Fonte: OpenWeather

    Editorial


    Presídio na Avenida do Turismo? Ninguém quer o vizinho perigoso

    É um absurdo, mas parece que o governador Amazonino ainda pensa que está governando em tempos remotos, quando fazia e acontecia, mas em tempos de Lava a Jato, "o buraco é mais embaixo"

    Amazonino Mendes decidiu construir um presídio em plena Avenida do Turismo
    Amazonino Mendes decidiu construir um presídio em plena Avenida do Turismo | Foto: Janailton Falcão

    Passando por cima de todas as regras de bom senso, o governador Amazonino Mendes decidiu construir um presídio em plena Avenida do Turismo, um dos cartões postais da cidade, na região do Tarumã. É um absurdo, mas parece que o senhor Mendes ainda pensa que está governando no século XX, quando fazia chover, fazia e acontecia, e ninguém dizia nada.

    Mas agora, em tempos de Lava Jato, o "buraco é mais embaixo". Moradores de condomínios não estão dispostos a deixar que Mendes envie o projeto nefasto goela abaixo. Por isso, estão se articulando e realizando uma série de reuniões para montar a estratégia e abortar o plano do governador.

    Um dos argumentos é recomendar que ele leia, com calma, já que é advogado, a Lei nº 3.506-A, DE 2004, que diz, em seu 1º parágrafo, que fica proibida a construção de penitenciárias, presídios ou similares dentro do perímetro urbano dos MUNICÍPIOS BRASILEIROS.

    Em seu Art.2º, a lei diz que a autorização para construção desses estabelecimentos carcerários fica condicionada à prévia consulta da população da área urbana. Além disso, os estabelecimentos carcerários a serem construídos deverão possuir Relatório de Impacto Ambiental fornecido pelo órgão competente do Poder Executivo.

    Bem a propósito, em janeiro de 2017, o prefeito Arthur Virgílio Neto enviou à Câmara Municipal Manaus (CMM) um Projeto de Lei para proibir a construção de novos presídios no perímetro urbano da capital. Isso depois que explodiu a violência entre facções criminosas dentro das unidades carcerárias de Manaus, que acabou com 60 detentos mortos.

    O motim aconteceu dia 1° de janeiro daquele ano, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). Foi o segundo maior massacre em presídios do Amazonas e o segundo maior do Brasil, ficando atrás somente da chacina do Carandiru.

    É temendo perigos como esse, que os moradores do Tarumã abominam a ideia do governador. Diante de argumentos tão convincentes, Amazonino deverá recuar. Mas recuar diante de um erro administrativo é uma atitude de bom senso. Será que o governador teria essa grandeza?

    Leia mais:

    Consultoria americana: qual a proposta para o tráfico nas fronteiras?

    Supremo Tribunal Superior ou suprema fraude?

    Vergonha Nacional: municípios amazonenses na berlinda