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    Editorial Em Tempo


    Nunca brinque com os sentimentos de um povo...

    O caos que se instalou em Manaus, provocado pelo cabo de guerra entre sindicato patronal e trabalhadores rodoviários – e uma certa complacência dos poderes, deixa algumas lições

    Nada justifica o uso da violência, mas, por todo o sofrimento pelo qual passou a população, parece até injusto chamar a polícia para reprimir sua revolta.
    Nada justifica o uso da violência, mas, por todo o sofrimento pelo qual passou a população, parece até injusto chamar a polícia para reprimir sua revolta. | Foto: Janailton Falcão

    O caos que se instalou ontem em Manaus, provocado pelo cabo de guerra entre sindicato patronal e trabalhadores rodoviários – e uma certa complacência dos três poderes – executivo, legislativo e judiciário – deixa algumas lições.

    A primeira delas, e talvez a mais importante, é que não se deve brincar com os sentimentos do povo. O amazonense é de índole pacífica, mas para tudo tem um limite. Por sete dias os usuários de transportes suportaram humilhação, indiferença das autoridades, arrogância por parte do sindicato dos trabalhadores e desrespeito por parte dos empresários do Sinetram.

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    Ontem, por mais absurdo que possa parecer, muitos ônibus já estavam com passageiros sendo transportados – a maioria já havia até pago sua passagem -, quando o comando de greve determinou que os motoristas mandassem os passageiros desembarcarem e retornassem com os veículos às garagens das empresas.

    Manifestação na Bola do Produtor do Jorge Teixeira
    Manifestação na Bola do Produtor do Jorge Teixeira | Foto: Janailton Falcão

    Isso não se faz. E, claro, foi a gota d´ água para que explodisse uma revolta popular quase impossível de se conter, não fosse a ação da Polícia de Choque. Ônibus foram destruídos, trabalhadores presos, até crianças atingidas por gás de pimenta disparado pela PM.

    A segunda grande lição é que não se deve fechar os olhos para a interrupção de um serviço essencial para a população. Nesses sete dias de greve, onde estavam as autoridades do Executivo, do Legislativo e do Judiciário? Por que uma greve julgada ilegal avançou por sete dias, penalizando a população, sem que a justiça nada fizesse? Onde estavam os membros do Legislativo nesses sete dias? Por que só ontem, quando estava instalado o caos, resolveram colocar a boca no trombone? Onde estava o executivo, que assistiu indiferente à retirada da mesa de negociação dos empresários, no início da greve?

    Enquanto os dois sindicatos, de forma intransigente e irresponsável, preferiram manter o impasse, trabalhadores não conseguiram chegar ao seu local de serviço e foram demitidos. Sem funcionários, lojas não abriram suas portas e estudantes foram prejudicados com a suspensão das aulas.

    Nada justifica o uso da violência, mas, por todo o sofrimento pelo qual passou a população, parece até injusto chamar a polícia para reprimir sua revolta.

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