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    opinião: cristina monte


    A hora e a vez das startups no Brasil

    Num cenário de escassez e incertezas, a categoria se mostra uma boa alternativa para recomeçar profissionalmente

    A jornalista Cristina Monte comenta esta semana sobre o potencial econômico das startups no Brasil | Foto: Acervo Pessoal

    Manaus - Com tudo o que vem ocorrendo no País nos anos recentes, o brasileiro está aprendendo a se virar como pode. Algumas semanas atrás escrevi um artigo sobre empreendedorismo, no qual comento ocrescimento dos microempreendedores no País impulsionado - provavelmente - em decorrência do desemprego. Há aí, um enorme potencial para explorar as possibilidades do empreendedorismo. Entretanto, em outro nível, as startups são a bola da vez e é fácil entender os porquês!

    São nos momentos de crise que encontramos nichos e espaços pouco ocupados! É um caminho sem volta, pois desde 2014 estamos perdendo - por ano - cerca de 1 milhão de vagas de empregos (formais), conforme reportagem do jornal on-line da Folha de S. Paulo, de abril.

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    Além do crescimento de MEIs (microempreendedores individuais), registrado pelo Sebrae, o qual bate a casa de 1 milhão por ano (desde 2014), há outro modelo de negócio que vem impactando o mercado e promete ser a nova “crista da onda”, mas ela veio pra ficar por bom tempo!

    Na medida certa

    Num cenário de escassez e incertezas, as startups se mostram uma boa alternativa para (re)começar profissionalmente

    | Foto:

    . Isso porque precisam, inicialmente, de poucos investimentos, o que já começa bem! E, diante das incertezas, o modelo permite ajustes conforme os cenários, dando fôlego, sobrevida e, portanto, continuidade.

    Geralmente essas empresas nascentes, como também são chamadas as startups, são de base tecnológica, o que diante da 4ª Revolução Industrial, em pleno vapor, abre um leque de possibilidades inimaginável.

    Contudo, o importante desse modelo é que ele possa ser produzido repetidamente e em larga escala, objetivos nada fáceis de serem alcançados em virtude das oscilações e dinâmica do mercado.

    Mudando de etapa

    Também, se você não sabe o negócio não será pra sempre uma startup, pois, depois que decola, vai se transformar numa grande empresa como aconteceu com o Facebook, Google e tantas outros. Vamos sonhar alto gente, afinal o Brasil já possui três unicórnios  (empresas avaliadas em mais de U$ 1 bilhão), que são a PagSeguro, 99 e Nubank.

    Daí a gente vê que não são somente os desempregados buscando oportunidades na área! O mais legal do empreendedorismo é seu lado democrático: é só chegar, se planejar e trabalhar muito!  

    Isso significa que - independentemente da classe social ou formação profissional -, todos têm oportunidades, conforme a grana do bolso. Isso, num país com tantos problemas urgindo por soluções é uma notícia maravilhosa. E é exatamente aí que as startups roubam a cena!

    Muitos profissionais estão embarcando nessa onda. Alguns estão buscando uma boa opção para investimentos e ainda há os que estão se dividindo entre o negócio consolidado e os novos.

    Anjos ricos

    Esse pessoal mais experiente e que investe nas empresas nascentes são chamados de investidores-anjos. São pessoas físicas que investem seus próprios recursos e, além de grana, contribuem com a experiência adquirida e um bom networking. Dessa forma, esperam abocanhar um bom quinhão de lucro.

    Em 2016, eles somavam cerca de 7 mil pessoas ávidas por negócios com  grande potencial de crescimento. O dado é da Anjos do Brasil na reportagem do site Terra, de junho. Esse número é fruto de uma pesquisa realizada pela Anjos em 2016 e aponta um crescimento por volta de 15% desde 2011, quando o número era de 5,3 mil pessoas.

    Aliar o conhecimento dos investidores-anjo e a energia dos jovens que chegam ansiosos ao mercado parece ser uma boa dose dupla.

    Novo mundo

    O fato é que ninguém quer mais apostar na velha economia. Dinheiro investido em bancos tem pouca correção e muitos profissionais veem nas startups a hora de guardar a gravata e partir para  outros desafios mais rentáveis.

    Com tanta experiência, faro para negócios e uma boa grana pra investir, há uma camada de executivos que não aguenta mais a pressão do board e já percebeu que o modelo (pesado) das suas organizações está fadado ao fracasso, mediante aos novos modelos de negócios, muito mais ágeis.

    Essas empresas nascentes conseguem responder mais rapidamente ao mercado, são mais flexíveis e se adaptam rapidamente às mudanças, fatores imprescindíveis para alavancar a competitividade. E mais, aproveitam as oportunidades. 

    Uma solução pra todos

    Certamente você conhece o modelo de negócio da Uber, que começou como uma startup. Sem nenhum veículo, a empresa transporta todos os santos dias milhares de pessoas pelo mundo e se tornou um case de sucesso.

    O legal do exemplo da Uber é verificar que o foco do negócio é totalmente voltado a uma questão social, porque o modelo democratizou completamente o transporte urbano, proporcionando que qualquer pessoa possa se mover confortavelmente por um preço honesto.

    Além disso, abriu milhares de frentes de trabalho! Eu adoro usar os carros da Uber nas minhas viagens e sempre converso com motoristas que me dizem o quanto a Uber os ajudou financeiramente. Alguns trabalham e atuam somente nas horas vagas, para complementar a renda. Outros, estão desempregados e só faturam com as viagens.

    Imagina você com toda essa crise que passamos, quantas pessoas conseguiram sobreviver com as corridas?

    Startups: quem são? Onde vivem?

    A reportagem da revista Época de agosto de 2017 apresentou um raio x das startups no País, conforme dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups). A Associação foi criada em 2011 e mantinha até julho de 2017, mais de 4,2 mil instituições afiliadas.

    E para compreender a evolução do ecossistema, a ABStartups mapeou os estados, os modelos de negócios e os setores de atuação. Dessa forma, conseguimos detectar oportunidades de investimentos. 

    O estado que liderava com 31% de filiadas era São Paulo; seguida por Minas Gerais, com 9% de filiadas e onde fica San Pedro Valley (região de Belo Horizonte que mantém as startups RockContent e SambaTech); e em terceiro lugar, com 8%, estava o Rio de Janeiro.

    Em relação ao modelo de negócios empregados, 21% das filiadas adotaram o B2B (business-to-business), B2C (business-to-consumer) e assinaturas fecham o top três, com 15% e 11%, respectivamente.

    No que diz respeito à divisão por setores, os índices indicam equilíbrio, pois o setor de “software as a Service” (conhecido pela sigla Saas e como web apps) foi escolhido por 5% dos empreendedores. Em segundo posto houve empate entre educação e a internet de modo geral, ambas ficaram com 4%. E comunicação e mídia ocupam 2%.

    E se você tem uma startup e quer crescer mais rapidamente, consulte o portal do programa Start-Up Brasil,  Programa Nacional de Aceleração de Startups, que é uma iniciativa do governo federal.

    O programa foi criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), com gestão da Softex e em parceria com aceleradoras, para apoiar as empresas nascentes de base tecnológica.

    Mas, nem tudo são flores! Um dos gargalos que temos em relação às empresas de tecnologia é a elevada carga tributária fixada em medida pela Receita Federal que cobra dos investidores-anjo algo entre 15% a 22,5% de imposto sobre o rendimento por recursos aportados em startups, conforme reportagem da Época Negócios de outubro de 2017.

    O governo dá uma mão pra acelerar e a outra pra morder a grana de quem está investindo e correndo risco! É o Estado sendo o Estado!

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