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    Infertilidade


    Você já ouviu falar sobre ovário policístico?

    Saiba mais sobre o distúrbio que altera o processo de ovulação e pode dificultar a gravidez

    Diferenças entre o ovário saudável e com a doença. | Foto: Reprodução

    Atraso na menstruação, pele oleosa, aparecimento de espinhas, ganho de peso, surgimento de pelos no corpo e infertilidade. Esses são os principais sintomas da doença que afeta 15% das mulheres em idade reprodutiva, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A patologia dificulta a gravidez e sem tratamento adequado traz consequências para a qualidade de vida da paciente. 

    Mulheres nascem com um “estoque” de óvulos que vão usar ao longo da vida. Na adolescência, eles começam a amadurecer. Fazem o caminho pelas trompas até o útero e são liberados na menstruação ou serem fecundados. Isso não acontece regularmente com as mulheres que têm ovários policísticos. Muitos dos óvulos não se abrem, ficam sempre no mesmo lugar, como pequenos cistos, que se acumulam.

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    Os sinais e sintomas dessa síndrome são menstruação irregular, excesso de pelos no rosto, barriga e seios, excesso de oleosidade na pele, queda de cabelo e dificuldade para engravidar, mas não é preciso ter todos os sintomas juntos para a doença estar presente. A síndrome não tem cura e é preciso cuidar até a menopausa.

    A estudante de odontologia Eduarda Fortes, de 24 anos, relata como descobriu a síndrome, ao completar 20 anos. “Eu sentia cólicas muito fortes, não conseguia levantar da cama e sangrava muito. Meu rosto ficou tomado por espinhas, o que não aconteceu na adolescência”, conta.

    De acordo com Eduarda, os sintomas se tornaram mais fortes e a diferença em relação ao período menstrual nos primeiros anos se tornou evidente. “Comecei a menstruar com 10 anos e notei a alteração porque a dor era maior, e era mais ao lado esquerdo, como se doesse no ovário”, revela.

    A estudante relata ter ficado aproximadamente um ano sem menstruar, mas atribuía o fato ao stress. "Não estava diagnosticada e iria prestar vestibular, então pensei que todos os sintomas fossem em razão do stress. Comecei a tomar anticoncepcionais receitados pela minha médica e os sintomas se tornaram amenos e meu ciclo menstrual se tornou regular. Alimentação e exercícios ajudaram muito no tratamento", disse. 

    De acordo com a médica Enedina Albuquerque de Paula, residente em ginecologia e obstetrícia do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), a SOP aparece em mulheres em idade fértil, entre 20 e 30 anos, mas pode ser detectada ainda nos primeiros anos da menstruação da adolescente. “Quando persiste a menstruação irregular por mais de dois anos isso deve ser investigado porque pode ser um sintoma”. 

    A médica Enedina Albuquerque residente em ginecologia e obstetrícia do HUGV fala sobre sintomas e tratamento de SOP.
    A médica Enedina Albuquerque residente em ginecologia e obstetrícia do HUGV fala sobre sintomas e tratamento de SOP. | Foto: Divulgação / Acervo pessoal

    Nas pacientes com SOP, há produção aumentada do hormônio masculino que causa o hirsutismo, ou seja, o aumento de pelos. 'A resistência à insulina, que é um produto que regula a quantidade de açúcar no organismo, também é um sintoma de pacientes com a doença e isso pode levar a uma predisposição ao diabetes”, conta a profissional. 

    O diagnóstico pode ser feito por exames como ultrassonografia pélvica, transvaginal, dosagem de testosterona, dosagem de insulina e curva glicêmica. Porém, Enedina informa que o exame clínico é determinante, juntamente com o relato para diagnosticar a paciente. 

    Sobre as formas de tratamento, a médica relata que depende da idade da paciente e do que ela deseja. “Para as mulheres que desejam engravidar é um tipo de tratamento e para quem não deseja o tratamento é outro. Nos dois casos é necessária a mudança de estilo de vida, alimentação saudável e prática de exercício físico, além do acompanhamento médico em uma rotina anual”, aconselhou.

    Edição: Lívia Nadjanara
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