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    Perseverança


    De produtor de açaí a jogador internacional, Denilson é exemplo de superação

    Vindo de família humilde, o jogador teve de morar sozinho, fora de Manaus, aos 14 anos

    Vindo de uma família humilde e criado com os avós, Junio Denilson, 20 anos, sempre teve o sonho de jogar futebol. | Foto: Diego Caja

    Vindo de uma família humilde e criado com os avós, Junio Denilson, 20 anos, sempre teve o sonho de jogar futebol. Ainda jovem, o atual meio-campo do time da segunda divisão alemã, FC Seenland Warin, relembra sua trajetória e as dificuldades que passou no esporte até alcançar seu desejo de jogar em um clube internacional.

    Denilson foi criado pelos avós, a quem chama de pais. Wilson Pereira, de 70 anos, e Conceição dos Santos, 66 anos, contam que o jogador sempre foi um rapaz muito dedicado e obediente. Sua rotina era toda voltada para o amado futebol. Ainda jovem, ele se empenhava com todo afinco à pratica do esporte. 

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    “Eu ia para a escola por volta de 6h da manhã e quando saía do colégio já ia direto para o campo onde treinava. Chegava uma hora mais cedo do que todos para ficar chutando bola. Quando o treino iniciava eu já estava todo suado, mas não cansado. O treino terminava às 17h30 e eu ia correndo jogar com amigos perto de casa. Só voltava pra casa às 21h”, relembra.

    Após chegar do treino de futebol, Denilson ainda jogava futebol com os amigos em um campo próximo de casa.
    Após chegar do treino de futebol, Denilson ainda jogava futebol com os amigos em um campo próximo de casa. | Foto: Diego Caja

    Essa rotina iniciou ainda bem cedo: aos 12 anos o craque passou pela Escolinha do Vasco em Manaus, depois participou de uma peneira para o time do Flamengo com mais cem jogadores. “Fui um dos dois que foram selecionados, já estava tudo certo, mas no dia em que deveríamos viajar ocorreu um problema e eu acabei permanecendo em Manaus”, conta Denilson. 

    Mesmo com a dificuldade, o jogador não desistiu e continuou treinando,. Em casa, ajudava o avô a fazer pães e produzir açaí, de onde a família conseguia se sustentar. Wilson fala com carinho que o neto acordava, às vezes de madrugada, para o ajudar. 

    “Tinha dias que eu não me sentia muito bem quando acordava e o chamava e, mesmo com a pouca idade, ele já ajudava ao ligar o forno para assar os pães ou com a máquina de fazer açaí”, diz Wilson, destacando que o neto sempre foi muito prestativo. 

    A produção e venda de açaí é, até hoje, uma das fontes de sustento da família do jogador.
    A produção e venda de açaí é, até hoje, uma das fontes de sustento da família do jogador. | Foto: Diego Caja

    Outra oportunidade surgiu no ano seguinte: jogar no time do América de São José do Rio Preto, em São Paulo. Para isso, Denilson teria que ir morar sozinho, prestes a completar 14 anos. Ainda que houvesse dificuldades devido à pouca idade, o sonho foi ainda maior e o atleta assinou seu primeiro contrato profissional.

    “O começo foi muito complicado para mim, eu passei por processos muito difíceis e estar longe da minha família tornou tudo ainda mais pesado para lidar, mas mesmo com todas as dificuldades, não desisti do meu sonho, pois eu sabia que bons frutos viriam dessa oportunidade”, lembra o jogador que, em alguns feriados e datas comemorativas, ficava sozinho no alojamento, por não ter sua família perto. 

    Em Manaus, a família também sofria com a distância. A avó, Conceição, conta que nas primeiras vezes em que seu neto teve que viajar sozinho, passava noites em claro, preocupada. Já o avô, Wilson, diz que chegou a passar mal. “Eu ficava acordado à noite toda e cheguei até a passar mal de tanta preocupação por ele. Sentia tanta saudade que, às vezes, me emocionava”, conta.

    Durante os dois anos e meio que passou jogando para o América, Denilson disputou, pelo clube, os campeonatos sub-15 e sub-17, além da Copa São Paulo, porém nunca pôde contar com a presença da família nas partidas, a origem humilde impedia que os pais do coração viajassem ao seu encontro. 

    “Não conseguíamos ir visitá-lo, o dinheiro era apertado e sempre que estávamos terminando de pagar uma passagem, ele precisava voltar e tínhamos que comprar outra, além da ajuda de custo para ele viver fora”, diz a avó do jogador, que nunca conseguiu ver Denilson jogando de perto. 

    Após sair do América, teve uma breve passagem pelos clubes Mirassol Futebol Clube e Grêmio Catanduvense, ambos de São Paulo. O último clube que passou enquanto ainda estava no país foi o Ossaldo Cruz, também de São Paulo. Sobre a experiência, ele guarda boas recordações.

    O sucesso nos clubes levou Denilson ao reconhecimento internacional. O jogador, que começou a jogar em campos simples na cidade de Manaus, hoje defende o clube alemão FC Seenland Warin. Sobre a experiência, Denilson conta que o futebol do exterior exige um nível de conhecimento muito maior do atleta. “O nível dos jogos é melhor, é tudo muito organizado, muito bem executado”, fala.

    Apesar da fama, sempre que volta a Manaus o jogador não se esquece das origens e volta a jogar no mesmo campo em que iniciou sua trajetória e ajuda a família que sempre o apoiou na sua caminhada. Aos mais novos que queiram seguir seus passos, ele deixa um conselho: “Permaneçam firmes! Corram atrás dos seus sonhos e não desistam”, afirma. 

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