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    Editorial


    Manifestação imoral: facções desafiam a justiça em Manaus

    Pode até parecer mentira ou uma história tipo os episódios da série La Casa de Papel, mas foi algo real. E mais, foi em Manaus.

    Manifestantes reivindicando que os líderes da facção Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, conhecido como João Branco, e José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, cumpram suas penas em prisão no Amazonas
    Manifestantes reivindicando que os líderes da facção Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, conhecido como João Branco, e José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, cumpram suas penas em prisão no Amazonas | Foto: Divulgação

    Quem passou pelas proximidades do Fórum Henoch Reis, na avenida Humberto Calderaro, na Zona Sul, por volta das 11h desta quarta-feira ( 9 ), deparou-se com uma movimentação incomum para o horário e viu uma manifestação pacífica de umas 30, 40 pessoas. Até aí tudo normal.

    O problema é que aqueles cidadãos eram “simpatizantes” e presos do regime semiaberto (alguns com tornozeleira eletrônica), que estavam reivindicando que os líderes da facção Família do Norte (FDN), João Pinto Carioca, conhecido como João Branco, e José Roberto Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, cumpram suas penas em prisão no Amazonas, não em presídios federais. Cartazes diziam “Queremos reivindicar que nosso irmão venha cumprir a pena no nosso Estado” e “Porque os familiares não suportam mais tanto sofrimento”.

    Todo cidadão tem direito de protestar pelo que bem entender, mas esse fato, além de inusitado, é, no mínimo; imoral por parte daqueles que o praticaram. E vai além, mostra todo o destemor da FDN ante as autoridades policiais e judiciárias do Estado. Basta lembrar que esta semana a facção apresentou uma tabela, na qual prometeu presentear com boa quantia em dinheiro quem matasse policiais, juízes e promotores. Sem contar as constantes queimas de fogos em datas comemorativas da organização criminosa.

    Num mundo com os valores cada vez mais invertidos, é possível que alguém tenha achado o ato um fato normal. Porém, os normais, como nós, não! Essa manifestação é uma afronta às famílias manauenses e uma imoralidade praticada “nas barbas do tribunal”.

    * Editorial do Jornal EM TEMPO de 10.05.2018

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