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    opinião: cristina monte


    Casais e dinheiro: até que as dívidas não os separem

    A melhor estratégia da vida a dois, apontam especialistas, é a de ainda sentar e conversar com o seu cônjuge sobre as finanças

    A jornalista Cristina Monte analisa o caminho da relação financeira dentro do casamento
    A jornalista Cristina Monte analisa o caminho da relação financeira dentro do casamento | Foto: Arquivo pessoal

    Manaus - Manter um bom casamento hoje em dia não é nada fácil. Passada a gostosa fase do namoro, vem o casamento e a relação - aos poucos - estressa, ninguém tem paciência com ninguém e a separação acontece.

    Vai cada um pro seu lado! Quando se trata de grana então, a coisa fica mais complicada ainda! Não estou falando da separação de bens, não, que é outra novela. Estou me referindo à questão do dinheiro nas relações conjugais. 

    Tudo vai bem quando a grana vem. Poder desfrutar das benesses que o dinheiro nos proporciona é uma maravilha: viajar, jantar fora, pagar os estudos, trocar o carro e o apê. Enfim, com money fica mais fácil levar o relacionamento conjugal.

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    Cadê o dinheiro?

    Agora, quando o desemprego vem e a renda é cortada o amor acaba rapidinho, pois a gente se acostuma ao que é bom para depois ter que se adaptar a uma realidade limitante, o que torna tudo difícil.

    Desde 2014, quando se iniciou no País a crise econômica e financeira, e o famigerado desemprego engordou, milhões de famílias tiveram que cortar os gastos e sobreviver conforme o possível. É um estresse!

    Chegamos a um ponto em que, depois de cortar quase tudo, não estamos dando conta do básico. As contas de água, energia elétrica, plano de saúde e do supermercado pesam demais no bolso.

    Sem vento e sem grana

    A inadimplência é muito alta no País, conforme dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), estima-se que em maio deste ano aproximadamente 63,29 milhões de brasileiros estavam com o CPF restrito para fazer compras a prazo ou contratar crédito.

    Outro indicador também revela que a maior parte dos inadimplentes está concentrada entre os brasileiros com idade de 30 a 39 anos: são 17,9 milhões de consumidores nessa situação. E é justamente nesta faixa etária que acontece a maioria das uniões, casamentos e nascimento dos filhos, por exemplo.

    Efeito cultural

    O efeito positivo dessa triste realidade é que começamos lentamente a mudar nossos hábitos de consumo, mesmo que - primeiramente - não impulsionados pela conscientização e sim pela necessidade, estamos - no mínimo - construindo um novo relacionamento com o dinheiro.

    O caminho é longo, mas já percebemos que um bom planejamento financeiro contribui na dinâmica familiar. Para o amigo Altemir Farinhas, um dos mais conhecidos educadores financeiros do País, o planejamento familiar é essencial para equilibrar as finanças da casa.

    “Para manter as contas em dia é preciso controlar as despesas, não existe outro jeito. Por isso, sempre recomendo que a família faça o seu planejamento financeiro familiar, que pelo menos uma vez por mês, faça uma reunião e coloque os números em um caderno, planilha ou software.

    Quem sabe quanto ganha e controla os seus gastos, irá se endividar menos e/ou se tornar um investidor”, diz o administrador e palestrante.

    Escondendo o jogo

    Outra pesquisa realizada pelo SPC Brasil e CNDL em 2016, mostrou que três em cada dez brasileiros (29,2%) desconheciam o valor correto do salário do (a) companheiro (a). E mais, somente 38,9% das famílias brasileiras conversavam mensalmente sobre receitas e despesas, e 18,1% apenas falavam disso quando a situação financeira estava complicada.

    Vamos à questão básica das diferenças de consumo entre os sexos: geralmente as mulheres têm prioridades que os homens não entendem assim como eles têm outras e que nós, mulheres, também nem sempre entendemos!

    Por conta disso, a pesquisa revelou que 29% dos entrevistados omitiam do parceiro conjugal - ao menos - uma compra mensal!

    E os tipos de produtos dizem muito sobre essas diferenças, já que nós mulheres omitíamos a aquisição de produtos relacionados a itens pessoais como roupas (62,0%), calçados (59,9%), maquiagem, perfume e cremes (49,4%) e acessórios (39,9%). Já os nossos companheiros omitiam gastos com carro e moto (24,2%), jogos (22,5%), cigarro e bebidas (15,0%) e artigos esportivos (8,3%).

    Perseverando together

    Em relação a esses dados, Altemir diz perceber as personalidades financeiras diferentes quando ministra cursos e consultas para casais. “Antes de casar tudo é festa e os dois ignoram ou não querem ver algumas coisas. Eles veem de famílias diferentes e, portanto, têm histórias financeiras diferentes. Mas é importante que tenham objetivos diferentes, e sejam diferentes, não existe isso que devemos ser iguais, pois se assim fosse um não precisaria do outro”.

    O educador financeiro que estará em Manaus na próxima semana e será o próximo palestrante do “Encontro com Notáveis”, apresentando a palestra “Equilíbrio Financeiro”, do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), que acontece no dia 26 de julho, deixa uma dica muito bacana sobre o assunto.

    “É bom quando um dos dois é o ‘freio’ e o outro o ‘acelerador’. Uso essa analogia com os casais, dizendo que às vezes o marido é o freio e às vezes a esposa, mas nunca os dois são freio ou acelerador.

    Se os dois forem aceleradores, vão cair em um precipício, e se os dois forem freio, não vão a lugar nenhum. A minha recomendação é que com base no controle financeiro e no bom senso, os dois conversem e definam se é hora de acelerar ou é o momento de não gastar”.

    É o equilíbrio entre o emocional e racional que precisa guiar o relacionamento financeiro do casal, construindo um alicerce além do patrimônio econômico!

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