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    EDITORIAL


    Estudar ou trabalhar? A tragédia do trabalho infantil no Brasil

    Em vez de brincar e estudar, 2,5 milhões de meninos e meninas de 5 a 17 anos trabalham no Brasil

    Trabalho Infantil
    Trabalho Infantil | Foto: Janailton Falcão

    “Não leve na brincadeira, pois trabalho infantil não faz bem a ninguém!” Essa é uma frase que circula sempre no Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, estabelecido em 2002 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), para ser celebrado em 12 de junho.

    O objetivo da data é chamar a atenção de sociedades e governos para a prática da exploração do trabalho infantil, visto que centenas de milhões de crianças em todo o mundo, incluindo o Brasil, estão agora sendo exploradas para o exercício do trabalho, deixando de usufruir de seus direitos à educação, à saúde e ao lazer.

    Segundo o IBGE, em 2016, 1,8 milhão de pequenos brasileiros estava trabalhando. Entretanto, em razão de alteração na metodologia em relação à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) anterior (2015), que registrava 2,5 milhões de trabalhadores infantis, deixou de contar 716 mil que trabalhavam na produção para o próprio consumo, aqui somados, porque, evidentemente, também são vítimas do ultrajante e maléfico trabalho precoce.

    Aqui em Manaus a coisa não é diferente. É só olhar pela janela do carro para observar o tanto de crianças fazendo malabares para conquistar o pão de cada dia, às vezes, a única renda para sustentar a família inteira.

    Em vez de brincar e estudar, como seria próprio da idade, 2,5 milhões de meninos e meninas de 5 a 17 anos trabalham no Brasil, vítimas da falta de percepção de que isso comprometerá o desenvolvimento das potencialidades individuais e o futuro do próprio país.

    Extremamente grave, esse não é um problema só brasileiro: 152 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estão trabalhando no mundo, sendo que perto da metade não chegou sequer a completar 11 anos de idade.

    O quadro é lamentável, porque uma infância lúdica, saudável, feliz, com brincadeiras próprias da idade é tudo o que uma criança deseja e merece. Escola boa, pública, gratuita, para pobres e ricos, com professores pedagogicamente habilitados e bem remunerados, que verdadeiramente eduquem e preparem para o exercício pleno da cidadania.

    Esse sim é o Brasil que todos nós queremos!

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