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    Amazonas foi o Estado mais tuberculoso do país em 2017

    A tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no mundo, superando as mortes causadas pelo HIV e a malária juntos

    Amazonas tem a maior incidência de tuberculose do país. | Foto: Marcely Gomes

    Dados da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), dão conta de que em 2017 a incidência de casos de tuberculose no Amazonas foi de 68,2 casos a cada 100 mil habitantes. Em Manaus, o risco é de 93,5 casos novos a cada 100 mil habitantes. Em números gerias foram 2.804 casos da doença registrados, ou seja, 116 casos a mais que o mesmo período em 2016. O Amazonas já liderava há quatro anos consecutivos o ranking de incidência da infecção em todo país.

    A doença é a terceira causa de mortes por doenças infecciosas no Brasil. Estima-se, que mais ou menos 30% da população mundial esteja infectada com a bactéria causadora da moléstia, embora nem todos desenvolvam a doença. 

    Estudos apontam que a incidência da tuberculose é maior em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. De acordo com a coordenadora do programa estadual de controle da tuberculose do Amazonas, Marlúcia Garrido, que está sob a responsabilidade da FVS, um dos fatores que dificultam a erradicação da tuberculose é o determinante social.

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    “A tuberculose está ligada a muitos fatores e a exclusão social é um deles. Uma pessoa com baixa renda ou desempregada que não tem condições de se alimentar de forma correta, está vulnerável a desenvolver a doença. Às vezes as pessoas vivem em conglomerados humanos, espaços sem ventilação, sem alimentação correta, são ambientes propícios ao desenvolvimento da doença”, contou a coordenadora.

    De acordo com Márlúcia, fatores culturais também influenciam na proliferação da tuberculose. “Os indígenas, dependendo da etnia, às vezes vivem em moradias coletivas, isso facilita a contaminação dos outros moradores. Além disso, há a alimentação à base de peixe e farinha que pode gerar uma carência de nutrientes”, disse.

    Amazonas tem a maior incidência de tuberculose do país.
    Amazonas tem a maior incidência de tuberculose do país. | Foto: Marcely Gomes

    Após a contaminação, as pessoas se tornam uma espécie de “reservatório” da bactéria, ou seja, convivem com ela, mas não desenvolvem a doença porque o corpo está forte o bastante para combatê-la, informa Marlúcia. A chamada “primo-infecção” ocorre quando a pessoa entra em contato com a bactéria, mas não necessariamente desenvolve a doença. A tuberculose pode acometer órgãos como rins e pulmões, além dos ossos.

    No Amazonas temos a terceira maior taxa de mortalidade do país. São 3,2 casos de morte a cada 100 mil habitantes. “Às vezes as pessoas demoram muito para procurar o atendimento médico. Isso demonstra que o risco de adoecimento é grande no Estado, mas em mortalidade não somos os primeiros porque temos um manejo correto, mas ainda temos que melhorar. O doente também precisa colaborar não interrompendo o tratamento”, disse Marlúcia

    Sintomas e tratamentos

    Entre os sintomas, estão tosse por mais de duas semanas com ou sem secreção final da tarde, sudorese, cansaço, dor no peito, falta de apetite e emagrecimento. Nos casos mais avançados, pode aparecer escarro com sangramento.

    O tratamento é feito com antibióticos associados pelo tempo mínimo de seis meses e o tratamento não deve ser interrompido sem avaliação médica para comprovação da cura. 

    Pessoas com esses sintomas associados ou isoladamente devem procurar um Posto de Saúde o mais rápido possível, pois o tratamento é gratuito e deve ser iniciado imediatamente.

    Determinantes sociais

    As infecções são profundamente influenciadas pela determinação social e demonstram relação direta com a exclusão social. De acordo com Marlúcia, é importante que o serviço de saúde avalie também as condições de vida que levaram ao adoecimento do paciente. É necessária a articulação com a assistência social para combater as causas da doença.

    Prevenção e diagnóstico

    A principal maneira de prevenir a tuberculose em crianças é com a vacina BCG, ofertada gratuitamente no SUS. O diagnóstico leva em consideração os sintomas e é confirmado pela radiografia do pulmão e análise da secreção (catarro). 

    Recomendações

    A interrupção do tratamento faz com que as bactérias se tornem mais resistentes aos medicamentos e torna mais difícil ser curado. Desnutrição, alcoolismo, uso de drogas ilícitas aumentam o risco de contrair a doença. Leve seu filho para tomar a vacina BCG contra a tuberculose. A Fundação de Medicina Tropical é referência para condução dos casos de tuberculose.


    Edição: Luis Henrique Oliveira


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