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    Editorial


    Centrão de quê?A bem da verdade esses partidos não têm nada de centro

    Ao fechar com o PSDB para apoiar Geraldo Alckmin, o centrão impôs suas condições.

    Centrão fecha com o PSDB para apoiar Geraldo Alckmin
    Centrão fecha com o PSDB para apoiar Geraldo Alckmin | Foto: Reprodução

    A expressão “centrão” tomou conta do noticiário político neste ano. O bloco partidário formado por PP, Solidariedade, DEM, PR e PRB foi o mais cortejado neste período que antecede as convenções partidárias, com vistas no pleito para presidente da República.

    Mas ela não é nova. A expressão “centrão” surgiu no fim dos anos 1980, na Assembleia Constituinte, para designar os partidos que, na época, eram capazes de formar maioria e mudar o jogo na elaboração da carta magna nacional. E a história continua escrevendo um mesmo enredo, quando o assunto é o centrão atual.

    A bem da verdade, é que esses partidos não têm nada de centro. Basta uma pequena pesquisa acerca da ideologia deles e observar seus recentes posicionamentos que caem por terra o discurso de isenção.

    Assim como no passado, atualmente a conversa não gira em torno de um projeto coletivo que pense no progresso econômico do país e no auxílio da máquina estatal ao povo humilde. Não há projeto social, há projeto individual. Há conchavos.

    Ao fechar com o PSDB para apoiar Geraldo Alckmin, o centrão impôs suas condições. Vai indicar o vice - Josué Gomes (PP) -, quer a permanência de Rodrigo Maia (DEM) na presidência da Câmara dos Deputados e uma alternativa para os sindicatos, que perderam dinheiro como fim da obrigatoriedade do imposto sindical, imposto pela reforma trabalhista. Este último para atender aos anseios de Paulinho da Força (Solidariedade), líder sindical em São Paulo.

    Diante desse cenário, o centrão se mostra, na verdade, um bloco extremamente atraído, egoísta, que pensa num projeto de manutenção partidária, não nos brasileiros e brasileiras que irão às urnas no dia 7 de outubro.

    O centro, se fosse centro mesmo, deveria ser aquele que é o ponto de equilíbrio. Mas, nesse caso, o centro em questão é o ponto de desequilíbrio.

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