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    Editorial


    Dois pesos e duas medidas: Michel Temer está acima da lei?

    Dois pesos e duas medidas é uma expressão popular utilizada para indicar um ato injusto e desonesto, sem o uso de imparcialidade ou isenção de juízos pessoais.

    Fachin negou o pedido da Polícia Federal para quebrar o sigilo telefônico do presidente Michel Temer.
    Fachin negou o pedido da Polícia Federal para quebrar o sigilo telefônico do presidente Michel Temer. | Foto: Divulgação

    Dois pesos e duas medidas é uma expressão popular utilizada para indicar um ato injusto e desonesto, sem o uso de imparcialidade ou isenção de juízos pessoais.

    Normalmente, está relacionada com situações similares que são tratadas de formas completamente diferentes, seguindo critérios aleatórios e a mercê da vontade das pessoas que as executam.

    Isso, talvez, explique, em algumas ocasiões, o olho diferenciado com que a Justiça julga certas situações. Por exemplo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin negou o pedido da Polícia Federal para quebrar o sigilo telefônico do presidente Michel Temer. Contudo, a quebra foi autorizada para os ministros Eliseu Padilha (MDB-RS), da Casa Civil, e Moreira Franco (MDB-RJ), de Minas e Energia.

    A pergunta que fica no ar é esta: e se fosse Luís Inácio Lula da Silva, o pedido da PF seria negado?

    A decisão de Fachin segue o entendimento da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que defendeu a quebra de sigilo somente para os ministros.

    Mesmo tendo sido blindado duas vezes com os arquivamentos de denúncias no Congresso Nacional, o presidente ainda se sente na autoridade de responder ao bombardeio de denúncias que vem sofrendo há praticamente um ano. Segundo Temer, o que estão tentando fazer é o “esquartejamento político e moral do presidente da República”. “Não é um movimento investigativo; é político, para desmoralizar o governo”.

    Isso é o que se chama de tentar tapar o sol com a peneira. Agora, por exemplo, a investigação apura suposta propina de R$ 10 milhões que teria, segundo delação de executivos da Odebrecht, sido acertada em jantar no Palácio do Jaburu, em 2014. De acordo com as apurações, parte das entregas teria sido feita no escritório do advogado José Yunes, amigo de Temer.

    Apesar das provas evidentes, a sra. Dodge diz que ainda não há indícios que vinculem o presidente diretamente ao caso. Então, tá!

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