebês de risco recebam a imunização contra o VSR. Para o profissional, a falta de informação tanto dos médicos quanto dos familiares contribui para a baixa porcentagem.

    De acordo com a gerente médica da empresa biofarmacêutica Abbvie, Ana Paula Paiva, todas as secretarias de saúde do país tem instalados programas de prevenção e imunização contra o VSR. “Os planos de saúde também são obrigados desde 2018 a liberar a medicação para os grupos de risco”, acrescenta Ana Paula. 

    Prevenção

    A principal orientação aos familiares para reduzir as chances de transmissão do VSR e outras infecções respiratórias é criar um ambiente que proteja o bebê e adotar medidas básicas, como lavar as mãos com frequência, usar lenços descartáveis em caso de tosse e coriza, manter a casa arejada e limpa, evitar ambientes fechados e aglomerados de pessoas e não fumar na presença da criança. 

    Conforme a secretária executiva de Atenção Especializada da Capital (SEA-Capital) da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), Dayana Mejia de Souza, a rede estadual no Amazonas trabalha fazendo uma previsão em cima dos dados epidemiológicos de períodos anteriores, assim como avaliando a sazonalidade com prevenção e promoção de saúde, orientação quanto à lavagem das mãos e ao ambiente com grande aglomeração de pessoas.


    *A jornalista viajou a São Paulo a convite da Abbvie