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    Editorial


    Transporte Público em Manaus: muito incentivo para pouco benefício

    No final de 2017, a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) concedida pelo governo do Estado por quatro anos às empresas do transporte público da capital

    A prática saudável da contrapartida infelizmente não se encaixa para o transporte público de Manaus
    A prática saudável da contrapartida infelizmente não se encaixa para o transporte público de Manaus | Foto: Janailton Falcão

    O velho ditado que diz que “uma mão lava a outra”, usado para cobrar a colaboração mútua das partes é aplicado, e muito bem aplicado, em quase 100% dos setores do Estado. Não é raro, e a Operação Lava Jato comprova isso até hoje: quem ajuda é ajudado.

    Infelizmente, na maioria dos casos, de forma ilícita, como a trupe do juiz Sérgio Moro tem revelado.

    Porém, a prática saudável da contrapartida, que, é importante salientar, também é comum no relacionamento de órgãos públicos com empresários, infelizmente não se encaixa para o transporte público de Manaus.

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    Vamos aos fatos. No final de 2017, a Assembleia Legislativa do Amazonas aprovou a isenção do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) concedida pelo governo do Estado por quatro anos às empresas do transporte público da capital. Em números, isso representa uma economia de R$ 12 milhões por ano.

    Para esse benefício, a famosa contrapartida era a manutenção do valor da passagem em R$ 3,80, e a renovação da frota com 300 veículos novos equipados, climatizados e com porta à esquerda, o que não aconteceu. No fim, não foram entregues nem 20% dos ônibus novos prometidos.

    Mesmo com tamanha benevolência do poder público, os empresários se mantêm impiedosos com os rodoviários e forçam a demissão de 40% dos funcionários, a fim de recontratá-los pelo modelo intermitente, sem que eles tenham direito a auxílio alimentação e plano de saúde.

    A greve de sete dias do transporte público de Manaus não tem vítimas e culpados. Tanto os rodoviários quanto o Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo (Sinetram) são vilões. E como sempre, quem sofreu foi a população. O rescaldo da falta de diálogo foram 61 ônibus destruídos pela população que se revoltou com a situação, e 2,1 milhões de pessoas que tiveram o direito de ir e vir cerceados.

    Nesse caso, se uma mão lavasse a outra, muita sujeira teria sido evitada. Que sirva de lição.

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