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    Editorial


    Carnaval: reflexões além dos desfiles das escolas de samba

    Em alguns municípios, a folha dos servidores estava atrasada, em outros faltavam medicamentos nos hospitais, e os prefeitos pretendiam contratar artistas e gastar pequenas fortunas em festas

    É Carnaval, período de festa, diversão, lazer e até descanso para aqueles que não curtem muito as folias do reinado de Momo. Tradicional festa pagã, o Carnaval gera muitas reflexões, além dos desfiles de escolas de samba, blocos de sujos e marchinhas.

    Colocam, na conta da festa, temas como o mau uso do dinheiro público, para patrocinar eventos com recursos que poderiam ser muito bem destinados à outra área da administração pública, como a saúde, por exemplo.

    Fato tão comum, que chegou ao ponto de o Ministério Público interferir com requerimentos de ação civil pública à Justiça, pedindo a suspensão de gastos das prefeituras com o Carnaval.

    Em alguns municípios, a folha dos servidores estava atrasada, em outros faltavam medicamentos nos hospitais, e os prefeitos pretendiam contratar artistas e gastar pequenas fortunas em festas, enquanto a população não tinha remédios e não recebia o pagamento.

    Em alguns casos, a Justiça considerou uma inversão de valores os gastos com festas, em detrimento da falta de produtos de primeira necessidade aos cidadãos. Em um município do Ceará, a prefeitura abriu uma licitação no valor de R$ 179 mil, para contratar serviços de infraestrutura, som, iluminação e artistas para festas de Carnaval. Do total, R$ 77 mil seriam gastos em bandas de forró.

    Não vai muito longe, municípios fazem chamamento público para financiar eventos e bancar iluminação, som, palco e outros equipamentos para a diversão, enquanto ruas estão esburacadas e faltam calçadas para os pedestres. 

    “Cá pra nós”, a situação não está boa para gastos com festa. Há muito por fazer, e quem quiser que faça o seu evento com recursos próprios. Aliás, quando o assunto é festa, costuma-se reunir multidões, mas quando o assunto é sério, o quórum é mínimo

    Editorial publicado na versão impressa do EM TEMPO em 10.02.2018

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