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    EDITORIAL


    Neymar, dai-nos alegria, pois está difícil ser brasileiro!

    Não bastasse o ministro Gilmar Mendes mandar soltar mais de 20 presos da Operação Lava Jato de maio para cá, a Corte Suprema do Judiciário decidiu proibir a condução coercitiva

    Neymar, dai-nos um pouco de alegria, pois está cada dia mais difícil ter orgulho de ser brasileiro
    Neymar, dai-nos um pouco de alegria, pois está cada dia mais difícil ter orgulho de ser brasileiro | Foto: Ione Moreno

    Mesmo em tempo de Copa do Mundo de Futebol, está difícil ter orgulho de ser brasileiro. Não por Neymar, Gabriel Jesus e companhia, que, ao que parece, estão focados em trazer o hexacampeonato para as terras tupiniquins. Mas pelos constantes atropelos, para não usar outro predicado, desferidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra a sociedade verde e amarela.

    Não bastasse o ministro Gilmar Mendes mandar soltar mais de 20 presos da Operação Lava Jato de maio para cá, ontem (14), por 6 votos a 5, a Corte Suprema do Judiciário nacional decidiu proibir a condução coercitiva de investigados a interrogatórios. A justificativa de Celso de Melo, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber e Marco Aurélio Mello, é que o ato fere a Constituição Federal.

    Ora, será que tais ministros, que só podem alçar ao cargo máximo da magistratura se comprovarem notório saber jurídico, esqueceram-se de que este instrumento está previsto no Código de Processo Penal, e em vigor no país desde 3 de outubro de 1941? Não, infelizmente não é por falta de conhecimento jurídico que tais magistrados tomaram tal decisão. Antes fosse. A questão aqui é mais complexa e gira em torno de interesses partidários (vale lembrar que quem ingressou com a ação foi o PT) que desejam resguardar a “dignidade” de seus militantes envolvidos em investigações.

    Além disso, a proibição é uma clarividente tentativa de frear a Operação Lava Jato, que, por orientação do juiz Sérgio Moro, tem se utilizado desse instrumento em suas investigações.

    É óbvio que é ninguém prega a humilhação e tentativas de manchar reputações, mas só é contra a condução coercitiva quem, no fundo, tem medo de, cedo ou tarde, ser alvo dela.

    Diante de tamanha afronta à moral do país, resta ao povo torcer para a seleção brasileira dar um pouquinho de alegria a uma gente tão sofrida, que além de ter um governo temerário (a escolha da palavra não é por acaso) não tem segurança de que pode confiar em seus supremos magistrados.

    Neymar, dai-nos um pouco de alegria, pois está cada dia mais difícil ter orgulho de ser brasileiro.

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