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    opinião: cristina monte


    Os novos modelos de trabalho do mercado atual

    Home office, coworking, vídeoconferência. O trabalhador do século XXI não precisa mais sair de casa para ser empregado

    A jornalista Cristina Monte mostra nuances da nova construção empresarial no mundo dos negócios e na vida do empregado
    A jornalista Cristina Monte mostra nuances da nova construção empresarial no mundo dos negócios e na vida do empregado | Foto: Acervo Pessoal

    Manaus - Que maravilha seria poder acordar um pouco mais tarde, fugir do trânsito caótico e trabalhar de pijama. Isso já deixou de ser um ideal e vem se consolidando. Afinal, muitas vezes tudo o que o profissional precisa, tanto funcionário de uma empresa quanto autônomo, é de um bom computador e da mente para executar uma série de atividades remotamente. Neste contexto, surgem os novos modelos de trabalho que estão transformando a nossa dinâmica profissional.

    Com o baixo desempenho da economia, muitas empresas e profissionais estão atuando de casa. É a modalidade conhecida como home office. No caso de funcionários de corporações, em virtude de ferramentas de gerenciamento de tarefas, que permitem aos líderes ou gerentes acompanharem o fluxo do trabalho, as empresas têm segurança quanto ao retorno das atividades.

    Entretanto, com tantas distrações, será que conseguimos honrar os prazos de entrega? Mas aí surge outra modalidade que ajuda a manter o foco e a disciplina, a qual se chama coworking e cresce de vento em popa! 

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    Experiência pessoal

    Entediada por trabalhar no horário comercial, em 2011 pedi demissão da Fucapi e resolvi seguir outros caminhos com horários mais flexíveis e em 2014 iniciei minha primeira experiência trabalhando a maior parte do expediente no modo home office. Uma vez por semana trabalhava na empresa, comparecia às reuniões etc.

    Confesso que, no início, fiquei um pouco assustada, pois estava cursando História e viajava muito. Como desconhecia meu nível de disciplina, não tinha certeza se conseguiria manter o foco e a qualidade nas entregas. No entanto, achei que seria a oportunidade de testá-lo e aprender com o desafio.

    Surpreendentemente, me adaptei bem ao modelo, mas tive que mudar algumas estratégias para dar conta do recado. Hoje, não quero outra vida!

    Planejando é tudo

    Algumas coisas que aprendi incluem planejar o dia, semana e mês.  Se quiser alcançar algum objetivo, o jeito é planejar o transcurso, dividindo-o em partes e ir alcançando as metas, seguindo rumo ao ponto de chegada!

    Portanto, acordar e saber o que há pra fazer é fundamental. Iniciar as atividades conforme as prioridades do dia é muito positivo. Estabelecer o grau de importância de cada uma delas ajuda a ter uma consciência de curto, médio e longo prazo.

    Estimar prazos, porém contando com variáveis pode ser uma boa estratégia, além de controlar a ansiedade.

    Plano B

    Pois, como sempre “tem uma pedra no caminho e no meio do caminho tem uma pedra”, parafraseando o imortal Carlos Drummond de Andrade, o jeito é manter outras demandas na manga, assim se aproveitam todas as brechas!

    Falando em brecha, aprender a lidar com o tempo é essencial, pois todos nós temos muito mais coisas pra fazer do que tempo para executar. Então é importante desenvolver um método que você consiga domar o tempo, porque se ele passa rápido a gente pode se apressar e aproveitá-lo melhor! Uns usam listas, outros aplicativos, anotações etc. Caso contrário ele desanda a correr e nada é feito na vida!

    Multi

    Dizem que o ideal é fazer uma coisa de cada vez. Isso é impossível pra mim. Eu tenho uma imagem mental que é a de um painel onde está tudo mapeado e as coisas funcionam simultaneamente. Se eu esperar finalizar uma tarefa pra iniciar outra, não produzo metade do que faço!

    Estabelecer horários de trabalho é muito saudável. Se organize nos horários de modo que - dentro do possível - separe vida profissional da pessoal. Essa divisão é uma forma de reconhecer as diferentes esferas e o tempo que cada uma delas merece ou precisa.

    Ter um local determinado para trabalhar também ajuda a consolidar certa rotina. Então seja um escritório ou outro local, desde que a pessoa tenha concentração e foco, acredito que o rendimento seja positivo. Mas, até neste quesito quebrei paradigma.  Eu amo trabalhar e estudar em aeroportos e voos, por exemplo. Produzo muito bem!

    Muitas vezes, levo meu notebook (com modem) a consultórios médicos, dentistas, entre outros, e aproveito o tempo de espera para pesquisar, estudar ou mesmo escrever. A ideia é otimizar meu tempo para gastá-lo com lazer, por exemplo.

    Saúde em primeiro lugar

    Mas, pra turma do home office é preciso lembrar da saúde da coluna. O pessoal da Ergonomia se preocupa com a postura de quem trabalha de casa e não se atenta aos cuidados com a coluna vertebral, por exemplo.

    A amiga Luciana Leuche, fisioterapeuta do trabalho e ergonomista diz que é preciso ter atenção a esta modalidade de trabalho. “O home office tem preocupado nós, da área da saúde, pois ninguém investe numa boa cadeira, num suporte de monitor e usa o que tem, como cadeiras sem regulagem de altura e encosto, mesas com quinas vivas, monitores baixos ou altos demais e isso tem causado muitos problemas na coluna e membros superiores”, comenta.

    Dicas da Lu

    Então a Luciana indica utilizar uma boa cadeira, com regulagem de altura de assento e encosto, estofada, com back system, giratória e com cinco pés. Outra dica importante da ergonomista é manter o notebook com suporte que tenha regulagem de altura, e tanto o mouse quanto o teclado, separados. Dessa forma, evita-se tensão nos trapézios e problemas na coluna vertebral.

    Em casa a gente fica mais à vontade. Muitos usam pijamas ou algo básico, o que - pra mim - não há problema desde que a pessoa se sinta confortável e produtiva. Claro que se você tiver uma vídeoconferência, precisa ter cuidado com o que veste.

    Mas se você precisar se reunir com uma equipe presencialmente ou vai fechar um negócio, por exemplo, surge outra opção de trabalho chamada coworking, trata-se de um espaço que reúne as condições similares às de um bom escritório, com boa infraestrutura e geralmente com preços acessíveis.

    Modalidade em alta

    De acordo com o censo da Coworking Brasil, em 2017, eram 810 espaços conhecidos, um aumento de mais de 114% em relação ao ano anterior.

    São mais de 56 mil estações de trabalho e 3,5 mil empregados diretos e indiretos. E Manaus está neste circuito com a Impact Hub, Vila Hub Coworking, Espaço Vieiralves e o Cardume, entre outras empresas. 

    O CEO do Cardume, Antônio de Carvalho Pinheiro Júnior, confirma o crescimento do setor. “O mercado de coworking em Manaus vem passando por constante crescimento, principalmente nos últimos seis meses a um ano. Isso vem se dando pelo surgimento de vários espaços pela cidade e teve um maior apego em virtude do período econômico que passamos”.

    A empresa atua há quatro anos e, se tudo continuar como o planejado, Antônio espera duplicar a operação em 2019.

    Qual das modalidades é a melhor? Depende do perfil do profissional e da demanda! Um mix parece uma boa opção!

    Relaxar é preciso

    Mas, lembre-se que - independentemente do modelo de trabalho - pra produzir bem é importante descansar ou relaxar. Exercitar o corpo, ouvir música, fazer meditação, yoga ou qualquer atividade ou esporte que lhe ajude a renovar as energias. Dormir bem também está nesta lista. Ter lazer, curtir a família, os amigos, enfim, ter convívio social é o que nos motiva e dá gás para enfrentarmos o dia a dia.

    É isso! São novos modelos de trabalho chegando, que mostram outras perspectivas e ganham espaço no mundo do trabalho. Uma revolução que dá os primeiros passos e altera completamente a forma como atuamos e nos relacionamentos no ambiente profissional. Agora é só escolher!

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