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    Editorial


    Como o país se tornou um 'caminhão sem freio'

    Crise do combustível e greve iniciada por caminhoneiros vai tomando setor a setor país afora

    Por aqui, esses efeitos serão sentidos nas próximas horas. | Foto: Ione Moreno

    Em seu o 4º dia seguido, a greve dos caminhoneiros mergulha o país numa crise que, como efeito dominó, vai atingindo setor por setor. Sem qualquer central sindicalista ou partido político, os caminhoneiros conseguiram se mobilizar para pipocar manifestações em 25 estados e no Distrito Federal. Em Manaus não foi diferente, por isso quem estiver atento se prepare, porque os efeitos no Amazonas serão mais fortes, até porque, aqui, tudo que se consome vem de fora. Ou de avião ou de carreta. Na vizinha Porto velho, por exemplo, 90% dos postos já estavam fechados na noite de ontem. Por aqui, esses efeitos serão sentidos nas próximas horas.

    Os atos já atraíram mais adesão, dando continuidade à mobilização contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras, em vigor desde julho de 2017. E os impactos em cada setor.

    Na tarde de quinta (24), chegavam notícias à redação dando conta que em diversas cidades do país faltam combustíveis, há filas nos postos e valores abusivos de até R$ 10 por litro chegaram a ser cobrados, donos de postos foram presos. Empresas de ônibus reduziram a frota em várias cidades, inclusive em capitais; cidades decretaram calamidade pública e já há indícios da falta de produtos em supermercados, principalmente hortifrutigranjeiros.

    Alguns aeroportos também começaram a cancelar voos, e hospitais suspenderam procedimentos por conta de falta de medicamentos; fábricas pararam suas produções: 15 montadoras de automóveis estão sem atividades. Por conta do quadro, a Prefeitura de Manaus decretou ponto facultativo.

    O que ninguém quer é que para resolver o impasse seja necessário o uso da força. Aí é retroceder no tempo, é voltar ao período da escuridão dos anos de exceção. Mas, infelizmente, na noite de ontem, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, anunciou que governo pode usar força policial para garantir o cumprimento de decisões judiciais determinando o desbloqueio de rodovias em todo o país por caminhoneiros em greve. Ela informou que já foram ajuizadas 30 ações pedindo, além da liberação das rodovias, o reconhecimento de que a paralisação não é legítima. Oxalá tudo seja resolvido através do bom senso. Pelo bem da democracia e pela paz social do Brasil.


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